O manual extra-oficial do ChatGPT (parte 2): como extrair mais inteligência

Recursos pouco explorados e boas práticas que fazem diferença: um roteiro para entender funcionalidades, modos e limites da ferramenta

mãos se aproximam do logotipo do ChatGPT
Créditos: Kemi Taiwo/ Pexels/ ilgmyzin Unsplash

Frank Andrade 4 minutos de leitura

Desde o lançamento do ChatGPT, a OpenAI adicionou uma série de recursos para melhorar a forma como trabalhamos com a ferramenta. Alguns são essenciais para qualquer usuário; outros atendem a necessidades mais específicas. A maioria dessas funções pode ser acessada pelo botão “+”.

Estes são os recursos que todo usuário de ChatGPT deveria conhecer:

  • Web search: permite buscar informações atuais e responder a perguntas contemporâneas.
  • Upload de arquivos: é possível enviar PDFs, planilhas do Excel, documentos do Word e apresentações.
  • Projetos: permitem criar pastas para organizar melhor as conversas.
  • Chats temporários: ideais para perguntas pontuais, evitando bagunça na lista de chats.
  • Modo de voz: possibilita falar com o ChatGPT em vez de digitar (especialmente útil no celular).
Pessoa acessando ChatGPT em notebook
Crédito: imagem criada com auxílio de IA via ChatGPT

Outros recursos são mais avançados e voltados a casos de uso específicos:

  • Criar imagem: ferramenta acessível para iniciantes que gera ou edita imagens a partir de comandos em linguagem natural.
  • Pesquisa profunda (deep research): dedica vários minutos à busca na internet para produzir relatórios completos, com evidências, comparações e raciocínio passo a passo.
  • ChatGPT Agent: pode executar ações na web – visitar sites, clicar em botões, rolar páginas – e trabalhar em direção a um objetivo com mínima intervenção humana.
  • Modo de estudo: voltado ao aprendizado, explica respostas no seu nível, divide temas em etapas e acompanha o que você já dominou ou precisa revisar.
  • GPTs: versões personalizadas do ChatGPT, configuradas com instruções específicas, arquivos de conhecimento e ferramentas para atuar em um tema ou fluxo de trabalho.
  • Personalização: o uso de instruções customizadas e memória permite que o ChatGPT conheça melhor o usuário e entregue respostas mais ajustadas.

Esses recursos também estão disponíveis no aplicativo móvel. No guia completo, o autor explica como configurou o iPhone para aumentar a produtividade com o ChatGPT.

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PRIMEIRA ETAPA: APRIMORAR A FORMA DE ESCREVER PROMPTS

Saber escrever bons prompts é essencial para qualquer pessoa que trabalhe com ferramentas de inteligência artificial. O ChatGPT oferece muitos recursos e modos, mas eles pouco ajudam se o usuário não souber formular pedidos claros.

O prompt básico: tarefa + conceito

Existe uma fórmula completa para criar prompts melhores, mas, para quem está começando, ela pode ser excessiva. Para a maioria das tarefas do dia a dia, dois elementos costumam ser suficientes:

  • Tarefa: o que você quer que o ChatGPT faça
  • Contexto: informações adicionais para gerar uma resposta mais personalizada

Exemplo de prompt:

“Sou um homem de 75 quilos que quer ganhar cinco quilos de massa muscular em um ano. Crie um programa de treino de um ano. Não tenho experiência prévia e posso treinar de quatro a cinco vezes por semana, por 60 a 75 minutos.”

aplicativo ChatGPT no celular
Créditos: NurPhoto/ Contributor/ Getty Images

Nesse caso, a tarefa é criar um programa de treino de um ano, enquanto o contexto traz informações pessoais para personalizar o plano. Para tarefas mais complexas, no entanto, será necessário recorrer a mais elementos da fórmula.

Um passo além: a fórmula completa de prompt

A fórmula completa inclui quatro componentes adicionais:

  • Exemplo: uma resposta curta que mostra o formato desejado
  • Persona: quem o ChatGPT deve “ser” ao responder
  • Formato: estrutura e apresentação exigidas (tabelas, extensão do texto etc.)
  • Tom: estilo da resposta (formal, amigável, direto, entre outros)

Quando tarefa e contexto não forem suficientes, vale adicionar um desses elementos.

Tomemos como exemplo um personal trainer. Para poucos clientes, o prompt básico funciona. Mas, com uma base maior, seria necessário um prompt mais robusto e reutilizável, aplicável a diferentes perfis.

SEGUNDA ETAPA: ENTENDER COMO O GPT-5 FUNCIONA

Antes, o ChatGPT oferecia diversos modelos (o3, 4o, o4-mini). Eles foram consolidados no GPT-5, que decide automaticamente se usará o modo Chat ou Thinking para cada tarefa. O problema é que esse sistema nem sempre acerta, atribuindo pouco raciocínio a tarefas que exigem análise profunda.

Por isso, é recomendável evitar o modo padrão (auto) e escolher manualmente:

  • Instant: respostas rápidas, sem gastar tempo extra em raciocínio.
  • Thinking: respostas mais lentas, porém mais estruturadas, detalhadas e bem fundamentadas.
  • Pro: inteligência de nível avançado para tarefas críticas e de alto impacto.
Tela de notebook no ChatGPT
Crédito: Pixabay

O modo Pro está disponível apenas para assinantes Pro. Para cerca de 95% dos usuários, os modos Instant e Thinking (incluídos no plano Plus) são suficientes.

Um passo além: como conseguir respostas ainda melhores

Há conceitos mais sofisticados que ajudam a extrair respostas melhores do GPT-5 diretamente no ChatGPT web:

  • Seguimento de instruções: evite comandos contraditórios no mesmo prompt, que podem confundir o modelo.
  • Verbosidade: refere-se ao nível de detalhe da resposta. Baixa verbosidade é ideal para informações críticas; alta verbosidade funciona melhor para análises aprofundadas. É possível definir limites de palavras.
  • Otimizador de prompts do GPT-5: ferramenta avançada da OpenAI que identifica instruções contraditórias e outros pontos fracos no prompt.

Este artigo foi republicado com permissão da Wonder Tools , newsletter dedicada a apresentar os sites e aplicativos mais úteis do momento.


SOBRE O AUTOR

Frank Andrade é instrutor de IA e Python, tendo ajudado milhares de pessoas a dominar IA com guias para iniciantes e tutoriais detalh... saiba mais