Como substituir o glitter, altamente poluente, no Carnaval?

Classificada como microplástico, o glitter pode alcançar rios e oceanos com facilidade

mulher maquiada com brilho
Mesmo quando descartado no lixo comum, o plástico pode se dispersar com vento e chuva. Foto: Freepik

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

Durante o Carnaval, milhões de pessoas recorrem ao glitter para compor fantasias e maquiagens em festas de rua e bailes por todo o Brasil, porém existe um alerta ambiental sobre o uso da purpurina tradicional.

Classificada como microplástico, ela pode alcançar rios e oceanos com facilidade, contaminar a cadeia alimentar e trazer impactos à biodiversidade.

Especialistas da Universidade Federal do Vale do São Francisco, defendem a substituição por versões biodegradáveis ou naturais, capazes de reduzir danos sem abrir mão do efeito cintilante.

Leia também: Como ganhar dinheiro no Carnaval? Veja 10 ideias para fazer renda extra

O QUE É A PURPURINA E POR QUE ELA PREOCUPA?

A purpurina, também conhecida como glitter, é composta por uma combinação de plásticos copolímeros, folhas de alumínio e pigmentos minerais que recebem acabamento metálico ou iridescente para refletir a luz. Seu tamanho varia de 1 a 5 milímetros, o que a enquadra como microplástico.

Por não ser reciclável e conter diferentes componentes químicos, o material apresenta longo tempo de decomposição. Depois de aplicado na pele, no cabelo ou em fantasias, o glitter costuma ser removido no banho e segue pelo ralo.

Devido às dimensões reduzidas, essas partículas passam facilmente por filtros e sistemas de tratamento, alcançando cursos d’água e, posteriormente, o mar.

Mesmo quando descartado no lixo comum, o plástico pode se dispersar com vento e chuva, ampliando o risco de contaminação ambiental.

Leia também: Vai para o Carnaval? Veja 10 itens que não podem faltar na sua bolsa

MICROPLÁSTICO NA CADEIA ALIMENTAR

O microplástico não tem origem exclusiva na purpurina, mas ela contribui para o problema por já estar no tamanho final que facilita sua dispersão. Pesquisas apontam que esse tipo de partícula está presente em produtos de higiene e beleza e também já foi identificado em sal, alimentos, água e no ar.

Estudos indicam que essas partículas podem absorver substâncias tóxicas encontradas nos oceanos, como pesticidas, metais pesados e poluentes orgânicos persistentes.

Ao serem ingeridas por plânctons e pequenos animais, entram na cadeia alimentar e se acumulam em organismos maiores, incluindo peixes consumidos por humanos.

Entre os riscos associados estão disfunções hormonais, imunológicas, neurológicas e reprodutivas. Além disso, alguns plásticos podem conter bisfenóis, substâncias reconhecidas como disruptores endócrinos.

Pesquisadores já alertaram que o acúmulo de microplásticos pode bloquear o sistema digestivo de pequenos animais marinhos e provocar desequilíbrios ecológicos.

COMO SUBSTITUIR O GLITTER NO CARNAVAL?

Apesar de não ser a principal fonte de microplástico nos oceanos, a purpurina é um item de fácil substituição. Para quem quer manter o brilho nas festas sem ampliar a poluição, há alternativas mais sustentáveis.

Pó de mica

A mica é um mineral com brilho natural. Quando utilizada em sua forma pura, pode oferecer efeito cintilante semelhante ao glitter convencional. É importante verificar a procedência e optar por fornecedores que adotem práticas responsáveis de extração.

Gelatina vegetal de ágar-ágar

Outra alternativa é produzir brilho artesanal a partir de gelatina vegetal de ágar-ágar com corantes naturais. O resultado é um material biodegradável que se decompõe com mais facilidade no ambiente.

Glitter biodegradável

Produtos industrializados também já oferecem versões livres de plástico tradicional. Entre as opções disponíveis no mercado estão glitters biodegradáveis voltados para uso cosmético e artesanal.

O Snazaroo Glitter grosso biodegradável, por exemplo, é indicado para rosto, corpo e cabelo, feito com matérias-primas de origem ética e sustentável, além de ser livre de crueldade animal e atender a regulamentações de cosméticos da União Europeia e da FDA.

Já o Sizzix Glitter biodegradável fino, na cor ouro rosa, é descrito como 100% livre de plástico, voltado principalmente para atividades criativas e artesanais, e integra uma linha com diferentes tonalidades.

Antes da compra, é recomendável verificar se o produto realmente é biodegradável e se não contém microplásticos em sua composição.

CONSUMO CONSCIENTE ALÉM DO CARNAVAL

A discussão sobre o glitter se insere em um debate mais amplo sobre o uso de plástico. Mesmo quando descartado corretamente, o material envolve impactos ambientais em sua produção, transporte e reciclagem.

Reduzir o consumo, reutilizar materiais e fortalecer a coleta seletiva são medidas apontadas como fundamentais para minimizar a geração de resíduos. Pressionar por políticas públicas e incentivar práticas sustentáveis também fazem parte do esforço coletivo.

Leia também: Carnaval de bilhões: maior festa do país agita a economia

No Carnaval e fora dele, pequenas escolhas individuais podem contribuir para diminuir a presença de microplásticos no ambiente.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais