Musk é acusado em Paris de incentivar ‘deepfakes’ sexuais para aumentar valor do X

A investigação internacional busca entender se houve tentativa de manipulação de mercado por parte de Musk

Elon Musk se torna o primeiro a atingir fortuna de meio trilhão de dólares
KevinHyde via Getty Images

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

Promotores de Paris afirmaram no último sábado (21) que abriram um novo eixo de investigação envolvendo o empresário Elon Musk.

A suspeita é de que conteúdos manipulados por Inteligência Artificial (IA), com teor sexual explícito, tenham sido estimulados dentro da plataforma X para gerar engajamento e elevar artificialmente o valor da empresa antes de uma possível operação financeira prevista para 2026.

Segundo a promotoria, o foco está no uso da ferramenta de IA conhecida como Grok. O entendimento preliminar é de que a polêmica envolvendo imagens manipuladas pode não ter sido um efeito colateral, mas parte de uma estratégia para impulsionar métricas da plataforma e atrair investidores em um momento decisivo de reestruturação empresarial.

As autoridades francesas, de acordo com o Euractiv, informaram que compartilharam as suspeitas com órgãos dos Estados Unidos, incluindo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a SEC. A cooperação internacional busca entender se houve tentativa de manipulação de mercado ou violação de regras financeiras.

INVESTIGAÇÃO DO X JÁ TEM PRECEDENTES

A investigação não começou agora. Desde o ano passado, a rede social X (antigo Twitter) já vinha sendo analisada na França por possíveis interferências no ambiente político local.

Com o avanço das apurações, novos elementos foram incorporados, incluindo a circulação de conteúdos ilegais e o uso da inteligência artificial para produzir imagens sem consentimento.

No centro do caso está a capacidade técnica da ferramenta, o sistema permitia alterar fotografias reais com comandos simples, incluindo a remoção de roupas. Esse tipo de uso levantou preocupações sobre violação de privacidade e exposição indevida de usuários, especialmente mulheres e menores de idade.

Autoridades também apontam que a rápida disseminação dessas imagens indica falhas nos mecanismos de controle da plataforma. Mesmo após anúncios de ajustes técnicos, reguladores avaliam que as medidas adotadas não acompanharam a velocidade do problema.

Em fevereiro, Musk chegou a ser convocado para prestar esclarecimentos em território francês. Na ocasião, ele classificou a iniciativa como motivada por razões políticas. Paralelamente, buscas foram realizadas em escritórios ligados à empresa no país.

O caso ganhou dimensão internacional, países como Reino Unido, Índia e Malásia. No Brasil, especialistas em direito digital passaram a discutir o enquadramento jurídico de conteúdos manipulados por IA, principalmente quando envolvem exposição íntima sem autorização.

PRESSÃO REGULATÓRIA NA UE

A situação também mobilizou a Comissão Europeia, que abriu investigação formal para avaliar se a plataforma cumpriu as exigências da Lei de Serviços Digitais da União Europeia (UE). O foco está na responsabilidade das empresas em prevenir riscos sistêmicos e impedir a circulação de conteúdo ilegal.

De acordo com a Fast Company Brasil, pelas regras do bloco, companhias podem ser multadas em até 6% da receita global caso não adotem medidas eficazes. A análise em curso considera que o problema não se limita à tecnologia em si, mas à falta de barreiras suficientes para evitar abusos em larga escala.

O avanço do caso em Paris envolvendo o Elon Musk mostra a pressão sobre empresas. Reguladores europeus indicam que o uso de IA sem controle adequado pode gerar consequências.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais