Meta expõe diretrizes da IA do WhatsApp; entenda como funcionam

Caso envolve regras de atendimento automatizado e ocorre em meio ao debate sobre o uso da Meta AI para gerar imagens políticas

Meta AI
Créditos: Pexels/Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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Instruções internas destinadas à inteligência artificial (IA) de suporte do WhatsApp ficaram expostas no código-fonte de páginas da Central de Ajuda da plataforma. 

O material incluía orientações sobre como responder aos usuários, quais assuntos evitar e como conduzir dúvidas relacionadas à exclusão de contas, à privacidade e a questões legais.

A descoberta foi feita pela empresa de privacidade digital Redact, que analisou 545 páginas da Central de Ajuda e encontrou 102 blocos de instruções ocultas em 80 páginas. O conteúdo não aparecia na visualização normal dos sites, mas estava presente no código enviado pelos servidores.

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O QUE AS INSTRUÇÕES DA IA DO WHATSAPP REVELARAM?

Entre as orientações encontradas, uma determinava que o chatbot não recomendasse procurar autoridades de proteção de dados, órgãos reguladores ou entidades de supervisão quando o usuário enfrentasse dificuldades para excluir a conta.

Outra instrução, relacionada a denúncias e bloqueios, orientava a IA a não citar os termos de serviço, a política de privacidade ou normas de proteção de dados, como o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR), da União Europeia, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), do Brasil, quando o usuário mencionasse advogados, processos judiciais ou outras medidas legais.

A Redact também identificou instruções mais comuns, voltadas a esclarecer dúvidas, direcionar usuários para páginas específicas e orientar o atendimento. Portanto, nem todos os blocos encontrados continham restrições relacionadas a direitos ou questões jurídicas.

COMO A META EXPLICOU A EXPOSIÇÃO?

A Meta afirmou que criou as instruções para o chatbot de suporte do WhatsApp, que atende pessoas em conversas automatizadas por IA. Segundo a empresa, o conteúdo apareceu nas páginas por causa de um erro técnico, já corrigido.

A empresa explicou que o objetivo das orientações era manter as respostas focadas no suporte ao produto, sem oferecer aconselhamento jurídico.

A Redact identificou os trechos em 08 de outubro de 2026. Depois, em 18 de outubro, a análise confirmou que os responsáveis removeram os 102 blocos das 80 páginas analisadas.

CASO DA META AI LEVANTA DÚVIDAS SOBRE REGRAS INTERNAS

O caso ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da Meta durante as Eleições 2026. Em testes publicados pela Fast Company Brasil, a Meta AI gerou cartazes com “Flávio 22”, mas recusou inicialmente pedidos semelhantes com “Lula 13”. 

A empresa afirmou que uma falha nas proteções permitia a criação de imagens quando o comando usava apenas o primeiro nome do candidato e seu número eleitoral e disse ter corrigido o problema no mesmo dia. 

O episódio também foi incluído em questionamentos encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre possíveis diferenças no tratamento de conteúdos políticos pela plataforma.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais