Duolingo recua e para de medir funcionários pelo uso de IA

O CEO Luis von Ahn disse que a empresa voltou atrás em relação às avaliações sobre o uso da tecnologia pelos funcionários

Duolingo reduz uso de inteligência artificial
Crédito: CSA-Printstock/ Getty Images

Ella Chakarian 2 minutos de leitura

Depois de anunciar uma nova estratégia de avaliações de desempenho que incluía medir o quão bem os funcionários utilizam IA, o fundador e CEO do Duolingo, Luis von Ahn, viu a equipe reagir. Diante da pressão interna, a empresa voltou atrás na decisão de adotar o grau de uso de inteligência artificial como métrica de performance.

Funcionários passaram a questionar se estavam usando IA apenas por usar. “No fim, recuamos e dissemos: ‘olha, o mais importante na sua performance é você executar o seu trabalho da melhor forma possível’”, afirmou von Ahn em um episódio recente do podcast Silicon Valley Girl.

“Muitas vezes a IA pode ajudar, mas, se não ajudar, não vou obrigar ninguém a usar”, acrescentou. “Parecia que, em vez de dar crédito à pessoa pelo resultado real, estávamos tentando empurrar algo que, em alguns casos, simplesmente não fazia sentido.”

Não é a primeira vez que a empresa ajusta sua estratégia em relação à IA. Em abril do ano passado, von Ahn anunciou que o Duolingo se tornaria uma empresa “AI-first”, chegando a recomendar que equipes evitassem novas contratações a menos que não fosse possível automatizar o trabalho.

Com o uso de ferramentas de inteligência artificial, o Duolingo conseguiu lançar 148 novos cursos de idiomas. Mas, uma semana depois – e após forte repercussão negativa nas redes sociais – o CEO recuou. Em um post no LinkedIn, afirmou que não vê a IA como substituta dos funcionários.

corujinha verde mascote do Duolingo com olhos em formato de X

No episódio mais recente do podcast, von Ahn reforçou essa visão. “Apesar do que a internet possa pensar, nunca fizemos demissões aqui”, disse. “Do meu ponto de vista, um único funcionário hoje é muito mais produtivo do que antes.”

Embora von Ahn reconheça que os funcionários estão mais preparados para aproveitar a IA, ele admite que há situações em que a tecnologia tem o efeito contrário. Ferramentas de IA, por exemplo, ainda têm dificuldade para gerar grandes volumes de narrativas coerentes e, frequentemente, produzem conteúdos sem sentido.

Além disso, “ainda não é o caso” de a IA programar melhor do que humanos. Em muitos cenários, a tecnologia falha no desenvolvimento de código. Além disso, quando surgem erros, identificá-los e corrigi-los pode levar mais tempo.

“O caminho ideal é muito rápido”, disse von Ahn. “Mas, quando algo dá errado, demora tanto que você acaba gastando mais esforço do que economizou antes.”

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O Duolingo não respondeu ao pedido de comentário da Fast Company.

As ações da empresa atingiram um pico em 2025, mas caíram no início deste ano. Embora tenha ultrapassado US$ 1 bilhão em receita anual, o Duolingo projeta crescimento de 25% no primeiro trimestre, chegando a US$ 288,5 milhões. A empresa informou que vai divulgar os resultados do primeiro trimestre em 4 de maio.


SOBRE A AUTORA

Ella Chakarian é jornalista e cobre os temas de tecnologia e cultura. Seus trabalhos foram publicados em veículos como Rolling Stone, ... saiba mais