Enciclopédia Britannica processa OpenAI por uso no ChatGPT
O grupo alega que a OpenAI fez uso indevido dos materiais de referência da Britannica para treinar modelos de IA

A Enciclopédia Britannica está processando a OpenAI por supostamente usar de forma indevida seus materiais de referência para treinar modelos de inteligência artificial.
Com sede em Chicago, o grupo Britannica opera os sites Britannica.com e Merriam-Webster.com (a versão online do tradicional dicionário Merriam-Webster).
Criadora da enciclopédia com mais de 250 anos de história, a empresa encerrou sua edição impressa em 2012, sobreviveu à ascensão da Wikipedia e, desde então, tem apostado em software educacional e expansão digital, incluindo a venda de agentes de inteligência artificial, segundo o jornal "The New York Times".
Ainda em 2000, a Britannica adquiriu a Melingo AI, que oferece “soluções baseadas em IA e processamento de linguagem natural” em vários idiomas, combinando inteligência artificial e linguística computacional, de acordo com o site da empresa.
Segundo a ação judicial, a OpenAI – que conta com investimento da Microsoft – teria utilizado informações da enciclopédia e do dicionário para treinar o chatbot ChatGPT.

O problema, argumenta a Britannica, é que a OpenAI agora gera automaticamente resumos desse conteúdo em sua própria plataforma, o que estaria derrubando o tráfego dos sites da Enciclopédia Britannica e do Merriam-Webster.
“Nossos modelos impulsionam a inovação e são treinados com base em dados disponíveis publicamente, respeitando o princípio de uso justo”, afirmou um porta-voz da OpenAI em comunicado enviado à Fast Company.
“O ChatGPT ajuda a ampliar a criatividade humana, acelerar descobertas científicas e pesquisas médicas, além de permitir que centenas de milhões de pessoas melhorem seu dia a dia”, diz o comunicado. A Fast Company também procurou o grupo Britannica para comentar o caso.
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Desde 2013, o grupo – também conhecido como Encyclopaedia Britannica Inc. – não apenas sobreviveu, como prosperou. Em 2024, deu os primeiros passos rumo à abertura de capital, ao registrar de forma confidencial um pedido de IPO, com avaliação em torno de US$ 1 bilhão, segundo reportagens do "The New York Times" e do Yahoo Finance.