Character.AI declara falência e vende ativos à Disney

Empresa busca comprador para seus ativos após ações judiciais e negociações que podem definir o futuro da plataforma

IA
Crédito: Architectural Visualization/ Getty Images

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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A Character.AI, plataforma conhecida por permitir conversas com personagens criados por inteligência artificial, entrou com pedido voluntário de falência nos Estados Unidos e iniciou um processo de venda supervisionada pela Justiça. 

A decisão ocorre após meses de dificuldades jurídicas, regulatórias e operacionais que pressionaram a empresa e colocaram em dúvida a continuidade de seus serviços.

Em comunicado publicado na última segunda-feira (12), a companhia afirmou que a venda dos ativos é a melhor alternativa para maximizar o valor do negócio e tentar manter a plataforma em funcionamento.

Caso não encontre uma proposta viável, a empresa poderá encerrar as atividades. Segundo o The Verge, a Disney aparece como principal interessada na aquisição de parte dos ativos.

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PROCESSO DE FALÊNCIA ABRE CAMINHO PARA VENDA

O pedido foi apresentado sob o Chapter 11, mecanismo da legislação dos Estados Unidos que permite reorganizar as finanças e negociar a venda de ativos sob supervisão judicial. A Character.AI estima ter entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em ativos e passivos.

A empresa firmou um acordo inicial de US$ 20 milhões com a Disney pela venda de determinados ativos, incluindo uma licença perpétua e não exclusiva de parte de sua propriedade intelectual. 

No entanto, outras empresas ainda podem apresentar ofertas superiores, e a negociação não significa necessariamente a aquisição de toda a plataforma.

DISPUTAS JUDICIAIS AUMENTARAM A PRESSÃO SOBRE A EMPRESA

Entre os fatores que cercam a crise estão ações judiciais relacionadas à segurança dos chatbots, especialmente no uso por crianças e adolescentes. 

A plataforma permite que usuários conversem com personagens virtuais capazes de simular relações pessoais, interpretar papéis e manter diálogos prolongados.

Um dos casos mais conhecidos foi movido pela família de Sewell Setzer III, adolescente de 14 anos que morreu por suicídio após interações com um chatbot da plataforma, segundo o The Guardian.

A ação alegou que as conversas contribuíram para a morte do jovem. Em janeiro de 2026, a Character.AI e o Google chegaram a um acordo com a família, segundo a Reuters. O caso intensificou o debate sobre os riscos de sistemas de IA que simulam vínculos emocionais com usuários.

O QUE MUDA PARA QUEM USA A CHARACTER.AI?

Por enquanto, a plataforma continua funcionando. A empresa informou que os usuários ainda podem acessar os serviços e que as assinaturas pagas permanecem ativas, com cobrança inalterada neste momento.

A Character.AI também declarou que pretende avisar os assinantes com antecedência caso alguma mudança afete os recursos pagos.

Sobre os dados e as conversas, a empresa afirmou que as práticas de privacidade e segurança continuam seguindo sua política atual. Os usuários podem excluir suas contas ou exportar os dados pelo aplicativo ou pelo site.

A empresa espera concluir o processo de venda até o fim de novembro ou início de dezembro de 2026.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais