O lado ruim da IA que Sam Altman diz que o mundo terá de aceitar

Para o CEO da OpenAI, tentar eliminar todos os riscos da IA pode limitar os benefícios e o acesso à tecnologia

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Lilian Campos 2 minutos de leitura
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O avanço da inteligência artificial deve trazer benefícios importantes, mas também problemas que, segundo Sam Altman, a sociedade terá de aprender a aceitar. 

O CEO da OpenAI defendeu uma abordagem mais flexível para a regulamentação da tecnologia e afirmou que tentar eliminar todos os riscos poderia impedir que as pessoas aproveitem seus benefícios.

A declaração coloca a OpenAI em uma posição diferente de empresas que defendem controles mais rígidos para o desenvolvimento da IA. Altman reconhece que a tecnologia poderá ser usada para fins negativos, mas considera que os benefícios devem superar esses efeitos.

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SAM ALTMAN DIZ QUE ALGUNS RISCOS SERÃO INEVITÁVEIS

Em entrevista, Altman afirmou que o mundo deveria aceitar que algumas coisas ruins acontecerão por causa da inteligência artificial. Entre os exemplos estão grandes invasões de sistemas, golpes e outros usos indevidos da tecnologia.

A avaliação não significa que a OpenAI considere esses problemas desejáveis. O argumento de Altman é que tentar garantir uma IA sem qualquer consequência negativa exigiria restrições que poderiam limitar a autonomia das pessoas e o acesso aos sistemas.

O executivo também afirmou acreditar que as pessoas farão uma quantidade muito maior de coisas positivas com a IA do que de atividades prejudiciais.

OPENAI DEFENDE UMA REGULAÇÃO MAIS LEVE

Altman também destacou uma diferença entre a visão da OpenAI e a de grupos que defendem uma regulamentação mais rígida. 

Para ele, a tecnologia deve permanecer amplamente acessível, em vez de ficar concentrada nas mãos de uma única empresa ou laboratório responsável por decidir quem poderá utilizá-la.

A posição envolve um dilema: quanto maior a liberdade para desenvolver e distribuir sistemas de IA, maior também pode ser a exposição a usos inadequados. Por outro lado, controles excessivos podem reduzir o acesso a ferramentas que poderiam gerar ganhos econômicos e sociais.

A OpenAI, portanto, defende uma abordagem de “toque mais leve” na regulamentação, aceitando que parte dos riscos faça parte do processo de adaptação da sociedade à tecnologia.

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IA JÁ LEVANTA NOVOS DEBATES SOBRE SEGURANÇA

A declaração ocorre em meio a discussões cada vez maiores sobre segurança e controle de sistemas de inteligência artificial. Empresas do setor precisam lidar com modelos capazes de executar tarefas, acessar ferramentas e operar com níveis crescentes de autonomia.

Ao mesmo tempo, a própria discussão dentro da indústria mostra que não existe consenso sobre quanto risco deve ser tolerado.

A Anthropic, por exemplo, tem defendido uma postura mais cautelosa e chegou a pedir uma desaceleração do desenvolvimento diante dos possíveis riscos de sistemas avançados.

Para Altman, porém, a alternativa não é tentar impedir que qualquer problema aconteça. A aposta é criar mecanismos de segurança suficientes para reduzir os danos enquanto a tecnologia continua disponível e avança.

Assim, o debate deixa de ser apenas sobre se a inteligência artificial apresenta riscos e passa a envolver uma questão mais difícil: quantos riscos a sociedade está disposta a aceitar em troca dos benefícios prometidos pela tecnologia.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais