Shopping de “De volta para o futuro” pode virar data center

O shopping que inspirou o Twin Pines Mall do filme de 1985 pode dar lugar a uma instalação de 10 megawatts, mas a comunidade local se opõe à proposta

Shopping de “De Volta para o Futuro” pode virar data center
Créditos: Orhan Turan/Getty Images/ Magnific

Chris Morris 3 minutos de leitura
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O shopping Puente Hills Mall, localizado na cidade de Industry, no sul da Califórnia, é mais conhecido pelos fãs de "De volta para o futuro" como o Twin Pines Mall.

Caso você não tenha assistido ao filme, é lá que Marty McFly e Doc Brown são perseguidos por terroristas insatisfeitos porque Doc havia roubado o plutônio deles.

O local era um shopping de verdade quando o filme foi rodado. Mas, como tantos outros centros comerciais nos Estados Unidos, acabou vítima da pandemia e da ascensão das compras online.

Em vez de fechar as portas, porém, os proprietários do imóvel esperam transformá-lo em um complexo com dois galpões logísticos, uma estação de transporte coletivo por ônibus e um data center de 10 megawatts.

Considerando os data centers atuais, não se trata de uma instalação especialmente grande – as instalações de hiperescala podem chegar a mil megawatts. Ainda assim, o projeto é suficiente para provocar a reação contrária de moradores da região.

Por enquanto, a proposta não passa disso. As autoridades municipais ainda não aprovaram a transformação do shopping, praticamente vazio, em um complexo de data centers.

Na verdade, há duas propostas distintas para o imóvel. Uma prevê a construção de dois galpões, com a possibilidade de converter um deles em data center.

A segunda combina empreendimentos industriais e comerciais, com a construção de um galpão ou de um galpão acompanhado de um data center, além de vários novos edifícios comerciais.

Shopping de “De Volta para o Futuro” pode virar data center
Crédito: Universal Pictures

O Puente Hills Mall foi usado nas cenas externas do fictício Twin Pines Mall no filme de 1985. Inaugurado originalmente na década de 1970, o shopping perdeu o brilho aos olhos dos consumidores.

Embora ainda tenha entre 100 mil e 110 mil metros quadrados de área locável, hoje restam basicamente um cinema da AMC e o Round1, um espaço de entretenimento com jogos de fliperama e pistas de boliche.

Apesar disso, o shopping continua atraindo visitantes graças à popularidade duradoura da trilogia "De volta para o futuro". O imóvel foi comprado há dois anos por US$ 115 milhões, segundo informações divulgadas na época.

FORTE OPOSIÇÃO

Um grupo de moradores organizou uma mobilização contra os planos de construir o data center, argumentando que a instalação vai piorar a qualidade do ar na cidade de Industry, aumentar a poluição sonora e elevar as contas de serviços públicos.

Além disso, o grupo afirma que o shopping representa um importante terceiro espaço para a comunidade: um lugar onde as pessoas podem se reunir e socializar fora de casa, do trabalho ou da escola.

“Conheci meu marido aqui em 2001”, contou a organizadora dos protestos, Falynn Love, à rádio KCRW-FM. “Ele estava aqui com um amigo para ir ao cinema e eu estava com minha prima, também para ir ao cinema.”

Shopping de “De Volta para o Futuro” pode virar data center
Crédito: Universal Pictures

Embora algumas cidades da Califórnia, como a vizinha Baldwin Park, tenham adotado moratórias temporárias para a construção de data centers, a cidade de Industry não é Hill Valley.

Industry tem uma população muito menor que a de seus vizinhos e 92% de seu território está zoneado para uso industrial. Isso pode dificultar os esforços dos opositores para impedir a transformação do shopping.

“Quem vive nas áreas não incorporadas do condado de Los Angeles vai acabar arcando com os impactos – os efeitos sobre a saúde pública e os danos ambientais –, sem nenhuma solução, possibilidade de recurso ou mecanismo de fiscalização neste momento”, afirmou Sam Brown-Vázquez, organizador do grupo No Data Centers San Gabriel Valley, segundo o site LAist.

Leia mais: Expansão de data centers no Brasil pode multiplicar consumo de energia em 20 vezes até 2038

Mas as autoridades locais parecem menos sensíveis à oposição. Em fevereiro, o Conselho Municipal aprovou mudanças nas leis de zoneamento que, segundo os críticos, permitiriam a instalação de sistemas de armazenamento de energia em baterias e data centers em toda a cidade.

Infelizmente para os opositores, não existe um DeLorean capaz de levar o shopping de volta aos seus dias de glória.


SOBRE O AUTOR

Chris Morris é jornalista, escritor, editor e apresentador especializado em tecnologia, games e eletrônicos. saiba mais