Enquanto todos falam de IA, CEO da Nvidia recomenda virar encanador
O motivo é a expansão acelerada da infraestrutura necessária para sustentar sistemas de IA

Enquanto a Inteligência Artificial (IA) domina debates sobre o futuro do trabalho, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, apresentou uma visão diferente durante o Fórum Econômico Mundial. Segundo ele, profissões técnicas como encanadores, eletricistas e trabalhadores da construção civil podem alcançar salários de seis dígitos nos próximos anos.
O motivo é a expansão acelerada da infraestrutura necessária para sustentar sistemas de IA.
De acordo com Huang, o avanço da IA exige uma enorme estrutura física, sendo assim, data centers capazes de treinar e operar modelos avançados precisam ser construídos em grande escala, isso envolve:
- Redes elétricas complexas;
- Sistemas de refrigeração; e
- Instalações industriais robustas.
Por causa dessa demanda, profissionais especializados em serviços técnicos estão se tornando cada vez mais necessários. Ele afirmou que os salários dessas áreas já apresentam forte crescimento e, em alguns casos, quase dobraram, de acordo com o The Straits Times.
Segundo o executivo, essa tendência mostra que uma carreira bem remunerada não depende necessariamente de formação avançada em tecnologia. Na visão dele, trabalhadores com formação profissional podem encontrar oportunidades sólidas nesse novo cenário econômico.
IA E DATA CENTERS DEVE MOVIMENTAR TRILHÕES
O crescimento da IA está ligado diretamente à construção de novas instalações de computação, Huang destacou que o mundo passa por uma das maiores expansões de infraestrutura tecnológica da história.
Empresas globais de tecnologia planejam investir bilhões na criação e no aluguel de centros de dados, entre as companhias que impulsionam essa demanda estão Microsoft, Meta Platforms, Amazon e Alphabet.
Nesse cenário, a própria Nvidia se tornou uma das principais beneficiadas, a empresa fabrica chips usados para treinar e operar modelos de IA, tecnologia essencial para o funcionamento desses centros de dados.
Analistas do mercado estimam que a companhia pode gerar quase US$ 200 bilhões em vendas de chips voltados para data centers até 2025.
EXECUTIVOS TAMBÉM DESTACAM TRABALHOS MANUAIS
A avaliação de Huang não foi isolada no encontro de Davos, o CEO da Palantir Technologies, Alex Karp, também destacou o papel crescente de profissionais com formação técnica.
Para ele, o avanço da Inteligência Artificial tende a gerar mais empregos locais ligados à infraestrutura física, o que inclui obras, manutenção e instalação de sistemas.
O CEO da CoreWeave, Michael Intrator, fez uma avaliação semelhante. Segundo ele, o crescimento da computação em nuvem e da IA exige um grande número de profissionais como eletricistas, carpinteiros e encanadores.

IA TAMBÉM PODE ELIMINAR EMPREGOS
Apesar do otimismo sobre novas oportunidades, a transformação do mercado de trabalho também pode trazer impactos negativos. CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que a Inteligência Artificial pode eliminar até 50% dos empregos administrativos de nível inicial.
Segundo ele, sistemas de IA já conseguem executar tarefas de programação e atividades técnicas que antes eram realizadas por profissionais iniciantes. Isso pode reduzir a necessidade de trabalhadores em algumas áreas.
Ainda assim, Amodei acredita que os benefícios da tecnologia podem superar os riscos, desde que governos e empresas criem estratégias para lidar com possíveis ondas de desemprego.
DISPUTA TECNOLÓGICA ENVOLVE CHIPS E GEOPOLÍTICA
Outro tema relevante discutido em Davos foi a disputa tecnológica entre os Estados Unidos e a China. As exportações de chips avançados da Nvidia para o mercado chinês continuam cercadas de restrições.
Mesmo assim, há expectativa de que a empresa consiga vender ao país versões anteriores de seus chips de IA, como o modelo H200. Grandes companhias chinesas, incluindo Alibaba Group e ByteDance, demonstraram interesse em adquirir centenas de milhares dessas unidades.