Meta expõe diretrizes da IA do WhatsApp; entenda como funcionam
Caso envolve regras de atendimento automatizado e ocorre em meio ao debate sobre o uso da Meta AI para gerar imagens políticas

Instruções internas destinadas à inteligência artificial (IA) de suporte do WhatsApp ficaram expostas no código-fonte de páginas da Central de Ajuda da plataforma.
O material incluía orientações sobre como responder aos usuários, quais assuntos evitar e como conduzir dúvidas relacionadas à exclusão de contas, à privacidade e a questões legais.
A descoberta foi feita pela empresa de privacidade digital Redact, que analisou 545 páginas da Central de Ajuda e encontrou 102 blocos de instruções ocultas em 80 páginas. O conteúdo não aparecia na visualização normal dos sites, mas estava presente no código enviado pelos servidores.
Leia também: IA da Meta transcreve reuniões ao vivo; saiba como usar o Muse Voice Transcribe
O QUE AS INSTRUÇÕES DA IA DO WHATSAPP REVELARAM?
Entre as orientações encontradas, uma determinava que o chatbot não recomendasse procurar autoridades de proteção de dados, órgãos reguladores ou entidades de supervisão quando o usuário enfrentasse dificuldades para excluir a conta.
Outra instrução, relacionada a denúncias e bloqueios, orientava a IA a não citar os termos de serviço, a política de privacidade ou normas de proteção de dados, como o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR), da União Europeia, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), do Brasil, quando o usuário mencionasse advogados, processos judiciais ou outras medidas legais.
A Redact também identificou instruções mais comuns, voltadas a esclarecer dúvidas, direcionar usuários para páginas específicas e orientar o atendimento. Portanto, nem todos os blocos encontrados continham restrições relacionadas a direitos ou questões jurídicas.
COMO A META EXPLICOU A EXPOSIÇÃO?
A Meta afirmou que criou as instruções para o chatbot de suporte do WhatsApp, que atende pessoas em conversas automatizadas por IA. Segundo a empresa, o conteúdo apareceu nas páginas por causa de um erro técnico, já corrigido.
A empresa explicou que o objetivo das orientações era manter as respostas focadas no suporte ao produto, sem oferecer aconselhamento jurídico.
A Redact identificou os trechos em 08 de outubro de 2026. Depois, em 18 de outubro, a análise confirmou que os responsáveis removeram os 102 blocos das 80 páginas analisadas.
CASO DA META AI LEVANTA DÚVIDAS SOBRE REGRAS INTERNAS
O caso ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da Meta durante as Eleições 2026. Em testes publicados pela Fast Company Brasil, a Meta AI gerou cartazes com “Flávio 22”, mas recusou inicialmente pedidos semelhantes com “Lula 13”.
A empresa afirmou que uma falha nas proteções permitia a criação de imagens quando o comando usava apenas o primeiro nome do candidato e seu número eleitoral e disse ter corrigido o problema no mesmo dia.
O episódio também foi incluído em questionamentos encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre possíveis diferenças no tratamento de conteúdos políticos pela plataforma.