Claude descobre sistema inédito de enzimas capaz de modificar o DNA

Anthropic usa Claude para identificar novo sistema de enzimas que pode ajudar a ampliar o estudo de mecanismos ligados ao DNA

Anthropic
Créditos: Unsplash/Canva

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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A Anthropic anunciou uma descoberta feita com ajuda do Claude que pode abrir uma nova frente de pesquisa em biologia. O modelo identificou um sistema de enzimas até então não caracterizado, encontrado principalmente em bacteriófagos, vírus que infectam bactérias.

Segundo a Anthropic, o sistema recebeu o nome de ART, sigla para “array-associated reverse transcriptases” (transcriptases reversas associadas a matrizes, em tradução livre)

Ele apresenta características semelhantes às encontradas em sistemas CRISPR, conhecidos por sua capacidade de realizar operações programáveis sobre o DNA. No entanto, a função exata do ART ainda não foi determinada.

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CLAUDE ENCONTRA PADRÃO PARECIDO COM O CRISPR

A descoberta começou quando pesquisadores deram ao Claude uma orientação ampla para procurar exemplos interessantes de transcriptases reversas em uma grande base de dados de DNA. Essas enzimas são capazes de copiar informações do RNA para o DNA.

De acordo com a Anthropic, cerca de 950 agentes do Claude trabalharam durante 21 horas e analisaram mais de 200 mil transcriptases reversas. A busca resultou em 3.500 candidatos, posteriormente reduzidos a 20 sistemas considerados mais interessantes para uma análise detalhada.

Durante a investigação, um dos agentes identificou uma sequência incomum de repetições de DNA próxima ao gene de uma transcriptase reversa. O padrão chamou atenção porque lembrava os conjuntos de repetições associados ao CRISPR.

NOVO SISTEMA TEM TRÊS COMPONENTES

A Anthropic explica que o ART é formado por uma transcriptase reversa, um gene vizinho que produz uma proteína de função ainda desconhecida e uma longa sequência de repetições de DNA igualmente espaçadas.

Os primeiros experimentos indicaram que essas repetições também são expressas como pequenas moléculas de RNA. Esse comportamento pode ajudar os pesquisadores a entender qual é a função do sistema, mas a empresa ainda considera a investigação inicial.

A transcriptase reversa presente no ART já havia sido identificada em estudos anteriores. O que Claude aparentemente identificou pela primeira vez foi a combinação entre essa enzima, o gene associado e o conjunto de repetições.

ANTHROPIC AINDA INVESTIGA COMO O ART FUNCIONA

A empresa ressalta que ainda não sabe exatamente qual é a função do ART nem se ele poderá ter alguma aplicação biotecnológica. Embora o sistema apresente características encontradas em outros mecanismos programáveis, não é possível afirmar neste momento que ele seja uma nova ferramenta de edição genética.

A descoberta faz parte de uma nova iniciativa da Anthropic voltada à pesquisa em ciências da vida.

A empresa criou um grupo e um laboratório próprios para usar o Claude na análise de dados biológicos, geração de hipóteses e seleção de candidatos para testes realizados por cientistas humanos.

Os resultados iniciais foram publicados em um pré-print, enquanto os experimentos para compreender o sistema continuam.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais