Design por voz e texto: Google aposta em nova era com IA

O Google acaba de anunciar novos recursos para sua ferramenta de interface com IA, o Stitch. No processo, a empresa deixou claro que está apostando tudo no chamado “vibe design”.
“Estamos evoluindo o Stitch para um canvas de design de software nativo em IA”, escreveu Rustin Banks, gerente de produto do Google Labs, no blog da empresa, The Keyword. “Com ele, qualquer pessoa pode criar, iterar e colaborar para transformar linguagem natural em interfaces de alta fidelidade.”
Lançado em março do ano passado durante a conferência anual Google I/O, o Stitch nasceu com a proposta de oferecer uma ferramenta acessível para criar interfaces front-end para projetos como sites e aplicativos móveis.
Embora tenha chegado depois de concorrentes como Figma e Cursor, os novos recursos do Stitch estão chamando a atenção da indústria e pressionando plataformas estabelecidas que tentam acompanhar o ritmo acelerado das atualizações em design com IA.
QUE HÁ DE NOVO NO STITCH
O anúncio detalha cinco grandes atualizações impulsionadas por IA, incluindo integrações com outras plataformas, recursos de voz e agentes de design.
Entre as principais novidades está uma reformulação completa da interface do Stitch: agora, a ferramenta conta com um canvas infinito (semelhante ao do Figma) que permite reunir todas as iterações de um projeto em um único espaço. Esse canvas também aceita texto, imagens ou código como contexto para o design.

O Google também introduziu agentes de IA, incluindo um agente focado em raciocínio de design e um gerenciador de agentes para organizar tarefas e fluxos de trabalho quando múltiplas ideias estão sendo exploradas ao mesmo tempo.
O Stitch ampliou ainda seu conjunto de ferramentas de design system, permitindo importar e exportar regras de design – agora compatíveis com o arquivo DESIGN.md, um formato markdown amigável para agentes. “Isso permite, por exemplo, aplicar seus designs em outro projeto no Stitch, sem precisar reinventar a roda a cada novo início”, explica Banks.
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A plataforma também passa a oferecer um recurso de prototipagem instantânea, que transforma projetos existentes em prévias interativas de aplicativos. Com as novas capacidades de voz, usuários podem simplesmente falar suas ideias para transformá-las em protótipos ou usar a ferramenta como um interlocutor crítico.
“O agente pode oferecer críticas de design em tempo real, criar uma nova landing page a partir de uma conversa com você e fazer ajustes instantâneos – como ‘me dê três opções de menu’ ou ‘mostre essa tela em diferentes paletas de cores’ – enquanto você fala”, explica Banks.
STITCH É O NOVO "EXTERMINADOR DO FIGMA"?
Após o anúncio do Google em 18 de março, as ações da Figma caíram e acumulavam baixa de 4% no momento da publicação. Para alguns, o Stitch representa uma ameaça existencial à plataforma, especialmente porque o Figma Make compete diretamente com o Stitch, que é gratuito. A Figma não comentou o assunto.

Vale lembrar, porém, que ações de empresas de software como serviço (SaaS) costumam reagir de forma volátil. No último trimestre, por exemplo, os papéis da IBM despencaram 20% em três meses, movimento atribuído por analistas ao anúncio da Anthropic de que sua ferramenta Claude Code poderia modernizar sistemas em Cobol.
Por isso, e por outros fatores, chamar o Stitch de “exterminador do Figma" pode ser precipitado. O Figma ainda domina o fluxo de trabalho profissional em design. E, na prática, designers (iniciantes ou experientes) tendem a usar essas ferramentas em diferentes etapas do processo.
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Ferramentas como o Stitch ajudam a transformar ideias em protótipos rapidamente. Mas isso é apenas o começo da jornada de desenvolvimento de um produto.