Musk é acusado em Paris de incentivar ‘deepfakes’ sexuais para aumentar valor do X
A investigação internacional busca entender se houve tentativa de manipulação de mercado por parte de Musk

Promotores de Paris afirmaram no último sábado (21) que abriram um novo eixo de investigação envolvendo o empresário Elon Musk.
A suspeita é de que conteúdos manipulados por Inteligência Artificial (IA), com teor sexual explícito, tenham sido estimulados dentro da plataforma X para gerar engajamento e elevar artificialmente o valor da empresa antes de uma possível operação financeira prevista para 2026.
Segundo a promotoria, o foco está no uso da ferramenta de IA conhecida como Grok. O entendimento preliminar é de que a polêmica envolvendo imagens manipuladas pode não ter sido um efeito colateral, mas parte de uma estratégia para impulsionar métricas da plataforma e atrair investidores em um momento decisivo de reestruturação empresarial.
As autoridades francesas, de acordo com o Euractiv, informaram que compartilharam as suspeitas com órgãos dos Estados Unidos, incluindo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a SEC. A cooperação internacional busca entender se houve tentativa de manipulação de mercado ou violação de regras financeiras.
INVESTIGAÇÃO DO X JÁ TEM PRECEDENTES
A investigação não começou agora. Desde o ano passado, a rede social X (antigo Twitter) já vinha sendo analisada na França por possíveis interferências no ambiente político local.
Com o avanço das apurações, novos elementos foram incorporados, incluindo a circulação de conteúdos ilegais e o uso da inteligência artificial para produzir imagens sem consentimento.
No centro do caso está a capacidade técnica da ferramenta, o sistema permitia alterar fotografias reais com comandos simples, incluindo a remoção de roupas. Esse tipo de uso levantou preocupações sobre violação de privacidade e exposição indevida de usuários, especialmente mulheres e menores de idade.
Autoridades também apontam que a rápida disseminação dessas imagens indica falhas nos mecanismos de controle da plataforma. Mesmo após anúncios de ajustes técnicos, reguladores avaliam que as medidas adotadas não acompanharam a velocidade do problema.
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Em fevereiro, Musk chegou a ser convocado para prestar esclarecimentos em território francês. Na ocasião, ele classificou a iniciativa como motivada por razões políticas. Paralelamente, buscas foram realizadas em escritórios ligados à empresa no país.
O caso ganhou dimensão internacional, países como Reino Unido, Índia e Malásia. No Brasil, especialistas em direito digital passaram a discutir o enquadramento jurídico de conteúdos manipulados por IA, principalmente quando envolvem exposição íntima sem autorização.
PRESSÃO REGULATÓRIA NA UE
A situação também mobilizou a Comissão Europeia, que abriu investigação formal para avaliar se a plataforma cumpriu as exigências da Lei de Serviços Digitais da União Europeia (UE). O foco está na responsabilidade das empresas em prevenir riscos sistêmicos e impedir a circulação de conteúdo ilegal.
De acordo com a Fast Company Brasil, pelas regras do bloco, companhias podem ser multadas em até 6% da receita global caso não adotem medidas eficazes. A análise em curso considera que o problema não se limita à tecnologia em si, mas à falta de barreiras suficientes para evitar abusos em larga escala.
O avanço do caso em Paris envolvendo o Elon Musk mostra a pressão sobre empresas. Reguladores europeus indicam que o uso de IA sem controle adequado pode gerar consequências.