Como os brasileiros usam o ChatGPT – e o que isso revela sobre o país
Novos dados da OpenAI mostram que, no Brasil, o ChatGPT é usado mais para executar tarefas do que para fazer perguntas

O brasileiro usa menos o ChatGPT para pesquisar e mais para pedir tarefas. Novos dados da OpenAI mostram que, no país, a inteligência artificial é mais utilizada para fazer alguma coisa – como escrever, editar, analisar ou criar.
Em junho, 36,1% das mensagens enviadas por usuários brasileiros foram classificadas como “doing”, categoria usada pela OpenAI para interações em que a pessoa pede à IA que produza ou execute alguma tarefa. Outros 34,6% dos pedidos foram classificados como “asking”, quando o usuário busca informação, orientação ou esclarecimento.
A diferença parece pequena, mas coloca o Brasil em um estágio diferente da média global. No mundo, “asking” ainda representa 41,2% das interações, enquanto “doing” responde por 29,1%.
Os números fazem parte da nova atualização do OpenAI Signals, plataforma de pesquisa econômica da empresa. Divulgado em 6 de agosto, o levantamento traz pela primeira vez um recorte detalhado por país sobre como as pessoas usam o ChatGPT.
A análise considera dados agregados dos planos individuais Free, Go, Plus e Pro e não inclui produtos corporativos e educacionais da empresa.
UM TERÇO DOS PEDIDOS É RELACIONADO A TRABALHO
A diferença fica ainda maior quando se olha apenas para as conversas relacionadas ao trabalho.
No Brasil, 53,3% dessas mensagens são pedidos para que o ChatGPT execute uma tarefa. Globalmente, são 45,4%. Entre os 79 países com dados disponíveis para esse recorte em junho, o Brasil aparece na sétima posição.

As conversas profissionais também ocupam uma parcela maior do uso brasileiro. Cerca de 35,2% das mensagens enviadas no país estão relacionadas ao trabalho, ante 30,4% na média global.
Os dados ajudam a mostrar uma mudança no papel da inteligência artificial generativa. Em vez de funcionar somente como um mecanismo de busca ou um assistente para tirar dúvidas, ela começa a ser incorporada à execução de tarefas.
Essa é também uma das principais tendências destacadas pela OpenAI nos novos dados globais. Segundo a empresa, no ambiente profissional, os usuários recorrem com muito mais frequência ao ChatGPT para completar tarefas ou criar algo do que o fazem fora do ambiente profissional.
BRASIL: FIGURINHAS NÃO SÓ NO WHATSAPP
O brasileiro tem outro uso peculiar do ChatGPT: os recursos multimídia. Em junho, 11,9% das mensagens enviadas daqui estavam relacionadas à criação ou análise de imagens e outros conteúdos multimídia.
Mais de uma em cada 10 mensagens trocadas na ferramenta da OpenAI gera, recupera e analisa mídias que não o texto. A média mundial era de 7,8%.
O avanço tem sido rápido. Em janeiro, essa categoria representava 8,2% das mensagens brasileiras. Em abril, chegou a 10,3%; em maio, a 11,3%; e alcançou 11,9% em junho.
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A OpenAI aponta essa como a categoria de uso que cresce mais rapidamente dentro do ChatGPT e destaca a América Latina entre as regiões em que esse tipo de interação ganhou mais espaço.
Brasil e Colômbia aparecem nominalmente entre os países nos quais mais de uma em cada 10 mensagens envolve multimídia.
MULHERES REPRESENTAM A MAIOR PARTE DO USO
Os dados também mostram uma mudança importante no perfil de quem utiliza a ferramenta. Em junho, 60,9% das mensagens brasileiras entre usuários cujo gênero pôde ser estimado vieram de pessoas com nomes tipicamente femininos. A média global é de 53,3%.
Essa proporção vem crescendo. Em julho de 2024, nomes tipicamente femininos respondiam por 43,4% das mensagens no Brasil. Em junho de 2025, já eram 56,4%.
Cerca de 35,2% das mensagens enviadas do Brasil estão relacionadas a trabalho.
A OpenAI não coleta diretamente o gênero dos usuários. O indicador é estimado a partir do primeiro nome cadastrado e, por isso, deve ser lido como uma aproximação.
A empresa já vinha apontando que a diferença entre homens e mulheres entre usuários do ChatGPT estava diminuindo à medida que a tecnologia deixava de ficar concentrada entre os primeiros adotantes.
No Brasil, porém, a diferença muda dependendo da finalidade. Pessoas com nomes tipicamente femininos representam 69,4% das mensagens relacionadas à autoexpressão e 65,6% das conversas sobre escrita. Em ajuda técnica, ocorre o contrário: 57,5% das mensagens partem de pessoas com nomes tipicamente masculinos.
USUÁRIO DO CHATGPT ESTÁ FICANDO MAIS VELHO
Outra transformação aparece na idade. Há um ano, pessoas com 35 anos ou mais respondiam por 31,6% das mensagens brasileiras com idade identificada. Em junho, essa fatia chegou a 37%.
Usuários entre 25 e 34 anos ainda formam o maior grupo, com 37,7% das mensagens. Pessoas entre 18 e 24 anos respondem por 25,3%, enquanto a faixa de 35 a 44 anos já representa 21,2%.
O movimento acompanha uma tendência observada em outros mercados: à medida que ferramentas de IA generativa entram na rotina, seu público deixa de ficar tão concentrado entre os usuários mais jovens e os primeiros interessados em tecnologia.
A OpenAI identificou justamente os maiores de 35 anos como um dos grupos que vêm ganhando participação no uso do ChatGPT.