As 5 grandes mudanças no impacto social e na sustentabilidade em 2026

Encontrar espaços seguros para reflexão, troca de conhecimento e colaboração se torna prioridade máxima para líderes de impacto

setas apontando para o alto indicam crescimento sustentável
Créditos: Deagreez/ Getty Images/ Felix Mittermeier/ Pexels

Susan McPherson 5 minutos de leitura

No universo do impacto social e da sustentabilidade, a palavra do ano de 2025 poderia muito bem ter sido “ventos contrários”. O termo virou um eufemismo para tudo – da pressão política e mudanças regulatórias à incerteza econômica, à disrupção provocada pela IA e à agitação social.

Mas, em muitos sentidos, “ventos contrários” é até pouco para descrever o que líderes de impacto e sustentabilidade, tanto no setor corporativo quanto no terceiro setor, tiveram de enfrentar.

Ao longo de grande parte do ano passado, esses líderes já vinham recalibrando estratégias para avançar em suas missões diante desse cenário. Em 2026, começaremos a ver essas novas abordagens ganhando forma na prática.

Com base em entrevistas com dezenas de especialistas, estes são cinco grandes movimentos para acompanhar em 2026 no campo do impacto social e da sustentabilidade.

1. A evolução da narrativa da sustentabilidade

Uma das mudanças mais visíveis é que o impacto social e a sustentabilidade estão se tornando muito menos… visíveis. Por anos, empresas assumiram compromissos ousados, estabeleceram metas ambiciosas e investiram em narrativas envolventes – nem sempre postas em prática. A tendência foi tão marcante que levou o Merriam-Webster a incluir o termo greenwashing em seu dicionário, em 2022.

O ano de 2025 pareceu uma correção de rota. Diante de um novo cenário de riscos e maior atenção política, muitas empresas entraram em um período de greenhushing – quando evitam falar publicamente sobre suas iniciativas de sustentabilidade.

Por isso, 2026 tende a trazer uma nova narrativa, ancorando a comunicação sobre sustentabilidade em desempenho de negócios e rigor operacional — que sempre foi, afinal, o verdadeiro destino da agenda.

“As melhores empresas não estão apenas fazendo promessas; elas estão construindo e executando soluções que escalam, são mensuráveis e geram retorno”, diz Dave Stangis, diretor de sustentabilidade da empresa de gestão de ativos Apollo Global Management. “Ver capital, inovação e resultados caminhando juntos sempre me deixa otimista.”

2. Adoção de um novo mindset de liderança

Uma organização focada em resultados exige líderes igualmente focados. Mas, como observa Alison Taylor, diretora do grupo de pesquisa Ethical Systems, a sequência de disrupções em 2025 tornou isso especialmente difícil.

“Muitas das premissas centrais da sustentabilidade já não se aplicam e há uma necessidade de redefinir a profissão. Os profissionais com quem converso estão lutando com terminologia, riscos jurídicos e ameaças aos seus papéis. Embora muito trabalho relevante esteja acontecendo nos bastidores, é difícil para a maioria dos líderes manter o ritmo, pois há incêndios demais para apagar”.

união pelo meio ambiente e responsabilidade social/ ESG
Crédito: Threeart e Pict Rider/ Getty Images

Em 2026, novos "incêndios" vão surgir, mas a pressão por resultados e foco deve dar origem a um novo estado de espírito entre líderes.

Kristen Titus, presidente da consultoria Titus Group, prevê que eles vão sair desse período de incerteza e paralisia com uma disposição renovada para se engajar.

“Clientes, consumidores e funcionários estão sedentos por engajamento e por liderança moral. Aqueles que avançarem com clareza e coragem ajudarão a definir o próximo capítulo do impacto e da sustentabilidade.”

3. Alinhar resposta rápida com objetivos de longo prazo

Uma estratégia que ajuda líderes de impacto a manter o foco é conectar necessidades imediatas das comunidades com a estratégia de negócios de longo prazo.

A incerteza exige agilidade, como destaca Laura Turner, vice-presidente e líder de impacto comunitário da empresa de previdência privada TIAA.

“ventos contrários” é até pouco para descrever o que líderes de impacto e sustentabilidade tiveram que enfrentar em 2025.

“A maioria das empresas mantém recursos flexíveis que podem ser adaptados a necessidades inesperadas. Quando ocorreu a paralisação do governo [dos EUA, entre setembro e outubro de 2025], o programa da TIAA voltado a apoiar estudantes universitários se adaptou rapidamente, redirecionando recursos para bancos de alimentos locais. Essa flexibilidade não é mais um diferencial, é essencial para navegar a incerteza”.

Para muitas organizações, equilibrar curto e longo prazo também significa preparar suas estratégias de impacto para a era da IA. O Royal Bank of Canada, por exemplo, vem usando sua expertise e recursos em adoção de IA para apoiar parceiros do terceiro setor a acompanhar o ritmo da inovação.

“Há um amplo consenso de que a IA e a inovação digital podem impulsionar a maior transformação econômica de uma geração. E, ao mesmo tempo, o setor sem fins lucrativos enfrenta uma pressão sem precedentes e barreiras de financiamento e capacitação técnica. Sem apoio, o setor corre o risco de ficar para trás”, afirma Kara Gustafson, presidente da RBC Foundation USA.

4. Colocar o bem-estar em primeiro lugar

Toda essa incerteza e disrupção cobrou seu preço dos profissionais da área em 2025. Em 2026, o bem-estar deve se tornar uma função central das estratégias de impacto, tanto como resposta às necessidades das equipes quanto das comunidades.

Haviland Sharvit, diretora executiva da Susan Crown Exchange (a organização e a TIAA, citada acima, são clientes da autora), prevê que mais empresas e organizações sem fins lucrativos responderão ao momento com estratégias focadas no bem-estar de jovens na era da IA.

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“Os rápidos avanços em tecnologia e IA oferecem oportunidades poderosas de aprendizado e conexão. Mas os líderes de impacto enfrentam o aumento do estresse em saúde mental entre jovens, o aprofundamento da desigualdade digital, inovações que avançaram mais rápido do que as proteções para jovens e a erosão da conexão humana real. Veremos uma mudança em direção à promoção e proteção do bem-estar juvenil em um mundo movido por IA, mais atenção à tecnologia responsável e maior investimento em conexão humana”.

5. Investir em comunidade

Em meio a tanta disrupção, perguntamos aos líderes o que lhes dá esperança, e uma resposta se repetiu: encontramos esperança uns nos outros.

Comunidade é – e continuará sendo – tudo. Em espaços presenciais e virtuais e em redes de impacto como Trellis, Pacto Global da ONU, NationSwell, entre muitas outras, líderes passaram 2025 refletindo, compartilhando desafios e desenhando novos caminhos.

A última previsão é pessoal: redes de impacto e espaços de encontro devem crescer rapidamente em 2026, à medida que novas comunidades de prática surgem e as que já existem se fortalecem.

Com todo o crescimento e aprendizado que 2026 promete trazer, encontrar espaços seguros para reflexão, troca de conhecimento e colaboração se torna uma prioridade máxima para líderes de impacto.


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