Harvard cria clones de professores com IA para curso de empreendedorismo

É um curso intensivo de oito semanas em que os professores da Harvard Business School estão sempre à disposição — ou, pelo menos, seus avatares de IA estão.

Avatares de inteligência artificial de professores de Harvard aparecem sobrepostos a uma imagem de executivos.
Africa Studio via Adobe Stock / Somesh Kesarla Suresh via Unsplash

Jude Cramer 3 minutos de leitura
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Criar réplicas com inteligência artificial (IA) de pessoas reais é... repulsivo, para dizer o mínimo. Substitutos de atores criados por IA, como a atuação póstuma de Val Kilmer, no filme As Deep as the Grave, têm sido amplamente considerados de mau gosto. Clones de pastores e executivos do setor de tecnologia também geram polêmica.

Contudo, uma aplicação da clonagem por IA está obtendo sucesso, especialmente considerando seu público-alvo. A Harvard Business School colocou clones de seus professores para trabalhar em seu novo bootcamp para aspirantes a empreendedores, tornando o conhecimento deles (ou, pelo menos, uma imitação disso) acessível a alunos muito além do campus.

O QUE É O FOUNDRY?

O Foundry é um bootcamp on-line da Harvard Business School baseado em inteligência artificial. Além de sessões ao vivo semanais ao longo do programa de oito semanas, o Foundry oferece recursos de inteligência artificial para orientar os futuros fundadores em todas as etapas da criação de uma empresa, incluindo a geração de ideias e a apresentação de projetos a investidores.

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A caixa de ferramentas de IA do programa inclui, sim, réplicas de vários membros do corpo docente de Harvard, que se ofereceram para serem “clonados” para o Foundry. Um deles, o professor sênior Jeff Bussgang, admitiu ao The New York Times que acha a simulação um tanto “assustadora”, embora seus “alunos adorem”.

A IA do Foundry foi inicialmente projetada para ser baseada em texto, funcionando de maneira semelhante ao ChatGPT, mas os primeiros usuários de uma versão de teste teriam solicitado uma experiência mais guiada. Testes também revelaram que adicionar uma foto de um professor a um chatbot de IA ajudou a aumentar o engajamento. Tudo isso levou à versão atual do Foundry, lançada em abril.

Embora cada instrutor de IA do Foundry seja baseado na aparência, no estilo de ensino e na área de especialização de um professor real de Harvard, não se pretende que sejam réplicas exatas. Além disso, cada avatar é capaz de recorrer a bases de conhecimento mais amplas quando for o caso.

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A maioria dos usuários acessa o Foundry por meio de programas oferecidos por suas universidades, incluindo 760 participantes das sessões de verão, mas o bootcamp também está disponível para compra por particulares, por $ 699 (R$ 3594,20).

FOUNDRY EM AÇÃO

Até o momento, o Foundry tem feito sucesso tanto entre os alunos que estão aprendendo a se tornar fundadores de sucesso quanto entre os professores, que agora contam com um novo recurso para suas aulas de empreendedorismo.

De acordo com depoimentos de usuários do Foundry, os instrutores de IA os ajudaram a enxergar seus produtos sob novas perspectivas. Um doutorando da Universidade de Boston elogiou as orientações e a disponibilidade constante dos agentes de IA: “Eu meio que quero ter essa plataforma com quem eu possa conversar, mesmo que seja um clone, sempre que eu quiser”, disse ele.

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Outra usuária da Foundry, fundadora de uma empresa de biotecnologia em residência na Universidade de Massachusetts, destacou a utilidade das reuniões simuladas com o conselho e de apresentação de projetos. “É possível realmente discutir os detalhes antes de se deparar com uma situação dessas”, disse ela. “É uma boa maneira de praticar.”

Enquanto isso, professores de outras instituições, além de Harvard, estão implementando o Foundry em seus próprios cursos, considerando-o uma forma valiosa de oferecer mais orientação aos alunos. Harold Solomon, diretor da Georgia Tech, incorporou o Foundry a um workshop de 12 semanas no programa de empreendedorismo da universidade, citando como benefício a acessibilidade 24 horas por dia para os alunos.

“Posso ter 20, 30 reuniões por semana, mas, além disso, literalmente não consigo”, disse ele. “Não dá para atender à turma, muito menos ao campus, presencialmente o tempo todo. Por isso, precisamos de uma maneira de ampliar a escala.”

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SOBRE O AUTOR

Jude Cramer é um jornalista e crítico premiado pela NLGJA e indicado ao GLAAD Media Award, com foco em histórias sobre entretenimento,... saiba mais