Calculadora mostra quantos animais são salvos ao recolher plástico na praia

coleta de plásticos na praia salva animais
Créditos: Brian Yurasits/ Mirna Wabi-Sabi/ Unsplash/ redgreystock/ Freepik

Kristin Toussaint 3 minutos de leitura

Se você recolhe lixo plástico de uma praia, está ajudando a proteger a vida marinha. E cada pequeno item – de uma tampa de garrafa a embalagens de alimentos – importa, porque mesmo quantidades mínimas podem ser letais para animais como tartarugas marinhas e aves costeiras.

Agora, uma calculadora da Ocean Conservancy consegue quantificar esse impacto. Ao inserir os tipos e quantidades de plástico recolhidos na ferramenta Calculadora de Impacto na Vida Selvagem, você descobre quantas vidas de animais estariam em risco caso esses resíduos chegassem ao mar e fossem ingeridos.

“Esperamos que as pessoas percebam de fato que mutirões de limpeza de praias fazem diferença”, afirma Erin Murphy, gerente de pesquisa sobre plásticos oceânicos da Ocean Conservancy e coautora principal do estudo que fundamenta a calculadora.

A poluição plástica nos mares é um problema ambiental global de enormes proporções. Todos os dias, o equivalente a dois mil caminhões de lixo plástico é despejado no mar.

Resolver esse cenário exige avanços em embalagens mais sustentáveis, melhorias na reciclagem e políticas públicas, como um tratado internacional sobre plásticos.

Enquanto isso, ações como a limpeza de praias também fazem diferença. A Ocean Conservancy promove há 40 anos o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias. Nesse período, quase 19 milhões de voluntários participaram, removendo mais de 180 mil toneladas de plástico e outros resíduos das áreas costeiras.

Os voluntários contam e pesam tudo o que recolhem, de embalagens de doces e salgadinhos a bitucas de cigarro e sacolas plásticas. Mas números brutos, como o fato de que 1,4 milhão de garrafas plásticas foram coletadas em 2023, nem sempre ajudam as pessoas a entender o impacto real sobre a vida selvagem, diz Murphy.

calculadora de coleta de plásticos em praias
Imagem: Ocean Conservacy

Com a calculadora, esse impacto se torna claro, mesmo em pequenas quantidades. Imagine um mutirão que recolhe 20 garrafas plásticas, 15 tampas e 10 sacolas.

Ao inserir esses dados na ferramenta (que inclui mais de 20 tipos de resíduos já encontrados em animais marinhos), o resultado mostra que você ajudou a proteger cinco tartarugas marinhas e 25 aves costeiras. A plataforma também traz informações sobre essas espécies e sobre os tipos de poluição.

PEQUENAS QUANTIDADES, GRANDES ESTRAGOS

A calculadora destaca o risco que até pequenas quantidades de plástico representam, e esse era exatamente o objetivo. A ferramenta se baseia em um estudo liderado por Murphy, publicado em 2025, que buscou identificar a dose letal de plástico para diferentes espécies.

“Isso é algo que, em larga escala, nunca havia sido feito antes”, afirma a pesquisadora. “O que descobrimos é que quantidades muito pequenas de plástico já podem matar animais marinhos.”

A ingestão de apenas três cubos de açúcar de plástico, por exemplo, tem 90% de chance de matar uma ave marinha como o papagaio-do-mar-do-atlântico, que mede cerca de 28 centímetros. Para essas aves, menos de um cubo de açúcar já representa 50% de risco.

animal  marinho envolto  em plástico
Créditos: Douglas Croft/, Kristina Tirman/ Ocean Conservancy

Mesmo animais maiores estão em perigo: ingerir pouco mais do que o volume de duas bolas de beisebol em plástico traz 90% de chance de morte para tartarugas-cabeçudas. Já para botos, um volume equivalente a uma bola de futebol pode ser fatal.

Segundo Murphy, a ideia foi inverter a lógica: “Queríamos entender quais são os benefícios da limpeza”. Áreas costeiras, onde ocorrem esses mutirões, são justamente locais de alimentação e reprodução dessas espécies.

Além disso, retirar resíduos inteiros da praia evita que eles se fragmentem no mar e causem ainda mais danos quando ingeridos.

Compreender esses riscos e os benefícios da limpeza pode influenciar decisões regulatórias sobre a poluição plástica. Mas, no fim, a Ocean Conservancy espera que a ferramenta também motive as pessoas a agir.

“Sabemos que mudanças sistêmicas serão necessárias para enfrentar esse problema global, mas é um lembrete de que cada pessoa pode fazer parte da solução”, diz Murphy.


SOBRE A AUTORA

Kristin Toussaint é editora assistente da editoria de Impacto da Fast Company. saiba mais