Claude vira ferramenta para ciberataques e operações de espionagem; entenda alerta

Relatório da Anthropic revela como o Claude foi usado em ataques cibernéticos, espionagem e operações de vigilância

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Crédito: Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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O avanço dos modelos de inteligência artificial também ampliou a capacidade de grupos mal-intencionados automatizarem operações digitais.

Um novo relatório da Anthropic mostra como o Claude foi usado em atividades que vão de ataques cibernéticos a espionagem e vigilância.

Segundo a empresa, a equipe de Inteligência de Ameaças identificou e interrompeu operações maliciosas realizadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. Os casos envolveram criminosos, grupos politicamente motivados e instituições de propagandas estatais.

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CLAUDE AUTOMATIZOU ATAQUES

A Anthropic identificou operações em que o Claude deixou de atuar apenas como assistente e passou a integrar fluxos automatizados de ataque.

Os agentes usaram modelos Haiku, Sonnet e Opus para reconhecimento, desenvolvimento de ferramentas, exploração de vulnerabilidades e exfiltração de dados. A empresa afirmou que os humanos continuaram definindo alvos e revisando resultados em diferentes operações.

Um dos casos, identificado como GTG-20006, envolveu uma operação de espionagem associada pela Anthropic a um ator ligado à Rússia. Mais de 20 organizações foram alvo de planejamento, reconhecimento e ataques, incluindo órgãos governamentais, entidades de defesa, embaixadas e empresas do setor militar.

ESPIONAGEM GANHA ESCALA COM IA

A Anthropic também identificou o uso do Claude em operações de vigilância entre janeiro e julho de 2026. Os casos envolveram atores alinhados a governos, fornecedores de spyware e contratados ligados a operações de inteligência.

Em um dos exemplos, um consultor que trabalhava para autoridades de segurança do Mali utilizou Claude para desenvolver uma plataforma de interceptação de comunicações capaz de monitorar as redes móveis do país e produzir dossiês sobre alvos.

Outro caso envolveu agentes iranianos que usaram Claude para criar uma extensão maliciosa do Firefox destinada a coletar identidades de usuários de redes sociais.

IA REDUZ BARREIRAS PARA ATAQUES

Para a Anthropic, uma das principais mudanças está na redução da diferença entre operações conduzidas por equipes altamente especializadas e aquelas realizadas por grupos menores.

O relatório aponta que tarefas como reconhecimento, exploração, desenvolvimento de ferramentas e processamento de dados podem ser delegadas a sistemas de IA e executadas em paralelo.

A empresa afirma que interrompeu as operações identificadas, baniu as contas envolvidas, reforçou seus mecanismos de segurança e compartilhou informações com autoridades e parceiros do setor.

O relatório também alerta que essa capacidade tende a se disseminar entre diferentes tipos de agentes. Por isso, a Anthropic afirma que o desafio não está apenas no grau de autonomia da IA, mas na combinação entre velocidade, escala e redução dos custos operacionais proporcionadas pela tecnologia.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais