Com IA construir ficou barato, ser escolhido ficou mais caro
O que as palestras do TechCrunch Disrupt 2026 dizem sobre onde investir energia quando desenvolvimento deixou de ser um problema

No TechCrunch Disrupt 2026, o questionamento que rondava as palestras, as conversas informais e até as reuniões com investidores foi: se agora produzir soluções tecnológicas ficou tão barato, onde devo gastar energia para ser capaz de enfrentar um mercado cada vez mais competitivo?
Nunca fui fã de cravar nada em pedra, ainda mais em um mundo extremamente volátil. Mas, no meio de tantos conteúdos, dois pontos se destacaram quando se fala em negócios de sucesso.
Como foi dito várias vezes por lá, diferenciais de marca que se justificam por features, ou que "se apresentam na tela", não duram como diferencial competitivo.
A pesquisadora Rumman Chowdhury trouxe ao palco um artigo que resume bem esse momento: hoje qualquer pessoa coloca uma startup no ar em uma hora e meia, o que não quer dizer que exista ali uma empresa, porque o difícil é fazer alguém usar.
O diferencial tecnológico desceu um andar: saiu das features e foi para os dados.
Dados próprios somados à inteligência artificial têm o potencial de construir soluções realmente independentes e únicas. Afinal, sua base de dados é sua. Alimentar uma IA para fortalecer a entrega de resultado pode ser o caminho para retomar um diferencial “persistente”.
Mas, se entregar um resultado bom com tecnologia ficou acessível para todo mundo, o que decide quem é escolhido deixa de ser – por incrível que pareça – somente o resultado. Quando qualquer um constrói, a disputa passa a ser por confiança. E confiança, hoje, mora em comunidade.
Payal Kadakia, fundadora da plataforma de fitness e bem-estar ClassPass, contou que no começo fazia até cinco aulas por dia para conversar com os donos dos estúdios depois de cada uma. Eles desconfiavam das empresas grandes e só fechavam com alguém em quem pudessem confiar.

Por isso, produzir uma comunidade engajada deixou de ser opcional. Sempre foi um desafio, mas, em tempos de facilitação tecnológica, virou condição.
Um produto bom sem comunidade vai perder para um produto similar com uma comunidade forte. Se todo mundo pode ter uma solução parecida, as comunidades se tornam o que determina o jogo.
No fim, a pergunta do começo ganha uma resposta diferente para cada tamanho de empresa.
Se, por um lado, as grandes marcas levam vantagem em volume, dados e orçamento para transformar tudo isso em inteligência própria, as pequenas levam vantagem justamente no que é mais difícil: comunidade.
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Digo isso com a propriedade de quem passou mais de 10 anos construindo o festival HackTown: comunidade é um dos maiores desafios que existem, porque a conta vai muito além do orçamento.
Dinheiro compra alcance, não confiança. É um ativo difícil até de calcular, e um dos poucos em que ser grande é desvantagem.