A Meta tentou substituir equipes por agentes de IA. O plano implodiu

Projeto ambicioso de Zuckerberg enfrentou resistência dos funcionários

Meta tentou substituir equipes por agentes de IA mas não deu certo
Créditos: Getty Images/ Magnific

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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Mark Zuckerberg tinha um plano ambicioso para transformar a Meta em uma empresa “nativa de IA”, com ferramentas capazes de assumir parte significativa do trabalho realizado por funcionários. 

A estratégia, batizada internamente de Project OT (Organization Transformation), previa equipes menores e maior uso de agentes de inteligência artificial. Mas a iniciativa acabou sendo parcialmente abandonada após resistência dos funcionários e problemas de produtividade.

Segundo a investigação da Reuters, executivos chegaram a considerar cenários nos quais algumas equipes da Meta teriam seu tamanho reduzido em até 60%.

O projeto seria executado em duas ondas: uma em maio e outra em novembro. A segunda etapa, porém, foi cancelada pouco antes da primeira rodada de demissões.

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COMO FUNCIONARIA A META “NATIVA DE IA”?

A ideia era substituir parte dos processos tradicionais por equipes menores, chamadas de pods, formadas por poucos profissionais e apoiadas por ferramentas de inteligência artificial.

Em um dos modelos estudados, grupos de três a cinco integrantes substituiriam equipes tradicionais de 10 a 20 pessoas, profissionais generalistas assumiriam funções especializadas e diferentes equipes compartilhariam especialistas.

A Meta também pretendia automatizar fluxos de trabalho e usar agentes de IA para auxiliar na definição de prioridades e na execução de tarefas.

POR QUE O PLANO COMEÇOU A DESANDAR?

Um dos principais problemas foi a reação dos funcionários. Muitos passaram a acreditar que a transformação de IA tinha como objetivo substituí-los. 

O clima interno piorou, e uma pesquisa de satisfação da própria Meta mostrou uma queda de 74% para 55% no índice favorável entre os funcionários.

A resistência aumentou após a empresa anunciar uma redução de 10% da força de trabalho em maio. Funcionários também criticaram mudanças que envolviam o uso de dados de suas atividades para treinar sistemas de IA.

Ao mesmo tempo, os resultados da tecnologia não correspondiam às expectativas.

IA GEROU MAIS CÓDIGO, MAS NÃO O MESMO GANHO

Dados internos analisados pela Reuters mostraram que o uso de IA aumentou bastante a quantidade de código produzido pelos funcionários. As alterações em plataformas internas cresceram 220% em relação ao ano anterior.

O crescimento de funcionalidades novas ou aprimoradas, porém, foi de apenas 36%. Segundo publicações internas, também houve problemas de confiabilidade e segurança relacionados ao aumento do uso de agentes de IA.

Em junho, incidentes técnicos considerados relevantes haviam aumentado 40%, enquanto o tempo gasto pelos funcionários para resolver esses problemas cresceu 70%, segundo dados internos citados pela Reuters.

ZUCKERBERG RECUOU

Diante da resistência e dos resultados abaixo do esperado, Zuckerberg cancelou a segunda onda de reestruturação planejada para novembro. A Meta manteve a redução de 10% realizada em maio, mas o CEO afirmou posteriormente que não esperava novas demissões em escala corporativa naquele ano.

Em julho, Zuckerberg reconheceu que houve erros de cálculo no momento da reorganização e afirmou que os agentes de IA não haviam evoluído tão rapidamente quanto esperava.

A Meta confirmou a existência do Project OT à Reuters, mas declarou que o projeto buscava reduzir custos, reorganizar equipes e transferir funcionários para áreas prioritárias.

A empresa também ressaltou que os cenários mais extremos não significavam demitir 60% de toda a companhia.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais