Governo dos EUA aposta no Grok apesar de polêmicas

O órgão do governo dos EUA resolveu adotar o Grok apesar das controvérsias que ele já gerou e das reprovações em avaliações de segurança

Departamento de Agricultura do governo dos EUA adota a IA Grok
Créditos: Grok/ Mikhail Nilov/ Sam McCool/ Pexels

Rebecca Heilweil 3 minutos de leitura

Em meio a sérias preocupações sobre a segurança e a adequação do uso do chatbot Grok, da xAI, no governo dos EUA, o Departamento de Agricultura (equivalente ao Ministério da Agricultura no Brasil) afirmou à Fast Company que está “orgulhoso” de avançar com um novo plano para usar a ferramenta em uma série de aplicações dentro da agência.

A adoção do Grok pelo órgão representa uma vitória importante para a xAI, cujo chatbot tem sido alvo de controvérsias. No ano passado, o governo Trump anunciou uma série de acordos com grandes empresas de IA (incluindo a xAI) para disponibilizar modelos avançados de linguagem a usuários governamentais com bons descontos.

Mas, enquanto autoridades avançaram na adoção de modelos como o Gemini e o ChatGPT, muitos ficaram cautelosos em relação ao Grok. O chatbot gerou alertas em 2025 ao se autodeclarar “MechaHitler” e publicar respostas antissemitas no X. Em janeiro, usuários criaram milhões de imagens de nudez não consensual com a ferramenta, provocando nova onda de críticas.

A empresa fez ajustes no sistema após os episódios, mas agências federais seguiram cautelosas. A Administração Geral de Serviços (GSA, na sigla em inglês) do governo dos EUA ainda não integrou o Grok a uma ferramenta de IA de uso governamental amplo, já que o sistema não passou nas avaliações internas de segurança.

Já o "The Wall Street Journal" informou, em março, que o Grok falhou em testes de segurança do governo. Líderes da administração federal continuam preocupados com a facilidade com que o bot pode ser manipulado e sua tendência a respostas muito complacentes.

Agências federais demonstraram pouco interesse em adotar a versão voltada ao setor público, o Grok para o Governo, mesmo com integrantes de destaque do governo mantendo relações próximas com o CEO da xAI, Elon Musk.

logotipo da IA Grok

Agora, porém, o Departamento de Agricultura decidiu seguir adiante com um plano para implementar o Grok em seus próprios sistemas. O órgão iniciou o processo patrocinando a ferramenta para avaliação dentro do programa FedRAMP, que envolve auditorias de segurança rigorosas e custosas exigidas antes que softwares possam ser utilizados em nuvens de dados do governo.

“O Departamento de Agricultura dos EUA tem orgulho de patrocinar o Grok para autorização no FedRAMP, a fim de equipar nossa força de trabalho com a IA mais avançada disponível e garantir concorrência justa entre fornecedores”, afirmou um porta-voz do órgão à Fast Company.

“O Grok passará pelos mesmos testes rigorosos de segurança, privacidade, conformidade e uso responsável exigidos de todos os provedores de IA. Não há tratamento especial”, complementa o comunicado. A Fast Company procurou a xAI para comentar o assunto.

Líderes da administração federal continuam preocupados com a facilidade com que o bot pode ser manipulado.

O Grok para o Governo foi anunciado pela primeira vez no ano passado, poucos dias após o site FedScoop revelar que programadores da GSA trabalhavam na integração do software a um recurso de IA do governo. Com a mudança, o Grok para o Governo agora aparece em um marketplace online de sistemas em avaliação de segurança governamental.

Vale destacar que não é a primeira vez que o Departamento de Agricultura demonstra interesse pelo Grok. No início do ano, um site de nutrição mantido pelo departamento mencionou brevemente a ferramenta, antes de retirar a referência.

Não está claro por que o Departamento de Agricultura assumiu a liderança para levar o Grok ainda mais profundamente ao governo. Mas o órgão lida com dados menos sensíveis do que outros, como o Departamento de Estado e o de Segurança Interna.

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“O Grok estará disponível como uma ferramenta opcional, nas mesmas condições que o Copilot e modelos da OpenAI, para análise de dados, pesquisa científica, planejamento de conservação, modelagem agrícola, eficiência operacional e qualquer outro uso que funcionários treinados do Departamento de Agricultura considerem adequado”, acrescentou o porta-voz.


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