Meta desiste do metaverso e acelera ofensiva em inteligência artificial

Compra da startup Manus sinaliza esforço da empresa para competir com rivais que avançaram mais rápido no desenvolvimento de IA

silhueta de robô com logotipo da Meta ao fundo
Créditos: Julien Tromeur/ Steve Johnson/ Unsplash

Taylor Hatmaker 3 minutos de leitura

Em um ano marcado por empresas despejando somas impressionantes de dinheiro em inteligência artificial, mais um grande negócio foi fechado nos últimos instantes antes de 2026.

A Meta acaba de fazer uma aposta com a compra da Manus, a badalada startup sediada em Singapura, mas com raízes chinesas. Ela chamou atenção no início deste ano ao demonstrar seus agentes de IA executando tarefas complexas, como buscar imóveis e analisar currículos.

A Manus e sua empresa controladora, a Butterfly Effect, têm sede em Singapura, mas foram fundadas na China, país que mantém uma relação delicada com a indústria de tecnologia dos Estados Unidos, e ainda mantêm operações em território chinês.

Segundo informações, a controladora do Facebook pagará mais de US$ 2 bilhões para adquirir a startup, na expectativa de fortalecer suas próprias capacidades em IA, que vêm ficando para trás.

Em um cenário repleto de fabricantes de chips em rápida ascensão, startups ágeis totalmente focadas em IA e gigantes da tecnologia, como a Microsoft, que se reinventaram com grandes apostas no setor, a Meta está longe de liderar a tropa – um fato do qual a própria empresa parece bem ciente.

A aquisição levará para dentro da Meta a tecnologia de IA baseada em agentes da startup, permitindo que ela seja potencialmente integrada ao vasto conjunto de produtos da empresa, incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp e o chatbot de IA da Meta.

Tela do Manus AI/ Meta compra Manus
Crédito: imagem criada com auxílio de IA via ChatGPT

O acordo com a Manus ocorre após o investimento de US$ 14,3 bilhões feito pela Meta, no início deste ano, na Scale AI, empresa especializada em dados para treinamento de modelos de inteligência artificial.

“Entrar para a Meta nos permite construir sobre uma base mais forte e sustentável, sem mudar a forma como a Manus opera ou como as decisões são tomadas”, afirmou o CEO da startup, Xiao Hong, em um post anunciando a notícia.

CORREÇÃO DE ROTA

A maratona de gastos da Meta com inteligência artificial está se intensificando. Depois de renomear a empresa para Meta e declarar, há menos de cinco anos, que estava totalmente comprometida com o metaverso, a companhia abandonou esse rumo – e seus investimentos bilionários – para tentar alcançar os concorrentes na área de IA.

Em novembro, Mark Zuckerberg declarou que a Meta planeja investir a impressionante cifra de US$ 600 bilhões em tecnologia e infraestrutura de IA nos Estados Unidos até 2028.

O diretor de IA da Meta, Alexandr Wang, ex-Scale AI, deu as boas-vindas à equipe da Manus em uma publicação no X. “Animado em anunciar que a @ManusAI se juntou à Meta para nos ajudar a construir produtos de IA incríveis”, escreveu Wang.

Segundo o executivo, a equipe do Meta Superintelligence Labs pretende contratar profissionais em Singapura. “A equipe da Manus em Singapura é de classe mundial na exploração do excesso de capacidade dos modelos atuais para estruturar agentes poderosos”, afirmou.

Meta compra startup Manus, dirigida por Alexandr Wang
Alexandr Wang (Crédito: Wikipedia/ Conny Schneider/ Unsplash)

A Manus não é uma DeepSeek, mas ainda assim se destaca como uma importante empresa asiática de IA passando a operar sob a asa de um gigante da tecnologia dos EUA.

Em abril, a Manus levantou US$ 75 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela gestora de venture capital Benchmark, de San Francisco. A startup também conta com investidores asiáticos, incluindo o conglomerado chinês Tencent e o HongShan Capital Group, que era o braço focado na China da norte-americana Sequoia, conhecida por investir com frequência em startups chinesas.

a Meta planeja investir US$ 600 bilhões em tecnologia e infraestrutura de IA nos EUA até 2028.

A Meta informou à Fast Company que planeja “encerrar gradualmente” as operações comerciais da Manus que ainda permanecem na China. Esse processo vai incluir a realocação dos funcionários remanescentes da Manus e o rompimento de quaisquer vínculos comerciais com o país.

A empresa também enfatizou que os funcionários da Manus que passarem a integrar a Meta não terão acesso a dados primários de usuários dos produtos existentes da companhia.

“Não haverá participação acionária chinesa contínua na Manus AI após a transação e a Manus AI vai descontinuar seus serviços e operações na China”, afirmou um porta-voz da Meta.


SOBRE A AUTORA

Taylor Hatmaker é fotógrafa e jornalista especializada em mídia social, games e cultura digital. saiba mais