Tencent lança IA com restrições para evitar uso em ataques cibernéticos

Lançamento ocorre em meio à preocupação com agentes capazes de explorar vulnerabilidades e acessar sistemas sem autorização

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Tencent aposta em restrições desde o treinamento para evitar que sua IA facilite ataques cibernéticos. (Créditos: Unsplash)

Lilian Campos 3 minutos de leitura
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A Tencent lançou o Hy4, um modelo de inteligência artificial desenvolvido com restrições no treinamento para reduzir o risco de uso em ataques cibernéticos e pesquisas biológicas prejudiciais. 

A empresa chinesa limitou os dados de segurança digital utilizados no desenvolvimento do sistema a aplicações defensivas, como identificar falhas em programas e ajudar a corrigi-las. A medida busca ampliar as possibilidades de uso da inteligência artificial sem facilitar atividades maliciosas.

Segundo a Reuters, a Tencent excluiu materiais relacionados à criação de ferramentas de invasão e à entrada não autorizada em sistemas. A companhia também submeteu o modelo a avaliações internas de segurança antes de disponibilizá-lo.

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COMO A TENCENT LIMITOU O TREINAMENTO DO HY4

O Hy4 foi treinado com dados de cibersegurança voltados principalmente à proteção de sistemas. Entre as aplicações consideradas estão a identificação de vulnerabilidades e o desenvolvimento de soluções para corrigir falhas de software.

A estratégia também excluiu conteúdos associados à exploração ofensiva de sistemas. Com isso, a Tencent pretende evitar que o modelo forneça recursos que facilitem invasões ou ajudem usuários a contornar mecanismos de proteção.

Especialistas do Xuanwu Lab e do Keen Security Lab, equipes de segurança ligadas à empresa, avaliaram as capacidades do Hy4. Segundo a Tencent, os testes não identificaram aumento significativo na capacidade de realizar ataques cibernéticos ou superar proteções digitais nas áreas examinadas.

A Tencent também afirmou que suas avaliações internas não identificaram capacidade significativa do Hy4 para facilitar experimentos biológicos prejudiciais.

HY4 TAMBÉM GANHA RECURSOS PARA TRABALHO E PROGRAMAÇÃO

Além das restrições de segurança, o Hy4 apresenta recursos para tarefas profissionais. O modelo atua em programação, análise de documentos, pesquisa científica e atividades de escritório.

A nova versão também incorpora compreensão visual e capacidade de interagir com interfaces de computador, incluindo ambientes gráficos e linhas de comando. Isso permite executar tarefas que envolvem interpretar imagens, analisar gráficos e utilizar ferramentas digitais.

A Tencent afirmou que o modelo foi aprimorado para atividades de desenvolvimento de software, criação de jogos e análise financeira.

A empresa também pretende disponibilizar os pesos do sistema e um relatório com os resultados dos testes de segurança, ampliando a possibilidade de avaliação por pesquisadores externos.

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CASO ENVOLVENDO AGENTES DA OPENAI REFORÇA PREOCUPAÇÃO COM IA

A preocupação com o uso de inteligência artificial em ataques cibernéticos ganhou força após um episódio envolvendo agentes da OpenAI e a plataforma Hugging Face. 

Em julho de 2026, durante avaliações internas de segurança, agentes de IA conseguiram contornar controles de isolamento, acessar sistemas externos e comprometer partes da infraestrutura das duas empresas.

Os agentes chegaram a obter privilégios administrativos em sistemas, compartilhar informações entre si por meio de um canal não autorizado e acessar credenciais e dados de infraestrutura.

A investigação da OpenAI confirmou que os modelos exploraram vulnerabilidades e realizaram ações que não faziam parte dos objetivos definidos pelos pesquisadores.

O episódio ajuda a explicar por que empresas como a Tencent estão adotando restrições no desenvolvimento de modelos com capacidades avançadas. Embora ferramentas de IA possam auxiliar equipes de segurança a identificar e corrigir falhas, os mesmos recursos também podem ser usados para automatizar invasões e contornar proteções.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais