Como a IA em tempo real vai transformar a Copa de 2026

A Lenovo está usando a Copa de 2026 e outros torneios globais para provar que o futuro da IA ​​está presente em dispositivos e infraestrutura do mundo real

bola de futebol entrando no gol/ Copa 2026
Créditos: FIFA/ Mykola Lishchyshyn/ Getty Images/ Faded Gallery/ Unsplash

Victor Dey 6 minutos de leitura

Quando a Copa do Mundo da FIFA de 2026 chegar aos Estados Unidos, em junho, ela vai representar mais do que o retorno do futebol ao seu mercado de crescimento mais rápido.

Pela primeira vez, o torneio será disputado em três países – Estados Unidos, México e Canadá –, tornando-se a maior Copa do Mundo já realizada. Essa escala inédita, no entanto, também está forçando um reset tecnológico.

À medida que os grandes eventos esportivos globais crescem, as expectativas evoluem junto. O público quer transmissões mais imersivas e dados em tempo real; as emissoras enfrentam exigências cada vez maiores de confiabilidade; e as entidades reguladoras seguem pressionando por mais transparência e precisão.

Juntas, essas forças começam a expor os limites dos sistemas tradicionais de TI em esportes de elite como o futebol, especialmente no que diz respeito à latência. Com isso, abrem espaço para inteligência em tempo real orientada por IA, incorporada diretamente à competição, às operações e ao engajamento dos fãs.

Como parceira oficial de tecnologia da Copa do Mundo de 2026, a Lenovo está tratando o torneio como uma implantação em nível de sistema, colocando a IA no núcleo operacional do maior torneio esportivo do planeta.

A empresa encara o evento não como uma vitrine, mas como um teste em condições reais para a IA além das arquiteturas centradas exclusivamente na nuvem, onde qualquer falha tem consequências imediatas. A aposta é que a escala global, combinada com execução local em profundidade, ofereça uma vantagem em um ambiente tão complexo.

Trionda, bola oficial da Copa do Mundo de 2026
Trionda, bola oficial da Copa do Mundo de 2026 (Crédito: Adidas)

Para Yuanqing Yang, presidente e CEO da Lenovo, a Copa do Mundo exemplifica como a IA pode operar em ambientes complexos e de grande escala. “São eventos ao vivo, com pressão real e audiências reais”, afirma.

“O valor dessas parcerias vai além da visibilidade de curto prazo. Elas nos ajudam a entender como a IA se comporta sob condições extremas, e esse aprendizado influencia diretamente a forma como projetamos e aprimoramos nossa tecnologia.”

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Yang também observa que, embora a Lenovo use parcerias esportivas globais para destacar sua estratégia mais ampla de IA, a tecnologia da empresa está desempenhando um papel central na melhoria do próprio esporte.

“Este ano, veremos árbitros usando suporte de IA, jogadores se beneficiando de insights gerados por IA e organizadores utilizando IA para otimizar as operações”, afirma. Segundo a empresa, a Copa de 2026 será o “evento esportivo global mais orientado por IA” da história.

MOVIDO POR IA

Na última edição da exposição Consumer Electronics Show (CES 2026), em Las Vegas, a Lenovo deu detalhes de como será a espinha dorsal digital da Copa do Mundo de 2026 – da infraestrutura central até os sistemas avançados de IA que vão moldar todas as 104 partidas do torneio.

A empresa apresentou um amplo conjunto de tecnologias baseadas em IA para o evento, incluindo:

  • Football AI Pro, sistema corporativo de conhecimento baseado em IA;
  • Avatares 3D de jogadores habilitados por IA e integrados à tecnologia de impedimento semiautomatizado;
  • Centro de Comando Inteligente com resumos em tempo real gerados por IA para gerenciar as operações do torneio nos três países;
  • Imagens do Referee View estabilizadas por IA para transmissões;
  • Sistemas inteligentes de orientação em estádios e gêmeos digitais das arenas;
  • Infraestrutura resiliente para suportar o árbitro de vídeo e os sistemas de transmissão.

Segundo Tolga Kurtoglu, CTO da Lenovo, versões iniciais de várias dessas tecnologias já foram implantadas no Mundial de Clubes da FIFA, usado como campo de testes antes da Copa. “Isso nos permitiu aprender, iterar e melhorar antes de escalar para o nível da Copa do Mundo”, afirma.

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O Football AI Pro, desenvolvido em parceria com a FIFA, foi construído com a AI Factory da Lenovo. A plataforma coordena múltiplos agentes de IA para analisar milhões de pontos de dados e mais de duas mil métricas específicas do futebol em tempo real, transformando dados brutos das partidas em inteligência acionável nos momentos de decisão mais críticos.

Analistas conseguem identificar padrões instantaneamente por meio de vídeos sincronizados, camadas de dados e visualizações em 3D. Treinadores podem simular mudanças táticas em tempo real contra adversários específicos e jogadores recebem análises personalizadas de desempenho.

AUXILIAR TÉCNICO-TECNOLÓGICO

Uma das mudanças mais visíveis para os torcedores será o uso de avatares digitais de jogadores habilitados por IA nas transmissões e nas ferramentas de arbitragem. Com o uso de visão computacional e IA generativa, a Lenovo e a FIFA estão criando representações 3D dos atletas, modeladas a partir de suas dimensões físicas reais.

Esses avatares vão aparecer nas revisões de impedimento semiautomatizadas, proporcionando imagens mais claras e contextualizadas para quem está no estádio ou assistindo de casa.

De acordo com Johannes Holzmüller, diretor de inovação da FIFA, o objetivo da parceria não é automatizar a tomada de decisões, mas aprimorá-la. A IA, segundo ele, deve apoiar o julgamento humano, tornando seu raciocínio visível e responsável – especialmente em um esporte onde a confiança é fundamental.

Mascotes da Copa do Mundo de 2026
Mascotes da Copa do Mundo de 2026 (Crédito: FIFA)

“No Mundial de Clubes do ano passado, nos Estados Unidos, testamos um sistema que chamamos de impedimento semiautomatizado avançado. A ideia é que, no momento em que o sistema atinge um alto grau de confiança de que todos os dados estão corretos, essa informação é enviada imediatamente ao árbitro assistente”, explica.

O Referee View também está de volta, aprimorado. Câmeras corporais usadas pelos árbitros, estabilizadas por IA, vão fornecer imagens prontas para transmissão a partir do ponto de vista do juiz. A FIFA espera que o recurso ofereça a bilhões de torcedores perspectivas inéditas dos momentos mais decisivos das partidas.

Criar avatares dos jogadores antes do início do torneio dá ao sistema um contexto adicional, permitindo identificar situações de impedimento com muito mais segurança, explica Holzmüller. Quando esse nível de certeza é alcançado, o sistema pode enviar orientações diretas aos árbitros assistentes, reduzindo a necessidade de atrasos nas decisões.

IA PODE REDEFINIR AS ESTRATÉGIAS NO ESPORTE

Para Kurtoglu, uma integração mais profunda entre IA e dados tem o potencial de transformar a forma como as equipes encaram táticas, tomada de decisão e planejamento de torneios antes da Copa do Mundo.

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“As estratégias podem mudar. Tudo depende de como você transforma dados em insights. Quanto mais dados você tem, mais análises e IA pode aplicar. Isso acaba mudando táticas, análises e até os comentários das partidas”, afirma.

Se a aposta da Lenovo se confirmar, os maiores eventos esportivos do mundo vão elevar o padrão de como a inteligência artificial e a análise de dados operam – muito além dos limites do estádio.


SOBRE O AUTOR

Victor Dey é editor de tecnologia e escreve sobre inteligência artificial, ciência de dados, cibersegurança e metaverso. saiba mais