O cérebro humano processa a linguagem como a IA? Entenda a semelhança
Estudo revela paralelos entre o processamento da linguagem no cérebro e os modelos de IA

O cérebro humano processa a linguagem de forma gradual e distribuída, em um mecanismo que se assemelha ao funcionamento da Inteligência Artificial. A compreensão da fala não ocorre de maneira instantânea, mas por meio de etapas sucessivas que transformam sons em significados complexos, seguindo uma lógica próxima à dos sistemas computacionais avançados.
Um estudo divulgado na última quarta-feira (21) e publicado na revista Nature Communications aponta que o processo cerebral apresenta paralelos claros com modelos modernos de tecnologia, segundo a própria revista científica. A pesquisa analisou como o cérebro responde à linguagem falada ao longo do tempo, revelando padrões semelhantes aos usados por sistemas digitais.
Os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral de nove voluntários enquanto ouviam um podcast de trinta minutos. Para isso, utilizaram registros de eletrocorticografia, capazes de identificar com precisão quando e onde a atividade neural ocorre durante o processamento da linguagem.
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QUAIS FORAM AS RESPOSTAS?
As análises mostraram que áreas do cérebro ligadas à linguagem, como a área de Broca, apresentaram respostas que se alinham ao funcionamento em camadas observado em modelos como GPT 2 e Llama 2. As respostas iniciais do cérebro corresponderam às camadas mais superficiais da tecnologia, enquanto as respostas tardias coincidiram com camadas mais profundas.
Esses modelos, conhecidos como Modelos de Linguagem de Grande Porte, trabalham com representações numéricas contínuas e transformações sucessivas. Esse método contrasta com teorias tradicionais da psicolinguística, que defendem estruturas fixas e hierárquicas baseadas em símbolos imutáveis.
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COMO O CÉREBRO FUNCIONA?
Ao ouvir uma frase, o cérebro humano não extrai o sentido de uma só vez. Cada palavra passa por múltiplas etapas neurais, que combinam contexto, tom e significado, de forma semelhante ao que ocorre nos sistemas de processamento de linguagem artificial.
Os dados mostraram que os sinais neurais iniciais se alinham às fases básicas de análise das palavras, enquanto os sinais posteriores refletem a construção do sentido completo da frase. Esse padrão foi mais evidente em regiões cerebrais responsáveis por interpretações linguísticas mais complexas.
Segundo Ariel Goldstein, da Universidade Hebraica de Jerusalém, a principal surpresa foi a semelhança temporal entre o desdobramento do significado no cérebro e as transformações sucessivas realizadas pelos modelos computacionais. Mesmo com estruturas físicas distintas, ambos os sistemas parecem convergir para uma compreensão progressiva da linguagem.
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A descoberta sobre a semelhança da Inteligência Artificial com o cérebro humano aponta que ela pode contribuir para além da geração de textos, e sim, ajudando a decifrar como a mente humana constrói significados de forma flexível e contextual.
Ao desafiar teorias baseadas em símbolos fixos, o estudo abre caminho para novos avanços na neurociência da linguagem e no desenvolvimento de tecnologias inspiradas no cérebro humano.