Aparelho usa IA para “ouvir” plantas e identificar sinais de estresse

Novo sensor portátil interpreta sinais elétricos de árvores e vegetais para identificar suas necessidades e ajudar agricultores a tomar decisões

monitoramento de plantas
Crédito: Electric Plant Co.

Hunter Schwarz 3 minutos de leitura
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Se as plantas pudessem falar, talvez nos ajudassem a compreender melhor as condições ambientais. Um novo sensor foi desenvolvido justamente para isso: usar inteligência artificial para escutar e traduzir a linguagem das plantas em dados que os seres humanos possam compreender.

O Bud, da Electric Plant Co., é um sensor portátil, leve e de baixo custo, que se conecta às plantas por meio de duas sondas. O dispositivo detecta e interpreta os sinais elétricos produzidos naturalmente pelos vegetais.

Dois parafusos de aço inoxidável mantêm o sensor fixado, e ele pode ser instalado em plantas cujo caule tenha pelo menos 2,5 centímetros de espessura. Quando utilizado em árvores, é sensível o suficiente para alcançar a camada do câmbio, tecido que separa a casca da madeira.

Assim como todos os seres vivos, as plantas produzem eletricidade. Segundo a empresa, ao monitorar e decodificar os sinais elétricos emitidos por elas em resposta a estímulos ambientais, o sensor consegue reunir informações sobre condições como hidratação e estresse.

“A própria planta é a tecnologia sofisticada”, afirma Justin Mast, cofundador e CEO da Electric Plant.

“Plantas e árvores têm milhões de pequenos microrreceptores que processam informações sobre o mundo ao redor e coordenam muitas de suas respostas físicas por meio de sinais eletroquímicos. É nisso que estamos nos concentrando e que estamos tentando escutar.”

TRADUZINDO A LINGUAGEM DAS PLANTAS

Outras empresas também estão trabalhando para traduzir as necessidades das plantas em uma linguagem compreensível para as pessoas. Uma delas é a Vivent Biosignals, empresa suíça de inteligência vegetal que também utiliza IA e anunciou, em julho, ter ultrapassado a marca de dois milhões de dias de monitoramento de plantas.

Já Ben Beavers, fundador da Smarty Plants, startup britânica que fabrica sensores instalados no solo para monitorar plantas domésticas, apresentou seu produto em um episódio de um reality show de empreendedorismo da BBC.

Ben Beavers apresenta a Smarty Plants em um reality show (Crédito: Reprodução de tela)

No caso da Electric Plant, seu modelo de IA, chamado Bombadil, foi treinado com mais de quatro milhões de horas de sinais elétricos provenientes de mais de 1,4 mil plantas de 100 espécies. A base inclui desde tomateiros, coleus e plantas comuns de jardim até sequoias, macieiras, amendoeiras e carvalhos.

O modelo estima sete indicadores fisiológicos de estresse a partir dos sinais elétricos das plantas, como a eficiência operacional do fotossistema e a diferença de temperatura entre as folhas e o ar. Em seguida, transforma essas informações em análises sobre as condições dos vegetais.

Em um mundo que está ficando mais quente e no qual os preços de insumos como fertilizantes estão subindo, a tecnologia abre a possibilidade de tornar o cultivo mais eficiente e aumentar as chances de sucesso das plantações.

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Crédito: Electric Plant Co.

Mast, que também fundou a Bloomscape, serviço de entrega direta ao consumidor de plantas para ambientes internos, afirma que aprendeu na prática, enquanto trabalhava na empresa, como é difícil orientar as pessoas sobre as necessidades das plantas em cada momento.

Isso depende de fatores como a quantidade de luz solar recebida, a região do mundo em que a planta está, seu tamanho e até se ela fica próxima a um aquecedor. “Tudo depende muito do contexto”, afirma.

Isso também vale para os setores florestal e agrícola. “Nesses setores, há profissionais muito mais capacitados, mas é realmente difícil ampliar esse nível de atenção e esse entendimento sobre o que as plantas precisam e desejam”, diz Mast.

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Crédito: Electric Plant Co.

Mudanças nas condições de cultivo, como nos horários de rega ou na quantidade de nutrientes, podem levar semanas ou meses para produzir sinais visíveis. Com seu sistema, a Electric Plant promete fornecer informações mais rapidamente, abrindo novas possibilidades operacionais.

“No fundo, trata-se de ter acesso à linguagem interna que circula pelas plantas e árvores, para que possamos compreender melhor como elas vivenciam o mundo e cuidar delas de maneira mais adequada”, afirma Mast.


SOBRE O AUTOR

Hunter Schwarz é colaborador da Fast Company e acompanha de perto os pontos de contato entre design e publicidade, branding, negócios,... saiba mais