Evite essas três frases se você não quer “escrever” como IA

Pesquisa identifica palavras e construções recorrentes em textos gerados em inglês; travessões, por outro lado, perderam espaço

como evitar que sua escrita pareça IA
Créditos: Lana Sham/ Olgadesigner/ Adobe Stock

Jude Cramer 3 minutos de leitura
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A cada novo modelo, a inteligência artificial chega mais perto de reproduzir a escrita humana. Mas ainda não chegou lá.

A Anthropic afirma que o Opus 5.5, seu mais novo modelo do Claude, “se comunica de maneira mais natural do que os modelos anteriores”. Esse estilo de comunicação renovado, porém, tem suas próprias marcas. Um novo estudo detalha os padrões de escrita presentes em alguns dos modelos de IA mais avançados da atualidade.

Pesquisadores da Graphite, agência de crescimento orientada por pesquisa, compararam 10 mil artigos gerados pelo Opus 5.5 com 10 mil textos escritos por humanos sobre os mesmos temas.

A análise resultou em uma lista de indícios: palavras, expressões e padrões que aparecem pelo menos duas vezes mais nos textos da IA do que nos produzidos por pessoas.

O Opus 5.5 tem menos dessas marcas do que as versões anteriores, mas ainda apresenta mais de 2,5 mil. Para quem quer evitar que a escrita pareça gerada por inteligência artificial, o estudo aponta palavras e expressões que merecem atenção.

A análise se refere a textos em inglês. As traduções abaixo ajudam a entender as expressões, mas as frequências identificadas não podem ser automaticamente aplicadas ao português.

PALAVRAS QUE ENTREGAM QUE É IA

Uma palavra isolada dificilmente fará um texto ser identificado como gerado por IA. Ainda assim, alguns termos são especialmente recorrentes no Opus 5.5. Estes são os cinco principais, com suas frequências em relação à escrita humana:

  • “Dependable” (“confiável”): 23 vezes mais frequente
  • “Clearer” (“mais claro”): 14 vezes mais frequente
  • “Matters” (“importa”): 13 vezes mais frequente
  • “Quietly” (“silenciosamente” ou “discretamente”): 11 vezes mais frequente
  • “Practical” (“prático”): 11 vezes mais frequente

EXPRESSÕES DE DUAS PALAVRAS

Nas expressões de duas palavras em inglês, fica especialmente evidente uma função comum do Opus 5.5: explicar conceitos.

  • “Matters because” (“importa porque”): 146 vezes mais frequente
  • “Especially valuable” (“especialmente valioso”): 136 vezes mais frequente
  • “This matters” (“isso importa”): 116 vezes mais frequente
  • “Article explains” (“o artigo explica”): 91 vezes mais frequente
  • “Builds trust” (“gera confiança”): 83 vezes mais frequente

EXPRESSÕES DE TRÊS PALAVRAS

As principais marcas dessa categoria apareceram centenas de vezes nos textos do Opus 5.5 e nenhuma vez nos artigos escritos por humanos que compõem a amostra:

  • “Helps to understand” (“ajuda a entender”)
  • “Article explains what” (“o artigo explica o que”)
  • “This matters because” (“isso importa porque”)
  • “Taken together these” (“considerados em conjunto, estes…”)
  • “This guide walks” (início de uma construção como “este guia apresenta passo a passo…”)

AS MARCAS DO ESTILO

Além de palavras e expressões específicas, os pesquisadores identificaram escolhas de estilo mais frequentes no Opus 5.5 do que na escrita humana.

Entre as diferenças mais marcantes estão uma variedade de vocabulário consideravelmente maior, palavras mais longas, encerramentos padronizados, textos mais extensos e maior uso de vírgulas.

Por outro lado, a marca mais estereotipada da escrita por IA, o excesso de travessões, praticamente desapareceu dos modelos atuais. O Opus 5.5 usa apenas 0,015 travessão a cada mil palavras, uma queda de 99% em relação ao Opus 5. Essa frequência equivale a menos de 1% da observada nos textos humanos.

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Na comparação do estudo, portanto, os travessões passaram a ser mais associados à escrita humana do que à produção do modelo.

O Opus 5.5 também reduziu o uso de uma prosa rebuscada, com linguagem floreada e metáforas no lugar de afirmações diretas. Com uma escala própria, os pesquisadores calcularam que esse estilo aparece 37% menos no Opus 5.5 do que no Opus 5.

Mesmo assim, o modelo ainda recorre a esses floreios com uma frequência 1,6 vez maior do que a dos autores humanos.


SOBRE O AUTOR

Jude Cramer é um jornalista e crítico premiado pela NLGJA e indicado ao GLAAD Media Award, com foco em histórias sobre entretenimento,... saiba mais