Como astronautas da Artemis II usam o banheiro no espaço? Veja vídeo
Sem gravidade, o processo de ir ao banheiro depende de sucção por fluxo de ar e outros mecanismos

A missão Artemis II, lançada no dia 1º de abril, enfrenta um desafio curioso em meio ao sucesso do voo. Durante os primeiros dias da viagem até a Lua, o principal problema relatado pela tripulação não envolve navegação ou comunicação, mas sim o funcionamento do banheiro da cápsula.
Dentro da cápsula Orion, desenvolvida pela Lockheed Martin, os astronautas utilizam um equipamento chamado Sistema Universal de Gerenciamento de Resíduos. Esse sistema foi projetado para funcionar em ambiente de microgravidade, onde líquidos e sólidos não se comportam como na Terra.
Sem gravidade, o processo depende de sucção por fluxo de ar. Para urinar, os astronautas utilizam um funil conectado a uma mangueira. Já para evacuação, há um assento com abertura específica.
Para manter a posição correta, os tripulantes usam apoios para os pés e alças. Logo após a chegada ao espaço, o banheiro apresentou falha.
A astronauta Christina Koch conseguiu resolver a situação inicialmente com apoio da equipe em solo. O diagnóstico apontou falta de água suficiente para o funcionamento da bomba, o que comprometeu o sistema.
Após o ajuste, o equipamento voltou a operar, mas a normalidade durou pouco.
Durante o descarte de resíduos, procedimento comum nesse tipo de missão, a equipe notou novas falhas. Em vez de reciclar os líquidos como ocorre na Estação Espacial Internacional, a cápsula Orion libera os efluentes no espaço.
Foi nesse processo que surgiu outro problema. Um dos pontos de liberação apresentou bloqueio, possivelmente causado por acúmulo de gelo. Como medida preventiva, a NASA proibiu temporariamente o uso do banheiro para urinar.
Com espaço limitado para armazenamento, a tripulação passou a utilizar urinóis de contingência, dispositivos portáteis projetados para situações emergenciais.
COMO OS ASTRONAUTAS FAZEM SUAS NECESSIDADES NO ESPAÇO
A rotina no espaço exige adaptação. Sem gravidade, tudo precisa ser controlado para evitar contaminação do ambiente. O uso do banheiro envolve precisão e treinamento.
A urina normalmente é sugada por um sistema de ventilação. Já os resíduos sólidos são armazenados em compartimentos vedados. Em missões mais longas, como na estação espacial, os líquidos podem ser reciclados e transformados em água potável.
Na Artemis II, porém, parte desses resíduos é descartada no espaço, o que não é ideal, e acabou gerando imagens "curiosas" vistas pelas janelas da nave.
Para resolver o bloqueio, a NASA decidiu posicionar a cápsula de forma estratégica, permitindo que a luz solar atingisse o sistema de ventilação. O calor ajudou a derreter o gelo acumulado.
Após testes, o fluxo foi restabelecido e o uso completo do banheiro voltou a ser liberado para a tripulação.
POR QUE NÃO JOGAR DEJETOS DIRETAMENTE NO ESPAÇO?
Jogar resíduos no espaço representa riscos significativos para segurança porque eles não desaparecem, permanecendo em órbita da Terra e se deslocando a altíssimas velocidades, de milhares de quilômetros por hora.
Nessas condições, até pequenos objetos podem se tornar projéteis perigosos, capazes de danificar satélites, atingir a Estação Espacial Internacional ou colocar astronautas em risco, cenário associado ao aumento do lixo espacial e à chamada Síndrome de Kessler.
Além disso, a liberação de bactérias e dejetos biológicos em órbita é considerada insalubre e viola normas internacionais de exploração espacial. Por isso, na ISS, o lixo sólido é armazenado e posteriormente enviado em naves de carga que, ao reentrarem na atmosfera terrestre, queimam e se desintegram com segurança, evitando contaminação e novos detritos em órbita.
DESAFIO ANTIGO NA EXPLORAÇÃO ESPACIAL
Problemas com banheiros não são novidade. Em 1984, durante a missão STS-41-D, astronautas precisaram recorrer a soluções improvisadas após falha semelhante causada por gelo.
Mesmo com os avanços tecnológicos, lidar com resíduos humanos no espaço continua sendo um dos desafios mais complexos das missões. Como destacou o administrador da NASA, ainda há muito a evoluir nesse aspecto. Afinal, até as tarefas mais básicas, como arrumar o banheiro, se tornam altamente técnicas fora da Terra.