Real ou fake? Aprenda a identificar vídeos falsos de uma vez por todas

Entenda quais são os erros mais comuns que denunciam vídeos feitos por Inteligência Artificial

Robô gravando vídeo
Plataformas especializadas conseguem criar vídeos altamente realistas em poucos segundos. Crédito: imagem gerada com auxílio de IA ChatGPT.

Guynever Maropo 3 minutos de leitura

Imagens e vídeos gerados por Inteligência Artificial circulam com cada vez mais nas redes sociais e desafiam a capacidade de identificação até de usuários mais experientes.

Além de confundir o público, esse tipo de conteúdo já esteve ligado a golpes financeiros, desinformação em larga escala e até reações no mercado financeiro. O avanço rápido da tecnologia reduziu as diferenças visíveis entre o que é real e o que é sintético.

Cenas improváveis, como versões infantis de celebridades, personagens históricos produzindo conteúdos digitais ou animais vivendo situações humanas, passaram a se espalhar com facilidade.

Plataformas especializadas conseguem criar vídeos altamente realistas em poucos segundos, o que aumenta o risco de engano quando o conteúdo é consumido fora de contexto ou sem verificação prévia.

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Diante desse cenário, a atenção do público se tornou parte essencial do consumo de informação digital. Identificar sinais técnicos, analisar o contexto e questionar a qualidade das cenas são passos fundamentais para evitar cair em armadilhas visuais criadas por algoritmos cada vez mais sofisticados.

COMO IDENTIFICAR VÍDEOS CRIADOS POR IA

Não existe um método único e infalível para confirmar se um conteúdo foi gerado por Inteligência Artificial. Mas a identificação depende da observação combinada de diferentes elementos visuais, sonoros e contextuais que, juntos, ajudam a levantar suspeitas sobre a autenticidade do material.

Entre os principais pontos estão falhas em movimentos, incoerências físicas, erros em detalhes humanos e situações que não fazem sentido quando analisadas com mais atenção. A seguir, veja os sinais mais comuns.

FALHAS EM MOVIMENTOS E DETALHES HUMANOS

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Rostos excessivamente lisos, ausência de poros, expressões repetitivas e movimentos labiais fora de sincronia com o áudio são indícios frequentes. A fala pode soar artificial, com entonação pouco natural, especialmente quando o idioma é o mesmo do espectador, o que facilita a percepção de erros sutis de pronúncia e ritmo.

Partes do corpo defeituosa também aparecem com frequência. Mãos com dedos a mais, membros em posições impossíveis ou proporções corporais estranhas costumam denunciar conteúdos gerados por Inteligência Artificial, principalmente em cenas de contato físico, como abraços ou apertos de mão.

QUEBRA DAS LEIS DA FÍSICA E ERROS DE CENA

Movimentos que desafiam a física são outro sinal de alerta. Objetos que flutuam sem motivo, acelerações abruptas, líquidos com comportamento estranho e tecidos que não reagem ao vento de forma natural indicam manipulação digital.

A iluminação também entrega muitos desses conteúdos. Sombras desalinhadas, reflexos incoerentes, luz piscando entre quadros e elementos que parecem colados ao fundo comprometem a sensação de realismo. Quanto mais complexa a cena, maior a chance de surgirem erros em segundo plano, como pessoas deformadas, objetos duplicados ou paisagens artificiais.

CONTEXTO, PLAUSIBILIDADE E ORIGEM DO CONTEÚDO

Além da análise técnica, o contexto é decisivo. Avaliar quem publicou os vídeos, qual é o histórico da conta, se há identificação clara de fonte e se a cena faz sentido no mundo real ajuda a esclarecer dúvidas. Situações absurdas, produções sofisticadas sem autoria confiável ou conteúdos que imitam formatos televisivos conhecidos merecem atenção redobrada.

Os comentários também funcionam como termômetro coletivo. Muitas vezes, outros usuários já apontaram falhas, levantaram questionamentos ou compartilharam links de checagem que ajudam a entender a origem do material.

Nos últimos anos, os erros mais evidentes diminuíram rapidamente nos últimos anos, tornando a detecção visual cada vez mais difícil. Por isso, ferramentas como busca reversa de imagem e vídeos passaram a ser aliadas importantes para verificar a procedência do conteúdo.

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No médio e longo prazo, a tendência é o avanço de soluções técnicas, como marcas d’água invisíveis e metadados incorporados aos arquivos, que permitam rastrear a origem dos vídeos sem afetar a experiência do público.


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte... saiba mais