Espanha x Argentina: IA aponta quem tem mais chance de vencer a final da Copa do Mundo

Antes mesmo de a Copa do Mundo de 2026 começar, pesquisadores usaram inteligência artificial para simular o torneio 100 mil vezes. Agora, o modelo também indica quem chega como favorito à decisão entre Espanha e Argentina.

Ilustração com jogadores de futebol sobrepostos em cores vibrantes representa o uso de inteligência artificial para prever a final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina.
Pesquisadores usaram inteligência artificial para simular a Copa do Mundo de 2026 em 100 mil cenários. O modelo aponta a Espanha como favorita contra a Argentina na final.

Camila de Lira 6 minutos de leitura

Espanha e Argentina entram em campo neste domingo (19) para decidir a Copa do Mundo de 2026. Mas, antes mesmo de a bola rolar no torneio, um grupo internacional de pesquisadores já havia usado inteligência artificial para tentar responder quem levantaria a taça.

Pesquisadores da Universidade de Innsbruck (Áustria), da Universidade Técnica de Dortmund e da Universidade Técnica de Munique (Alemanha), além da Molde University College (Noruega) combinaram modelos estatísticos, aprendizado de máquina e grandes bases de dados para simular a competição 100 mil vezes.

O estudo colocou a Espanha como principal favorita ao título antes do início da Copa. Agora, com a final definida, o modelo também permite estimar as probabilidades do confronto direto entre espanhóis e argentinos.

Segundo a simulação, a Espanha tem 59,9% de chance de vencer a Argentina, enquanto os argentinos aparecem com 40,1% de probabilidade de conquistar o bicampeonato consecutivo.

Nos 90 minutos, a vantagem espanhola permanece.

  • Espanha vence: 45,7%
  • Empate: 26%
  • Argentina vence: 28,3%

Ou seja, mesmo considerando prorrogação e pênaltis, o modelo continua apontando a Espanha como favorita para levantar a taça.

A IA JÁ APONTAVA A ESPANHA COMO FAVORITA

Jogadores da Espanha comemoram a classificação para a final após vencerem a França.
A Espanha confirmou o favoritismo do modelo ao eliminar a França e garantir vaga na final.

O favoritismo espanhol não surgiu apenas na final. Antes do início da competição, os pesquisadores calcularam as probabilidades de título para todas as 48 seleções participantes. A Espanha liderava a lista com 14,5% de chance de conquistar a Copa.

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Na sequência apareciam Inglaterra e França, ambas com 12,4%, seguidas pela Alemanha (11,2%), Portugal (8,9%) e Argentina (8,2%). A campanha da seleção espanhola acabou acompanhando essa expectativa. A equipe eliminou Portugal nas oitavas de final, Bélgica nas quartas e França na semifinal para chegar à decisão. Embora, para quem, de fato viu os jogos, a vitória da Espanha sobre a seleção de Mbape tenha parecido uma surpesa.

Lionel Messi comemora gol pela Argentina durante a Copa do Mundo de 2026.
A Argentina tenta conquistar o tetracampeonato mundial, mas o modelo de inteligência artificial aponta a Espanha como favorita na decisão. Foto: FIFA

Já a Argentina não começou a competição como clara favorita, pelo menos não do modelo de IA, mas conseguiu superar as projeções iniciais ao eliminar Inglaterra e garantir vaga na final. O modelo colocava a seleção de Jude Bellingham com 58,2% de chance de vencer a equipe de Lionel Messi. Dois gols no final do segundo tempo são imprevisíveis não só no futebol, como também para a matemática.

DUAS FAVORITAS DISPUTAM O TERCEIRO LUGAR

A disputa pelo terceiro lugar também chama atenção por outro motivo. França e Inglaterra, que entram em campo no sábado (18), eram consideradas mais fortes pelo modelo do que a própria Argentina antes do início da Copa.

As duas seleções começaram o torneio com 12,4% de probabilidade de conquistar o título, contra 8,2% dos argentinos. Mesmo assim, acabaram eliminadas nas semifinais.

Kylian Mbappé comemora gol pela França durante a Copa do Mundo de 2026.
França e Inglaterra apareciam entre as principais favoritas ao título, mas acabaram disputando apenas o terceiro lugar. Foto: FIFA

Para o confronto entre elas, a inteligência artificial praticamente não vê favoritismo. Segundo o modelo, a França tem 50,1% de probabilidade de vencer, enquanto a Inglaterra aparece com 49,9%.

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Nos 90 minutos, o equilíbrio é ainda maior:

  • França vence: 35,8%
  • Empate: 28,6%
  • Inglaterra vence: 35,7%

A diferença entre as duas seleções é de apenas 0,2 ponto percentual, um dos confrontos mais equilibrados previstos pelo estudo.

COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL FEZ ESSAS PREVISÕES

Segundo Achim Zeileis, professor de Estatística da Universidade de Innsbruck e um dos autores do estudo, o modelo funciona em duas etapas.

Primeiro, os pesquisadores estimam a força de cada seleção utilizando diferentes fontes de informação. O modelo combina resultados de partidas disputadas nos últimos oito anos, odds de casas de apostas, desempenho individual dos jogadores, valores de mercado do Transfermarkt, ranking da FIFA e dezenas de outros indicadores.

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Depois, um algoritmo de machine learning cruza essas informações para calcular a probabilidade de cada resultado possível. O sistema utiliza um modelo conhecido como random forest, treinado com partidas disputadas nos principais torneios internacionais desde a Copa do Mundo de 2006.

Torcedores acompanham Brasil x Japão nas arquibancadas durante a Copa do Mundo de 2026.
O modelo de IA estimava 92% de chance de a seleção brasileira chegar ao mata-mata, mas o Brasil acabou sendo eliminado pela Noruega nas oitavas de final. FOTO: Fifa

Na prática, ele estima quantos gols cada seleção tende a marcar contra qualquer adversário. Os pesquisadores comparam esse funcionamento a um conjunto de "dados viciados". Em vez de cada resultado ter a mesma chance de acontecer, o algoritmo ajusta as probabilidades de acordo com a força das equipes.

Depois disso, o computador simula toda a competição respeitando o chaveamento oficial da FIFA, incluindo prorrogação e disputa por pênaltis. Esse processo foi repetido 100 mil vezes.

O QUE O MODELO ERROU

As simulações também deixaram alguns erros importantes pelo caminho. O modelo apontava o Brasil como favorito no confronto contra a Noruega. No entanto, a seleção brasileira perdeu por 2 a 1 nas oitavas de final e foi eliminada da Copa. A IA não prviu Erling Haaland.

Jogadores da Noruega comemoram classificação histórica na Copa do Mundo de 2026.
A classificação da Noruega foi uma das surpresas do torneio e contrariou as projeções do modelo. Foto: FIFA

Outro erro expressivo ocorreu no duelo entre Alemanha e Paraguai, na fase de 16 avos de final. A Alemanha aparecia com 81,6% de probabilidade de avançar e 68,5% de chance de vencer no tempo regulamentar.

Na prática, porém, o Paraguai conseguiu segurar o empate durante a partida e eliminou os alemães na disputa por pênaltis. A ferramenta também não antecipou a campanha de Cabo Verde. A seleção chegou ao mata-mata e enfrentou a Argentina em um jogo mais equilibrado do que as projeções iniciais sugeriam. Os argentinos venceram por 3 a 2, mas tiveram dificuldades para superar uma equipe que começou o torneio longe do grupo das favoritas.

Goleiro Vozinha acena para a torcida após partida de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026.
Cabo Verde foi uma das maiores surpresas da Copa e superou as expectativas do modelo. E se tornou queridinha do público. Foto: FIFA

Esses resultados mostram que o modelo consegue estimar quais equipes chegam mais fortes, mas não elimina a influência de fatores como estratégia, desempenho em um único jogo, erros individuais e decisões nos pênaltis. Em uma competição eliminatória, uma seleção pode ser amplamente favorita e ainda assim cair depois de apenas uma partida.

DATA, HORÁRIO E LOCAL DA FINAL DA COPA DE 2026

Espanha e Argentina decidem a Copa do Mundo de 2026 neste domingo (19), às 16h (horário de Brasília), no New York New Jersey Stadium — conhecido comercialmente como MetLife Stadium —, em East Rutherford, no estado de Nova Jérsia, nos Estados Unidos.

Antes da grande decisão, França e Inglaterra disputam o terceiro lugar da Copa do Mundo neste sábado (18), às 18h (horário de Brasília), no Miami Stadium — o Hard Rock Stadium —, em Miami Gardens, na Flórida, Estados Unidos.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é é editora chefe da Fast Company, jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata). saiba mais