Microsoft está trazendo o OpenClaw para as massas

Empresa aposta no OpenClaw e lança agentes corporativos para automatizar tarefas e popularizar assistentes digitais

Microsoft incorpora tecnologia da Open Claw
Créditos: Surface/ Rick Rothenberg/ Unsplash/ OpenClaw

Harry McCracken 4 minutos de leitura

Como acontece na maioria das palestras de empresas de tecnologia, a apresentação da Microsoft durante sua conferência Build, na semana passada em São Francisco, na Califórnia, teve alguns convidados especiais.

A lista incluía desde Jensen Huang, CEO da Nvidia – empatado com Sam Altman na disputa informal pelo título de executivo mais onipresente da indústria de IA – até a dupla de músicos e investidores The Chainsmokers e Gianrico Farrugia, CEO da Clínica Mayo.

Mas o convidado mais intrigante foi, sem dúvida, Peter Steinberger, criador da plataforma de código aberto OpenClaw, de agentes de IA. E Steinberger tinha bons motivos para estar no palco.

Entre os principais temas das duas horas e 22 minutos de palestra da conferência estava justamente o entusiasmo da Microsoft com o OpenClaw e o desejo de torná-lo acessível a um público maior.

Leia mais: OpenClaw promete produtividade total – e entrega um alerta de segurança

As novidades incluem um novo aplicativo OpenClaw para Windows e uma tecnologia de sandboxing para agentes OpenClaw (ou “claws”) criada para impedir que eles, acidentalmente, causem algum tipo de dano aos dados.

“Ver um claw tentando apagar todos os arquivos da sua área de trabalho e falhando me deixa muito feliz”, disse Steinberger. “Porque, seis meses atrás, isso teria funcionado.”

AUTOPILOTS INTEGRADOS AO SISTEMA

A Microsoft também apresentou os Autopilots, um novo tipo de agente de IA da própria empresa. Embora eles incorporem código e funcionalidades do OpenClaw, os Autopilots foram projetados para serem seguros o suficiente para adoção corporativa, sem o risco de destruir arquivos ou vazar informações proprietárias. Eles também operam parcialmente na nuvem.

A Microsoft afirma que pretende lançar vários Autopilots. O primeiro deles será o Scout, disponibilizado inicialmente em caráter experimental para clientes inscritos no programa Frontier.

logotipo do agente de IA Microsoft Autopilot

“Queremos oferecer às pessoas um assistente que ajude a tirar trabalho da mesa delas e gerencie parte das tarefas logísticas que muitos profissionais têm que fazer – organizar reuniões, acompanhar compromissos assumidos, enviar lembretes”, afirma Omar Shahine, vice-presidente corporativo da Microsoft.

Além da integração com produtos como Outlook, Teams e OneDrive, o Scout também pode operar navegadores web para executar tarefas repetitivas, como preencher relatórios de despesas ou organizar viagens.

Considerando que agentes são hoje o tema mais comentado da IA, seria estranho se a Microsoft não estivesse trabalhando em algo como os Autopilots. Ou em várias coisas. Em março, a empresa já havia anunciado o Copilot Cowork, outra versão de agente voltado ao ambiente corporativo.

O OpenClaw foi lançado em novembro de 2025 e a tecnologia só começou a ganhar atenção massiva em janeiro de 2026.

Faz tempo que a reação automática da Microsoft a qualquer tendência tecnológica deixou de ser lançar sua própria cópia (um Zune para cada iPod). Na era Satya Nadella, a companhia passou a escolher melhor suas batalhas.

Também abandonou parte da fama construída nos anos em que usava seu poder de mercado para sufocar padrões abertos, estratégia que ficou conhecida como “embrace, extend and extinguish” (abraçar, estender e extinguir).

Hoje, a gigante parece muito mais confortável participando de ecossistemas que não controla. Shahine cita um exemplo emblemático: a adoção do Chromium, versão de código aberto do Chrome, como motor do navegador Edge em 2018.

Foi uma decisão elogiada, mas também inevitável. Afinal, veio depois de mais de duas décadas construindo navegadores próprios, período em que a empresa esmagou o Netscape Navigator para depois ser atropelada pelo próprio Chrome.

ASSISTENTES DIGITAIS DE CÓDIGO ABERTO

A diferença agora é que agentes de IA ainda estão no começo. Steinberger lançou o OpenClaw apenas em novembro passado, e a tecnologia só começou a ganhar atenção massiva em janeiro.

A Microsoft também não está sozinha. Shahine destaca que empresas como OpenAI, Red Hat e Nvidia já começaram a contribuir para impulsionar o projeto.

Entre as prioridades da Microsoft está tornar a base de código do OpenClaw mais gerenciável, facilitando a adição de recursos sem quebrar funcionalidades existentes. E o trabalho feito internamente será devolvido ao projeto de código aberto para benefício coletivo.

logotipo do agente de IA OpenClaw com as cores da Microsoft

Hoje, o número de usuários efetivos do OpenClaw provavelmente ainda é minúsculo comparado à quantidade de pessoas que já ouviram falar da tecnologia, mas ainda não experimentaram. As iniciativas anunciadas na conferência da Microsoft podem acelerar essa adoção.

Mas, para agentes realmente decolarem, ainda existe uma questão maior: convencer milhões de pessoas de que delegar tarefas para assistentes digitais pode mudar radicalmente sua rotina.

Quanto tempo isso leva? “Acho que ainda neste ano”, responde Shahine. “Estamos em junho e a quantidade de mudanças que aconteceram desde janeiro é maior do que qualquer coisa que já vivi na minha carreira.”


SOBRE O AUTOR

Harry McCracken é editor de tecnologia da Fast Company baseado em San Francisco. Em vidas passadas, foi editor da Time, fundador e edi... saiba mais