Sam Altman diz que o mundo deve aceitar “algumas coisas ruins” causadas pela IA

Em entrevista, o CEO da OpenAI defendeu uma regulação mais leve e afirmou que os usos positivos da tecnologia superarão os danos. A declaração provocou críticas nas redes e entre políticos americanos

Montagem de Sam Altman em preto e branco diante de uma paisagem alaranjada com solo rachado, silhuetas escuras e efeitos de falha digital.
Créditos: Flor Ibañez via Pexels / NASA via Unsplash / Prime Minister's Office (GODL-India) via Wikimedia Commons

Jude Cramer 3 minutos de leitura
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No último mês, a desaceleração do desenvolvimento da inteligência artificial esteve no centro do debate sobre a tecnologia. Depois que um ex-funcionário da OpenAI e da Anthropic deixou o setor em setembro, afirmando que “nenhuma das duas empresas está agindo de maneira responsável”, líderes da indústria e cidadãos comuns se manifestaram sobre a possibilidade de um cenário apocalíptico provocado pela IA.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, respondeu com um ensaio sobre a importância de controlar o ritmo de avanço dos modelos mais avançados — ou seja, desacelerar o desenvolvimento da IA para priorizar a segurança. Na época, Sam Altman, CEO da OpenAI, concordou com Amodei e escreveu nas redes sociais que o desenvolvimento da IA “deveria ser mais lento do que poderia ser”.

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Mas, em uma nova entrevista, Altman parece ter mudado de discurso. Ele afirmou que a postura menos rígida da OpenAI em relação à segurança da IA diferencia a empresa da Anthropic — e que algumas “coisas ruins” que podem acontecer em consequência disso são um mal necessário.

No Decoded, podcast do Politico, o apresentador Brendan Bordelon perguntou a Altman em que pontos a OpenAI divergia da Anthropic e de seu “CEO favorável à regulação” nas políticas para a IA.

“Uma das diferenças entre nós e algumas das pessoas que defendem uma segurança mais rigorosa para a IA é que acreditamos que o mundo deveria aceitar que algumas coisas ruins aconteçam em troca dos benefícios dessa tecnologia”, respondeu Altman.

“Acredito que a postura de regulação mais leve que defendemos implica aceitar que algumas coisas ruins vão acontecer enquanto a sociedade aprende a desenvolver resiliência”, continuou.

“Eu não aceitaria uma troca que consistisse em dizer que vamos garantir que não haja grandes ataques cibernéticos, nenhum uso indevido dessa tecnologia, zero golpes ou todas as outras coisas ruins que vão acontecer, porque acredito que as pessoas farão uma quantidade imensamente maior — por ordens de grandeza — de coisas boas do que ruins.”

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“POR QUE AS PESSOAS NÃO ESTÃO SE REVOLTANDO?”

Os comentários de Altman viralizaram imediatamente. Publicação após publicação criticou o executivo por aparentemente dar mais valor ao avanço da IA do que à segurança das pessoas.

“Por que essa pessoa tem alguma autoridade sobre nós? Por que as pessoas não estão se revoltando?”, escreveu um usuário no X, em uma publicação que acumulou mais de 445 mil visualizações.

“Por que estamos simplesmente deixando esses caras da tecnologia tomarem essas decisões por nós? Em que momento decidimos que não temos nenhum poder de escolha?”, questionou outro usuário. “É fácil dizer que o mundo precisa ‘aceitar que algumas coisas ruins aconteçam’ quando não é você quem vai sofrer essas coisas ruins!”

“Imagine o CEO da Boeing dizendo que o mundo deveria aceitar algumas quedas de avião para acelerar a inovação na aviação”, escreveu uma terceira pessoa. “Ele estaria fora do cargo antes do almoço.”

Políticos dos dois partidos também se manifestaram. Entre os republicanos, o governador da Flórida, Ron DeSantis, questionou a autoridade de Altman sobre as políticas de IA.

“E um punhado de oligarcas da tecnologia pode tomar essa decisão pelo resto de nós? Nem pensar”, escreveu.

Democratas, como o governador de Illinois, JB Pritzker, também criticaram a posição de Altman.

“Sam Altman não deveria tomar nenhuma decisão em nome de todos nós sobre quais ‘coisas ruins’ temos de aceitar”, escreveu Pritzker. “Não me sinto confortável com isso. Nenhum de nós deveria se sentir, especialmente quando se trata de IA.”

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A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts, também se manifestou, classificando a declaração de Altman como “absurda”.

“Devemos rejeitar que bots de IA façam ‘coisas ruins’ para que algumas das empresas mais ricas do mundo fiquem ainda mais ricas”, escreveu. “É hora de fazer cumprir as leis que já existem, regular a IA e proteger as pessoas de danos graves.”


SOBRE O AUTOR

Jude Cramer é um jornalista e crítico premiado pela NLGJA e indicado ao GLAAD Media Award, com foco em histórias sobre entretenimento,... saiba mais