Sabesp adota tecnologia com IA para monitorar intervenções nas cidades

A iniciativa ocorre em municípios atendidos pela companhia em São Paulo e utiliza soluções da empresa brasileira Intelicity

Sabesp adota tecnologia com IA
Foto: Divulgação

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

Diversos estados brasileiros estão adotando processos de modernização operacional ao ampliar o uso de tecnologias de monitoramento inteligente para acompanhar intervenções realizadas em vias urbanas.

Recentemente, a A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), se integrou ao movimento em parceria com a empresa brasileira Intelicity. O projeto busca aprimorar a fiscalização de obras, aumentar o controle sobre recomposições de pavimento e melhorar a gestão das atividades realizadas em ruas e avenidas.

A nova etapa do projeto integra câmeras inteligentes, sensores conectados e sistemas de visão computacional capazes de registrar informações diretamente nas ruas.

A tecnologia transforma a coleta de evidências de campo em um processo digital que permite acompanhar, documentar e avaliar as intervenções feitas pela companhia.

Com o uso dessas ferramentas, os registros passam a ser analisados de forma automatizada, o que facilita a verificação de conformidade das obras e melhora a organização dos dados relacionados às intervenções em pavimentos urbanos.

VEÍCULOS EQUIPADOS IDENTIFICAM PROBLEMAS NAS RUAS

O modelo adotado prevê a instalação de kits tecnológicos em veículos utilizados nas operações, esses equipamentos incluem câmeras e sensores capazes de detectar irregularidades no pavimento enquanto os carros percorrem as cidades.

Algumas prefeituras, como a de Capivari, já utilizam o monitoramento para aplicar multas em infratores. A IA da cidade identifica individuos jogando lixo na rua, por exemplo, e emite alerta.

Por meio de visão computacional e sensores inerciais, esse tipo de sistema consegue identificar:

  • Buracos;
  • Fissuras no asfalto;
  • Desníveis em poços de visita;
  • Escorregamentos; e
  • Possíveis sinais de vazamentos.

As informações captadas são cruzadas automaticamente com os ativos e serviços da Sabesp, o que ajuda a identificar ocorrências ligadas às intervenções da companhia.

As imagens coletadas passam por análise inteligente que interpreta os registros feitos em campo e valida se as recomposições de pavimento atendem aos padrões técnicos estabelecidos.

INTEGRAÇÃO COM PREFEITURAS E GESTÃO DE DADOS

A solução também foi estruturada para funcionar em escala em diferentes cidades. O sistema pode ser integrado às plataformas digitais das prefeituras, criando uma base de dados que amplia a rastreabilidade das intervenções realizadas.

Com isso, os registros passam a seguir um padrão único, o que reduz retrabalhos e fortalece o controle de qualidade das obras executadas. A organização das informações também facilita auditorias e contribui para o planejamento de novas ações de manutenção urbana.

IA NO CENTRO DAS OPERAÇÕES

Para a Intelicity, a iniciativa representa um passo importante na aplicação de Inteligência Artificial (IA) em operações de campo.

Segundo a empresa, o objetivo é transformar dados captados nas ruas em informações estratégicas que possam orientar decisões operacionais e melhorar a eficiência das atividades.

“Estamos levando inteligência artificial para o centro da operação de campo. Nosso objetivo é transformar dados capturados nas ruas em informação estratégica para decisão, com rastreabilidade, transparência e ganho de eficiência em larga escala”, afirma o porta voz da Intelicity.

A empresa afirma que a tecnologia permite integrar grandes volumes de dados e automatizar análises, criando uma base confiável para acompanhamento de serviços e planejamento de longo prazo.

CONTRAPONTOS DESTE TIPO DE MONITORAMENTO

Apesar da tecnologia se mostrar eficiente no acompanhamento de vias, algumas preocupações legais precisam ser discutidas mais a fundo.

Segundo apontado pelo JusBrasil e pelo Gov, a adoção desses sistemas também traz desafios importantes de ordem legal, técnica e social. Entre os principais riscos está a possível violação de privacidade, já que a coleta contínua de imagens e dados pode registrar trabalhadores e pedestres sem consentimento, o que exige atenção às regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Há ainda questões técnicas, como falhas de equipamentos, baixa durabilidade de sensores e vulnerabilidades que podem expor informações sensíveis de infraestrutura a ataques cibernéticos. Outro ponto crítico é o uso dessas ferramentas para monitorar trabalhadores sem transparência ou acordo prévio, o que pode configurar abuso nas relações de trabalho.

Além disso, confiar excessivamente em sistemas automatizados de detecção de riscos pode gerar uma falsa sensação de segurança se não houver medidas físicas de proteção no canteiro de obras. A implementação dessas tecnologias envolve custos elevados e depende de infraestrutura de conectividade constante, o que nem sempre é garantido em todas as áreas urbanas.

Sem análise adequada dos dados coletados, o grande volume de informações também pode dificultar a tomada de decisões eficazes pelos gestores públicos.

A medida da Sabesp, faz parte de um movimento de digitalização das operações e de melhoria da governança sobre serviços executados nas cidades atendidas, mas é preciso manter essa atenção para a segurança dos monitorados.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais