Com novos players, a corrida da IA não é mais um passeio para as big techs
Por muito tempo, os modelos da OpenAI desfrutaram de uma vantagem confortável em desempenho em relação à concorrência. Mas isso mudou

Lembra quando Sam Altman disse que os concorrentes da OpenAI não deveriam se preocupar em tentar alcançá-la?
Quanta diferença um ano faz.
Por muito tempo, os modelos da OpenAI desfrutaram de uma vantagem confortável em desempenho em relação à concorrência, mas isso mudou.
O Google, que vinha avançando lentamente no desenvolvimento de modelos generativos que possam um dia superar a inteligência humana, acaba de lançar um novo modelo de raciocínio chamado Gemini 2.5 Pro Experimental, que supera os melhores modelos da OpenAI em vários testes de benchmark bem conhecidos.
O Gemini 2.5 Pro Experimental agora lidera os benchmarks de matemática e ciências, incluindo o Graduate-Level Google-Proof Q&A (GPQA, ou Nível de Pós-Graduação à Prova do Google) e o American Invitational Mathematics Examination (AIME, ou Exame Americano de Matemática por Convite) de 2025.
Também alcança uma pontuação recorde de 18,8% no Humanity’s Last Exam (Último Exame de Humanidade), um conjunto de testes reconhecidamente difícil, projetado para avaliar os limites do conhecimento e do raciocínio humano.
Demis Hassabis, líder do Google DeepMind, afirmou no X/ Twitter que o Gemini 2.5 raciocina sobre seus pensamentos antes de responder, imitando de forma eficaz a maneira como os humanos processam ideias. "Ele aborda um problema gradualmente, refina as soluções possíveis e escolhe a melhor", diz Hassabis.
O grande valor agora está em conquistar o maior número possível de usuários em planos de assinatura.
Os principais diferenciais do modelo incluem multimodalidade nativa – ele processa imagens, vídeos, áudio e código como tokens – e a capacidade de armazenar grandes quantidades de informação (até um milhão de tokens) na memória enquanto analisa problemas e seleciona a melhor resposta.
A disputa entre os concorrentes da OpenAI está esquentando. O laboratório chinês DeepSeek acaba de lançar um novo modelo de código aberto chamado DeepSeek-V3-0324, que supera a versão anterior (V3) em raciocínio, matemática, ciências e programação.
Qualquer pessoa pode baixar o modelo do Hugging Face e começar a desenvolver seus próprios modelos e aplicativos com ele. Isso não é possível com os modelos mais avançados da OpenAI e do Google, que não divulgam seu código, dados de treinamento ou pesos dos modelos.

Um ano atrás, a maioria dos especialistas acreditava que a China estava anos atrás das empresas de IA dos EUA em desempenho de modelos; agora, estima-se que a diferença seja de apenas alguns meses.
A lição disso tudo é que os modelos de ponta já não são tão preciosos ou inalcançáveis como antes. É por isso que OpenAI, Google e outras empresas estão correndo para atrair usuários para seus chatbots, agentes e outros aplicativos o mais rápido possível.
O grande valor agora não está mais em oferecer sistemas empresariais a preços premium via APIs, mas sim em conquistar o maior número possível de usuários em planos de assinatura, à medida que a IA se torna parte essencial do trabalho e da vida diária.