Convocação: IA já convoca times de futebol
A ferramenta de inteligência artificial ganhou espaço no futebol profissional

A inteligência artificial (IA) começou analisando estatísticas no esporte. Depois passou a prever lesões, sugerir treinos personalizados e estudar adversários.
Agora, ela também começa a tomar decisões dentro do futebol, incluindo escalações e táticas de jogo. Segundo o portal SoccerBible, o clube norueguês HamKam se tornou um dos primeiros times do mundo a testar um “técnico de IA” em uma partida oficial de sua equipe secundária.
O sistema assumiu decisões sobre formação, substituições e posicionamento dos jogadores em tempo real. O experimento foi desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia Eidsiva e chamou atenção não apenas pela inovação, mas também pelos resultados curiosos.
Durante a partida, a IA chegou a usar formações consideradas caóticas, como um esquema “1-0-9”, além de instruções pouco convencionais para os jogadores. O time perdeu por 6 a 1.
Mesmo assim, o teste reforça uma tendência crescente no esporte de elite: o uso de IA para influenciar as decisões que antes dependiam exclusivamente de treinadores humanos.
A NOVA OBSESSÃO DOS CLUBES
O uso de IA no esporte virou uma indústria bilionária. Em relatório publicado pela WSC Sports, os clubes de elite já utilizam sistemas capazes de prever desgaste físico, identificar padrões táticos invisíveis ao olho humano e criar estratégias personalizadas para cada atleta.
Ferramentas como Zone7, Kitman Labs, WHOOP e Second Spectrum passaram a integrar o cotidiano de equipes profissionais ao redor do mundo.
Os sistemas cruzam dados de GPS, biometria, movimentação em campo e histórico médico para sugerir cargas de treino e até antecipar os riscos de lesão.
De acordo com a WSC Sports, o mercado global de IA aplicada ao esporte pode chegar a US$ 29,7 bilhões até 2032 — cerca de R$ 145 bilhões na cotação de R$ 5,03 registrada em 18 de maio de 2026, às 11h.
A lógica é simples: pequenas vantagens competitivas podem decidir campeonatos milionários.
TÉCNICO HUMANO NÃO SAIU DO JOGO
Apesar do avanço acelerado da tecnologia, a IA deve funcionar mais como uma assistente do que como uma substituta de treinadores. A própria experiência do HamKam reforçou esse limite.
Após a derrota, os representantes do clube disseram que o experimento mostrou como o futebol continua sendo uma atividade profundamente humana, dependente de liderança, leitura emocional e adaptação em campo.
Embora os algoritmos consigam analisar milhares de dados em segundos, as decisões dentro do futebol ainda dependem de fatores difíceis de calcular, como liderança, pressão psicológica, leitura emocional do elenco e improviso em campo.
O próprio teste do HamKam virou exemplo disso. A IA criou formações consideradas pouco convencionais e fez escolhas que confundiram até os jogadores durante a partida.
Isso reforçou a percepção de que estatística e estratégia nem sempre conseguem reproduzir a imprevisibilidade do futebol.