IA escolhe tratamento e realiza injeção no cérebro de camundongo; entenda o experimento

Pesquisadores conectaram um agente de IA a um equipamento cirúrgico para testar a autonomia em procedimentos médicos

Mão de IA e mão humana
Agente escolheu entre 19 tratamentos possíveis e controlou a aplicação de uma terapia experimental contra epilepsia. (Créditos: Pexels)

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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Um agente de inteligência artificial escolheu uma terapia genética e controlou um equipamento robótico para realizar uma injeção no cérebro de um camundongo com epilepsia. 

O experimento foi conduzido por pesquisadores da startup Exin Therapeutics e mostra como sistemas de IA podem participar de atividades laboratoriais que exigem decisões e ações físicas.

A experiência foi relatada pela revista WIRED. O agente analisou 19 opções de tratamento, selecionou uma terapia, definiu a região cerebral e calculou as coordenadas da aplicação. Depois, controlou a agulha e os parâmetros da injeção, como volume e velocidade.

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COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL REALIZOU O PROCEDIMENTO

A equipe conectou o agente a um equipamento cirúrgico personalizado, equipado com câmera e mecanismos motorizados. O sistema permitia observar o procedimento, movimentar a agulha e controlar a aplicação do composto.

Antes da participação da IA, um veterinário realizou a abertura do crânio do animal, procedimento conhecido como craniotomia. A partir daí, o agente assumiu o planejamento da injeção e escolheu uma das 19 terapias genéticas disponíveis para tentar reduzir as crises epilépticas.

O sistema utilizado foi o Claude Sonnet 5, da Anthropic. Inicialmente, os pesquisadores testaram o Claude Opus 5.5, mas o modelo se recusou a orientar a agulha até o cérebro por considerar que interromper a cirurgia durante a aplicação poderia colocar o animal em risco.

FALHA TÉCNICA INTERROMPEU A CIRURGIA

O procedimento também enfrentou um problema no sistema de coordenadas do equipamento. A IA identificou que a posição calculada para a aplicação estava incorreta, mas se recusou a modificar o código de controle porque suas instruções proibiam esse tipo de alteração.

Para resolver a falha, a equipe recorreu a um segundo agente de IA, baseado no Opus 5, que corrigiu o código sem receber a informação de que havia uma cirurgia em andamento. Com isso, o procedimento durou pouco mais de uma hora, acima dos cerca de 45 minutos habituais.

Os pesquisadores também estabeleceram medidas de segurança: um humano precisava aprovar o plano de aplicação, havia um botão físico para interromper os motores e o agente não tinha acesso ao código interno do equipamento.

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RESULTADO AINDA PRECISA SER AVALIADO

Segundo Gabriel Ocana Santero, CEO e cofundador da Exin Therapeutics, o camundongo se recuperou bem após o procedimento. No entanto, a equipe ainda aguardava os efeitos da terapia para avaliar se houve redução das crises epilépticas.

O experimento não demonstra que a IA esteja pronta para realizar cirurgias em pessoas. Os pesquisadores ainda precisam avaliar os resultados do tratamento e testar a segurança do sistema em outras situações. 

A equipe também pretende experimentar modelos diferentes e estuda ampliar a autonomia dos agentes em procedimentos laboratoriais.

No entanto, a supervisão humana continua essencial em experiências com animais vivos. A possibilidade de conectar agentes de IA a equipamentos de laboratório amplia as aplicações da tecnologia, mas também exige controles rigorosos para evitar erros e consequências inesperadas.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais