Esqueça o travessão: esses sinais entregam se um texto foi feito por IA
Relatório compara textos humanos e de IA e revela quais padrões realmente distinguem a escrita de grandes modelos de linguagem

À medida que o conteúdo gerado por inteligência artificial domina a internet, as pessoas também se tornam cada vez mais atentas para distinguir textos escritos por robôs daqueles produzidos por humanos.
Na semana passada, o LinkedIn se tornou a primeira grande plataforma a incluir um botão que permite aos usuários denunciar o chamado "AI slop", conteúdo de baixa qualidade gerado por IA.
Mas como saber se o que você está lendo realmente foi escrito por uma pessoa e não por um grande modelo de linguagem (LLM)?
Embora existam alguns sinais bastante associados à escrita de IA, esses estereótipos talvez não sejam tão confiáveis quanto parecem.
Um novo relatório da revista "The Economist" analisou o estado da escrita produzida por IA em 2026, identificando tanto os padrões que realmente ajudam a reconhecer textos gerados por modelos quanto aqueles que são apenas falsos indícios.
A publicação comparou seus próprios artigos com versões dos mesmos textos produzidas pelos principais modelos de IA, incluindo ChatGPT (da OpenAI), Claude (da Anthropic), Gemini (do Google) e Grok (da xAI).
A amostra também incluiu textos de outros veículos, como "The New York Times" e "The Washington Post", além de trechos de romances publicados entre 1950 e 2022. Ao todo, foram analisadas 55.940 frases e 1,2 milhão de palavras.
O QUE NÃO PROCURAR
Talvez o sinal mais famoso da escrita produzida por IA seja o uso excessivo do travessão – aquele sinal de pontuação usado para destacar informações adicionais ou interrupções no meio da frase.
Embora esse recurso sempre tenha sido bastante comum entre escritores, a popularização da IA levou muitos autores a evitá-lo por receio de que os leitores presumissem que o texto havia sido gerado por uma máquina.

Mas, segundo o relatório, o travessão deixou de ser um indicador confiável de conteúdo criado por IA. Entre os modelos avaliados, só o Claude utilizou esse sinal de pontuação com mais frequência do que humanos.
Na verdade, a ausência de pontuação é um indício muito mais consistente de textos gerados por IA. O estudo constatou que os LLMs usam menos vírgulas, ponto e vírgula e parênteses do que humanos, preferindo construir frases mais longas conectadas por "e", que apareceu como o termo mais usado em excesso.
ALGUNS ESTEREÓTIPOS CONTINUAM VALENDO
Os textos gerados por IA também continuam sendo conhecidos pelo excesso de palavras. O relatório da "The Economist" mostrou que os LLMs recorrem com mais frequência do que humanos a vocabulário raro, termos científicos, palavras longas e derivação verbal, ou seja, substantivos e adjetivos derivados de verbos, como "nominalização", derivado de "nominalizar".
Esses modelos também recorrem com frequência a construções retóricas como "não é X, é Y" e à chamada "regra dos três", que consiste em listar três elementos em sequência.

Isso influencia a forma como estruturam frases e parágrafos: textos gerados por IA costumam apresentar frases longas, com pouca variação de tamanho, formando blocos de texto compostos por sentenças muito semelhantes entre si.
Outra percepção que infelizmente continua correta é que a IA aprende muito rápido. Os grandes modelos de linguagem evoluem continuamente e são treinados com textos produzidos por humanos, tornando essas diferenças cada vez mais difíceis de identificar.
Há pouco tempo, por exemplo, o ChatGPT abusava do uso de travessões. Hoje, segundo o relatório, é justamente o modelo que menos utiliza esse recurso – bem menos do que escritores humanos.
Leia mais: O que são grandes modelos de linguagem (LLMs) e para que servem
As regras para identificar conteúdo gerado por inteligência artificial continuam mudando. Mas, por enquanto, de acordo com a "The Economist", textos muito prolixos, com pouca pontuação e frases longas continuam sendo os sinais mais confiáveis de que o autor pode ser uma IA.