Como criar um escudo contra golpes e outras ameaças da IA

Quatro medidas ajudam a reduzir a exposição de dados, reconhecer deepfakes e proteger suas contas contra invasões.

Silhueta de uma pessoa com uma pasta dentro de uma esfera azul, cercada por códigos e faixas amarelas e pretas de alerta.
Créditos: imaginima, Jason Reed via Getty Images

Kevin Lewis 5 minutos de leitura
Favoritar no Google

Há mais de 25 anos, sou o “cara da informática” a quem amigos, familiares e colegas recorrem quando alguma coisa dá errado no mundo digital. Ultimamente, essas ligações mudaram. Antes, as dúvidas eram sobre computadores lentos e senhas esquecidas. Agora, quase todas as conversas acabam nas mesmas duas palavras: inteligência artificial.

A preocupação é compreensível — e ganhou força com os alertas recentes de pesquisadores de destaque sobre os riscos de uma superinteligência. A IA está nos eletrodomésticos, nas ferramentas de trabalho e até participa de nossas reuniões. Ela influencia os aplicativos que usamos, o conteúdo que vemos e as mensagens que recebemos.

Assistentes de voz escutam nossos comandos, lojas virtuais tentam prever o que compraremos e ferramentas de IA aprendem silenciosamente com os dados que produzimos. Enquanto isso, riscos tradicionais de cibersegurança, como roubo de senhas, invasão de contas e e-mails de phishing, continuam existindo. Eles apenas ficaram mais sofisticados e difíceis de identificar.

O que me incomoda é que muitos dos conselhos de proteção disponíveis lembram aquelas orientações da Guerra Fria que mandavam crianças se esconder debaixo das carteiras durante um ataque nuclear: são bem-intencionados, mas pouco práticos.

A boa notícia é que você não precisa ter formação em ciência da computação para reduzir seus riscos. Quatro hábitos simples ajudam a proteger a privacidade, identificar fraudes digitais e manter as contas mais seguras em um mundo movido por IA.

1. REDUZA SUA PEGADA DIGITAL

Comece limitando a quantidade de dados que deixa pelo caminho. Cada permissão concedida a um aplicativo, teste respondido na internet, comando de voz e prompt enviado pode ampliar o perfil que as empresas constroem sobre você.

Leia também: Essa camiseta é uma capa de invisibilidade contra a IA

Apague do celular os aplicativos que não utiliza. Depois, revise as permissões daqueles que permanecerem instalados e desative coletas de dados desnecessárias sempre que possível.

Evite compartilhar informações pessoais com chatbots. Tenha cuidado especial com ferramentas gratuitas que podem usar prompts, conversas ou arquivos enviados para treinar seus sistemas. Tudo o que você compartilha pode ser armazenado, analisado ou reutilizado de maneiras que não estavam nos seus planos.

Serviços voltados à privacidade, como Proton e Duck.ai, podem reduzir parte dessa coleta. Ainda assim, vale consultar a política de privacidade antes de enviar qualquer informação sensível.

Leia também: Como evitar que seus dados pessoais sejam usados para treinar IAs

2. APRENDA A RECONHECER CONTEÚDO GERADO POR IA

A inteligência artificial já consegue criar imagens, vídeos, áudios e mensagens de phishing realistas, que parecem ter sido produzidos por pessoas ou organizações conhecidas.

Confirme por outro canal qualquer mensagem inesperada, faça uma busca reversa de imagens que pareçam artificiais ou excessivamente polidas e pare antes de reagir a conteúdos desenhados para provocar raiva, medo ou euforia.

Essa pausa é importante porque golpistas usam urgência e emoção para impedir que a vítima verifique a informação. Se uma mensagem pedir dinheiro, senha, código de acesso ou uma decisão imediata, procure a pessoa ou a instituição por um canal oficial.

Leia também: 8 passos para não virar alvo de golpes com inteligência artificial

3. USE SENHAS FORTES E DIFERENTES

Mesmo na era da IA, duas medidas básicas continuam essenciais para a segurança digital. A primeira é usar uma senha forte e exclusiva para cada conta, armazenada em um gerenciador de senhas.

Repetir a mesma senha em diferentes serviços significa que um único vazamento pode expor, ao mesmo tempo, seu e-mail, banco, redes sociais e contas em lojas virtuais.

Um gerenciador cria combinações longas e aleatórias para cada serviço e as guarda para você. Assim, é necessário memorizar apenas uma senha mestra realmente forte.

4. ATIVE A AUTENTICAÇÃO MULTIFATOR

A segunda proteção básica é habilitar a autenticação multifator, ou MFA, em todas as contas que oferecem o recurso. Ela exige uma segunda prova de identidade, como um código gerado por um aplicativo autenticador ou o toque em uma chave física de segurança.

Mesmo que alguém roube sua senha, a autenticação adicional dificulta o acesso à conta.

Senhas fortes e MFA ajudam a reduzir o impacto de pelo menos dois tipos de ataque que se tornaram mais convincentes com a IA:

Engenharia social com deepfakes: clones de voz e vídeos falsos podem imitar pessoas conhecidas, como um executivo ligando para a equipe de tecnologia ou um familiar pedindo ajuda. Mesmo que o criminoso convença alguém a entregar uma senha, a autenticação multifator impede que essa credencial seja suficiente para acessar a conta.

Pulverização de senhas otimizada por IA: sistemas podem analisar informações públicas de redes sociais e vazamentos anteriores para montar listas de senhas prováveis. Em seguida, testam as combinações em várias contas, evitando os limites que provocariam um bloqueio. Senhas longas e exclusivas dificilmente aparecerão nessas listas, enquanto a MFA cria uma barreira adicional caso uma combinação seja descoberta.

QUATRO PASSOS PARA COMEÇAR AGORA

Reduzir a pegada digital, reconhecer fraudes produzidas com IA, usar um gerenciador de senhas e ativar a autenticação multifator formam uma primeira linha de defesa prática.

Cibersegurança não é uma tarefa que você conclui uma vez e esquece. As ameaças evoluem, e seus hábitos precisam acompanhar essa mudança.

Comece com uma medida hoje: revise as permissões dos aplicativos, configure um gerenciador de senhas ou ative a MFA em sua conta mais importante. Alguns minutos agora podem evitar problemas muito maiores no futuro.

  • Reduza sua pegada digital: revise permissões de aplicativos e desative coletas desnecessárias.
  • Aprenda a reconhecer fraudes com IA: confirme mensagens inesperadas e desconfie de pedidos urgentes.
  • Use um gerenciador de senhas: crie uma combinação forte e exclusiva para cada conta.
  • Ative a autenticação multifator: priorize um aplicativo autenticador ou uma chave física de segurança.

SOBRE O AUTOR

Kevin Lewis é diretor administrativo sênior e diretor de segurança da informação na E78 Partners, empresa de serviços profissionais e ... saiba mais