Nova inteligência artificial consegue descobrir o que você está pensando

IA combina dados de ressonância magnética e modelos de geração de imagens para tentar reproduzir o que uma pessoa está vendo

Cérebro, IA
Créditos: Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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Uma inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, consegue reconstruir imagens a partir da atividade cerebral registrada por exames de ressonância magnética funcional. 

A tecnologia analisa os sinais do cérebro e produz imagens que se aproximam daquilo que uma pessoa está vendo.

O avanço, apresentado em pesquisas científicas em 2026, aumenta as possibilidades de uso da IA na neurociência. Apesar disso, a tecnologia ainda está longe de ler qualquer pensamento livremente: o sistema depende de equipamentos especializados e apresenta falhas nas reconstruções.

Segundo o Futurism,  o método desenvolvido pela equipe liderada por Michal Irani busca produzir representações mais detalhadas do que as obtidas por técnicas anteriores.

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COMO A IA RECONSTRÓI IMAGENS DO CÉREBRO

O sistema, chamado Brain-IT, utiliza modelos de inteligência artificial para relacionar padrões de atividade cerebral às imagens que uma pessoa observa. Para desenvolver a tecnologia, os pesquisadores usaram exames de oito participantes que visualizaram milhares de imagens.

O modelo combina duas etapas: uma prevê a estrutura visual da imagem e outra estima seu conteúdo. Em seguida, um gerador de imagens baseado em difusão utiliza essas informações para produzir uma representação do que a pessoa viu.

Os pesquisadores também criaram um modelo capaz de prever a atividade cerebral a partir de imagens. Com isso, geraram dados sintéticos para ampliar o treinamento, reduzindo a dependência de exames reais.

A TECNOLOGIA AINDA TEM LIMITAÇÕES

Embora os resultados sejam promissores, as reconstruções nem sempre correspondem ao conteúdo original. Em um dos exemplos citados pelo Futurism, o sistema transformou a imagem de um cachorro dentro de uma banheira em uma cabra no mesmo cenário.

Além disso, o processo exige exames de alta resolução feitos em máquinas de ressonância magnética funcional, equipamentos grandes e caros. Portanto, não se trata de uma ferramenta que consiga acessar pensamentos de qualquer pessoa a distância ou sem condições específicas.

USOS POSSÍVEIS E RISCOS À PRIVACIDADE

A tecnologia pode contribuir para pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e, futuramente, ajudar pessoas com paralisia ou dificuldades de comunicação a transmitir informações. 

Ao reconstruir conteúdos visuais a partir de sinais cerebrais, sistemas desse tipo podem abrir caminhos para novas interfaces entre cérebro e computador.

Por outro lado, pesquisadores alertam para os riscos à privacidade mental. Se técnicas semelhantes avançarem e forem adaptadas a dispositivos mais simples, como sensores vestíveis, poderá haver preocupações sobre a coleta de informações cerebrais sem consentimento.

Por enquanto, porém, o Brain-IT continua sendo uma tecnologia experimental. A pesquisa demonstra avanços na reconstrução de imagens observadas, mas não comprova que a inteligência artificial consiga decifrar livremente pensamentos secretos, intenções ou lembranças de uma pessoa.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais