Ela usa IA para debater ideias com Jeff Bezos e Mickey Mouse

Uma das vozes mais influentes do setor, ela mantém várias instâncias da IA rodando ao mesmo tempo para executar tarefas de forma autônoma em seu nome

uso de assistente de IA no dia a dia
Créditos: Mininyx Doodle/ Getty Images/ Kaleb Tapp/ Steve A Johnson/ Unsplash/ Secretaria de Defesa dos EUA/ Flickr

Ben Sherry 3 minutos de leitura

Allie K. Miller, uma das vozes mais seguidas da indústria de IA, costuma dizer que “quando você acorda, sua IA já deveria estar trabalhando para você há horas”.

Ex-chefe global de machine learning para startups e capital de risco na Amazon Web Services, Miller está entre os consultores e influenciadores mais requisitados do setor, com mais de 1,6 milhão de seguidores apenas no LinkedIn.

À frente da Open Machine, ela aconselha empresas e executivos – incluindo equipes da OpenAI, Google, Anthropic e Warner Bros. Discovery – sobre como adotar inteligência artificial. Em 2025, foi listada pela revista "Time" como uma das 100 pessoas mais influentes em IA.

Em entrevista à Inc., Miller afirma que hoje trabalha principalmente dentro do Claude Code, sistema de programação agêntico desenvolvido pela Anthropic. Ela mantém várias instâncias da IA rodando ao mesmo tempo, em terminais separados. Como essas instâncias têm acesso ao seu sistema de arquivos, conseguem executar tarefas de forma autônoma em seu nome.

Miller ensina o Claude Code a executar fluxos de trabalho por meio dos chamados Skills, recurso que permite realizar e repetir processos com múltiplas etapas.

Segundo ela, já criou automações que geram um relatório com o resumo de todos os e-mails urgentes recebidos durante a madrugada, além de um briefing matinal que percorre sua agenda inteira e sugere pausas para recarregar as energias.

Allie K. Miller, consultora de IA

“Ele me diz: ‘você tem quatro entrevistas ou seis reuniões com clientes’, e já bloqueia 30 minutos no dia seguinte para trabalho focado”, explica.

Outro exemplo: sempre que edita um vídeo seu no CapCut (aplicativo de edição ligado ao TikTok), Miller exporta o arquivo para uma pasta específica. Assim que um novo vídeo aparece ali, uma automação é acionada e cria automaticamente a transcrição, um post para redes sociais e até uma imagem para a thumbnail.

De forma geral, diz Miller, a melhor maneira de encontrar soluções de IA para o seu caso é simples: peça para o próprio modelo entrevistá-lo. Oriente-o a fazer perguntas sobre o seu trabalho, identificando pontos que poderiam ser mais eficientes ou fluidos.

Depois, ela sugere, use um novo prompt: “torne essas ideias mais proativas, mais autonomamente responsáveis e mais orientadas à ação”. Só isso já é suficiente para começar a desenvolver suas próprias soluções.

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Mas não são apenas fluxos de trabalho que ela automatiza. Ao criar um novo post para sua newsletter, Miller submete os rascunhos a oito “personas sintéticas” que desenvolveu, representando diferentes perfis de audiência.

“Não estou tentando agradar todas as oito e escrever uma versão leve e genérica da newsletter”, afirma. “Mas quero garantir que não deixei passar nada importante, que um pai ou mãe lendo o texto não vá interpretar completamente errado o meu ponto.”

Miller está entre os influenciadores mais requisitados do setor, com mais de 1,6 milhão de seguidores apenas no LinkedIn.

Ela adota estratégia semelhante ao tomar grandes decisões de carreira. Miller criou o que chama de “sala de conselho de IA”, com seis personas sintéticas que opinam sobre temas relevantes. Dependendo da situação, ela altera quem ocupa essas cadeiras.

“Se for uma questão de mídia, posso rodar isso com Shonda Rhimes; se for sobre negócios, talvez eu consulte Jeff Bezos.”

As personas apresentam suas opiniões iniciais e depois passam a debater entre si em um chat em grupo. “Já tive o Mickey Mouse discutindo com Jensen Huang”, diz.

A ideia, segundo Miller, é extrair o máximo da inteligência bruta oferecida pelos modelos atuais de IA.

“Você não gostaria de entrar em uma sala com 10 gênios debatendo um problema que você está tentando resolver, todos empenhados em te ajudar a chegar ao melhor resultado possível?”, questiona.

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“Para quem tem mentalidade de crescimento e prospera em ambientes dinâmicos, mutáveis e adaptáveis, o mundo multiagente que estamos começando a viver em 2026 tem potencial para mudar tudo.”

Este artigo foi publicado originalmente na Inc., publicação parceira da Fast Company. Leia o artigo original


SOBRE O AUTOR

Ben Sherry é repórter da Inc. saiba mais