A Meta tentou substituir equipes por agentes de IA. O plano implodiu
Projeto ambicioso de Zuckerberg enfrentou resistência dos funcionários

Mark Zuckerberg tinha um plano ambicioso para transformar a Meta em uma empresa “nativa de IA”, com ferramentas capazes de assumir parte significativa do trabalho realizado por funcionários.
A estratégia, batizada internamente de Project OT (Organization Transformation), previa equipes menores e maior uso de agentes de inteligência artificial. Mas a iniciativa acabou sendo parcialmente abandonada após resistência dos funcionários e problemas de produtividade.
Segundo a investigação da Reuters, executivos chegaram a considerar cenários nos quais algumas equipes da Meta teriam seu tamanho reduzido em até 60%.
O projeto seria executado em duas ondas: uma em maio e outra em novembro. A segunda etapa, porém, foi cancelada pouco antes da primeira rodada de demissões.
Leia também: Sam Altman, Elon Musk e Mark Zuckerberg: a geração Z não confia em vocês
COMO FUNCIONARIA A META “NATIVA DE IA”?
A ideia era substituir parte dos processos tradicionais por equipes menores, chamadas de pods, formadas por poucos profissionais e apoiadas por ferramentas de inteligência artificial.
Em um dos modelos estudados, grupos de três a cinco integrantes substituiriam equipes tradicionais de 10 a 20 pessoas, profissionais generalistas assumiriam funções especializadas e diferentes equipes compartilhariam especialistas.
A Meta também pretendia automatizar fluxos de trabalho e usar agentes de IA para auxiliar na definição de prioridades e na execução de tarefas.
POR QUE O PLANO COMEÇOU A DESANDAR?
Um dos principais problemas foi a reação dos funcionários. Muitos passaram a acreditar que a transformação de IA tinha como objetivo substituí-los.
O clima interno piorou, e uma pesquisa de satisfação da própria Meta mostrou uma queda de 74% para 55% no índice favorável entre os funcionários.
A resistência aumentou após a empresa anunciar uma redução de 10% da força de trabalho em maio. Funcionários também criticaram mudanças que envolviam o uso de dados de suas atividades para treinar sistemas de IA.
Ao mesmo tempo, os resultados da tecnologia não correspondiam às expectativas.
IA GEROU MAIS CÓDIGO, MAS NÃO O MESMO GANHO
Dados internos analisados pela Reuters mostraram que o uso de IA aumentou bastante a quantidade de código produzido pelos funcionários. As alterações em plataformas internas cresceram 220% em relação ao ano anterior.
O crescimento de funcionalidades novas ou aprimoradas, porém, foi de apenas 36%. Segundo publicações internas, também houve problemas de confiabilidade e segurança relacionados ao aumento do uso de agentes de IA.
Em junho, incidentes técnicos considerados relevantes haviam aumentado 40%, enquanto o tempo gasto pelos funcionários para resolver esses problemas cresceu 70%, segundo dados internos citados pela Reuters.
ZUCKERBERG RECUOU
Diante da resistência e dos resultados abaixo do esperado, Zuckerberg cancelou a segunda onda de reestruturação planejada para novembro. A Meta manteve a redução de 10% realizada em maio, mas o CEO afirmou posteriormente que não esperava novas demissões em escala corporativa naquele ano.
Em julho, Zuckerberg reconheceu que houve erros de cálculo no momento da reorganização e afirmou que os agentes de IA não haviam evoluído tão rapidamente quanto esperava.
A Meta confirmou a existência do Project OT à Reuters, mas declarou que o projeto buscava reduzir custos, reorganizar equipes e transferir funcionários para áreas prioritárias.
A empresa também ressaltou que os cenários mais extremos não significavam demitir 60% de toda a companhia.