Estrela da WNBA cria gêmea digital de IA para falar com fãs
Agora, os fãs podem fazer chamadas de voz com uma versão digital da estrela do time de basquete Los Angeles Sparks

Recém-saída de uma atuação histórica de 40 pontos na final da temporada da Unrivaled (uma liga independente de basquete), Kelsey Plum, jogadora da Associação Feminina de Basquete dos EUA (WNBA, na sigla em inglês) decidiu arriscar um novo tipo de arremesso: uma gêmea digital de IA.
Agora, os fãs podem fazer chamadas de voz com uma versão digital da estrela do Los Angeles Sparks. Plum anunciou a gêmea em sua conta pessoal no Instagram no dia 6 de março, mostrando uma conversa com seu “eu” de inteligência artificial, pedindo conselhos sobre seu rabo de cavalo e sobre escolher entre café ou bebida energética.
Plum se tornou a primeira atleta profissional a lançar uma gêmea digital de IA verificada. A iniciativa vem sendo elogiada como uma forma de mulheres no esporte assumirem maior controle sobre sua própria imagem e ampliarem seu alcance junto ao público.
“A oportunidade de ter uma gêmea que possa se conectar com fãs, com jovens, com pessoas que amam basquete e com quem simplesmente se interessa por esportes… o alcance é infinito”, afirma Plum. “É o momento em que estamos na sociedade: ou você acompanha isso, ou fica para trás.”
PARCERIA COM A TALK2ME
Plum criou a gêmea em parceria com a Talk2Me, empresa de comunicação baseada em IA que desenvolve humanos digitais verificados. O CEO da companhia, Randy Adams, diz que costuma atuar na linha de frente (ou até no limite) de inovações desse tipo.
Ele se define como um empreendedor em série: co-inventor do Adobe PDF, cofundador da marca de comédia digital Funny or Die e, agora, dedicado ao desenvolvimento de gêmeos digitais com IA.
@talk2meai The Talk2me digital twin of WNBA champion & Olympic gold medalist @KelseyPlum10 is officially live. Fans can now talk with Kelsey’s AI and experience a whole new way to connect. Try it http://kelseyplum.ai #talk2meai #kelseyplum #AI #DigitalTwin #WNBA ♬ original sound - Talk2MeTwins
“[Kelsey] já mudou muita coisa do ponto de vista dos negócios. E antes disso, do ponto de vista cultural”, diz Adams. “Precisamos encontrar pessoas dispostas a correr esse risco e dar esse passo. Ela foi uma dessas pessoas. E nos sentimos honrados por isso.”
Do ponto de vista técnico, o objetivo é reproduzir a personalidade da celebridade com precisão, de acordo com o que ela deseja transmitir. Para Plum, significa conseguir interagir com fãs mesmo quando não pode fazer isso pessoalmente.
“Dentro do estádio, só consigo falar com um número limitado de fãs de cada vez. Assim, a melhor alternativa é entrar online e ter uma conversa individual”, explica a jogadora. “É uma grande oportunidade para alcançar mais pessoas e também entender o que elas estão perguntando ou querendo ver, e evoluir a partir disso.”
ALCANCE AMPLIADO
Atletas buscarem novas formas de se conectar com fãs fora das quadras não é novidade. Nilesh Ashra, fundador e CEO da OK Tomorrow, é especialista na interseção entre inteligência artificial e criatividade. Para ele, iniciativas como essa ajudam celebridades como Plum a maximizar seu alcance.
“Se fosse antigamente, elas escreveriam um livro. Até recentemente, criariam um programa de mentoria. No mundo totalmente novo, é um gêmeo digital”, analisa Ashra.
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De fato, trata-se de um território novo. Como Plum é uma das primeiras atletas a entrar nesse tipo de digitalização por IA, ela reconhece que podem surgir curvas de aprendizado nas respostas da gêmea digital. Essas possíveis distorções são justamente o ponto que gera cautela para Ashra.
“A interatividade traz benefícios, mas o risco está no comportamento inesperado”, afirma. “Todos os modelos de IA são não determinísticos. Você realmente não sabe como eles vão responder até estarem naquele contexto.”
ALERTAS E PREOCUPAÇÕES
Ashra não é o único cético. Desde o anúncio no Instagram, usuários não têm hesitado em expressar preocupações sobre esse uso da inteligência artificial.
“Sou um grande fã na área de cibersegurança… mas cuidado. Você está treinando o sistema – ele aprende a cada segundo e interações pessoais adicionam especificidade sobre você além do que ele já coleta da nuvem, da internet das coisas etc.”, escreveu um usuário.
Do ponto de vista técnico, o objetivo é reproduzir a personalidade da celebridade de acordo com o que ela deseja transmitir.
Muitos comentários demonstram apoio a Plum como atleta e pessoa, mas criticam o uso da tecnologia por preocupações ambientais e de segurança digital.
Outros reagiram de forma mais positiva. “Vou fazer sua entrevista pós-jogo com sua gêmea de IA e depois te dou feedback”, brincou Alex Bazzell, CEO da liga Unrivaled.
Plum sabe que a gêmea digital não é um substituto para ela. A jogadora tem forte envolvimento com causas ligadas à saúde mental e à criação de comunidades para jovens. Mas, enquanto cuida do trabalho dentro de quadra, quer que sua versão de IA mantenha a conexão com os fãs.
“Acho que isso cria uma nova forma de conexão, e é uma coisa muito legal”, diz Plum. “Usamos o basquete como ponto de partida… mas usar um gêmeo dentro e fora do universo do basquete pode ser algo realmente especial para as pessoas.”