Como se tornar astronauta no Brasil?

Seguir a carreira de astronauta no Brasil exige planejamento de longo prazo; candidato precisa investir em educação, desenvolver habilidades específicas e estar disposto a buscar oportunidades fora do país

Da direita para a esquerda, os astronautas da NASA Reid Wiseman, comandante; Victor Glover, piloto; Christina Koch, especialista de missão; e o astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense) Jeremy Hansen, também especialista de missão, são vistos saindo do Edifício de Operações e Verificação Neil A.
Foto: Reprodução/NASA

Joyce Canelle 3 minutos de leitura

A NASA lançou no dia 1º de abril a missão Artemis II, com destino a Lua. O voo levará 4 astronautas ao redor do satélite em uma viagem de quase 10 dias e representa um passo decisivo para a retomada da exploração humana do espaço profundo.

E com esse acontecimento histórico, cresce o interesse por essa profissão que ainda parece distante da realidade brasileira. O caminho para chegar ao espaço passa por anos de estudo, preparação física e seleção internacional.

No Brasil, onde não há um programa próprio de envio de astronautas, os candidatos precisam buscar formação sólida e oportunidades fora do país, principalmente por meio de parcerias com agências estrangeiras.

Veja os passos para entrar na carreira:

FORMAÇÃO ACADÊMICA É O PRIMEIRO PASSO

Segundo informações da Agência Brasil, a base da carreira está nas áreas de ciência e tecnologia. Cursos como física, engenharia, matemática, computação, medicina e biologia aparecem entre os mais comuns.

Além da graduação, mestrado e até doutorado aumentam as chances de seleção.

A rotina de um astronauta envolve a realização de experimentos científicos e o domínio de sistemas complexos. Por isso, não basta apenas concluir um curso superior.

É necessário construir uma trajetória acadêmica consistente e alinhada às demandas das missões espaciais.

ilustração sobre foto de um astronauta usando macacão laranja e capacete branco
Joel Kowsky/NASA, NASA Hubble Space Telescope via Unsplash

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL E HABILIDADES TÉCNICAS

As agências espaciais exigem experiência prática. Pelo menos dois anos de atuação na área de formação costumam ser requisito básico. Ter habilidades extras também pesa no processo seletivo.

Experiência com aeronaves, mergulho e técnicas de sobrevivência são diferenciais. O domínio de idiomas é outro ponto essencial. O inglês é obrigatório, enquanto o russo ganha importância devido à tradição da Rússia no setor espacial, segundo o blog da UFMG.

CONDICIONAMENTO FÍSICO E PREPARO PSICOLÓGICO

A carreira exige resistência, testes físicos rigorosos avaliam desde pressão arterial até capacidade de adaptação à microgravidade.

O preparo psicológico também é decisivo, já que o profissional enfrenta isolamento, pressão e situações extremas durante as missões. Manter uma rotina de exercícios e cuidar da saúde mental são atitudes fundamentais desde o início da preparação.

COMO FUNCIONA A SELEÇÃO INTERNACIONAL

O ingresso na carreira depende de processos seletivos abertos por agências como a NASA, a ESA e a JAXA. Cada uma tem critérios próprios, mas todas exigem alto nível de qualificação.

De acordo com a USP São Carlos, essas seleções são raras e bastante concorridas. Após a aprovação, o candidato passa por anos de treinamento técnico, físico e operacional. Só depois de participar de uma missão espacial ele passa a ser considerado astronauta de fato.

A REALIDADE BRASILEIRA E AS OPORTUNIDADES NA CARREIRA

O Brasil não possui um programa contínuo de envio de astronautas. As oportunidades surgem por meio de acordos internacionais e até hoje o único brasileiro a ir ao espaço foi Marcos Pontes, em 2006, em uma missão na Estação Espacial Internacional.

Isso faz com que muitos interessados busquem carreira fora do país ou em empresas privadas do setor aeroespacial. Companhias que desenvolvem voos comerciais também passaram a abrir novas possibilidades, ainda que com perfil diferente do astronauta tradicional.

A carreira vai muito além do que é mostrado na ficção científica. O processo envolve preparo técnico rigoroso e conhecimento aprofundado sobre funcionamento de espaçonaves e experimentos em ambiente de gravidade zero.

O astronauta passa a maior parte do tempo em treinamento ou apoiando missões em solo. A ida ao espaço representa apenas uma parte da carreira, embora seja a mais visível.

Seguir a carreira de astronauta no Brasil exige planejamento de longo prazo. O candidato precisa investir em educação, desenvolver habilidades específicas e estar disposto a buscar oportunidades fora do país.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais