Cientistas descobrem um jeito barato de extrair água do ar em pleno deserto

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Adele Peters 2 minutos de leitura

Na Etiópia, país que atravessa a pior seca contínua em 40 anos, conseguir água potável para consumo próprio pode depender de uma caminhada de até oito horas. Muitos poços estão secando. À medida que as mudanças climáticas progridem, a escassez de água piora.

Mas um novo dispositivo em desenvolvimento na Universidade do Texas em Austin pode ajudar. Usando materiais simples e de baixo custo, ele é capaz de extrair a água presente no ar, mesmo nos climas mais secos.

“A vantagem de coletar a umidade da água do ar é que esse processo não tem limitações geográficas.”, comemora Youhong “Nancy” Guo, principal autor de um novo estudo publicado na Nature Communications que descreve essa tecnologia.

Crédito: Cockrell School of Engineering/ Universidade do Texas em Austin

A extração de água do ar, ou a “colheita atmosférica de água”, não é novidade. Mas, em ambientes áridos, é difícil capturar muita umidade, e isso consome muita energia. Por isso, os pesquisadores alteraram o processo, usando diferentes materiais. Um componente é a goma konjac, pó feito de uma raiz asiática que costuma ser usado como suplemento para adicionar fibras à dieta.

Os poros abertos do material ajudam a expô-lo ao ar. Quando combinado com um tipo de sal, ele absorve naturalmente a umidade. É, basicamente, o mesmo processo que faz com que o sal ou o açúcar se aglomerem e “empedrem” se forem deixados abertos e expostos ao ar. Os cientistas adicionaram esses ingredientes a um polímero à base de plantas, projetado para capturar água rapidamente e liberá-la quando aquecida.

Crédito: Cockrell School of Engineering/ Universidade do Texas em Austin

“É o sal que realmente absorve a água, mas todo o ‘colchão’ de polímero ajuda a melhorar seu desempenho”, explica Guo. “Se usássemos apenas o sal, ele levaria 10 horas para absorver e liberar a água – o ritmo é lento. Mas, quando usamos nossos filmes de polímero, a absorção leva apenas uma hora e a liberação da água, 10 minutos”, assegura.

A cinética foi acelerada, para que mais ciclos pudessem ser feitos por dia, explica Guo. O protótipo pode produzir mais de seis litros de água potável por dia em climas muito secos (com menos de 15% de umidade relativa) e 13 litros por dia em áreas com até 30% de umidade relativa, o suficiente para uma pequena família.

 A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos EUA, que financiou o trabalho, está interessada em usá-lo para fornecer água para soldados em desertos. O projeto também poderia ser ampliado para aplicações maiores, como irrigação de lavouras.

Em áreas onde o índice de umidade é maior, mas as reservas de água estão contaminadas, essa tecnologia pode ser usada como fonte de água potável. A demanda é urgente: globalmente, uma em cada três pessoas não tem acesso a água para beber.


SOBRE A AUTORA

Adele Peters é redatora da Fast Company. Ela se concentra em fazer reportagens para solucionar alguns dos maiores problemas do mundo, ... saiba mais