Concorrentes terão que se unir se quisermos realmente salvar o planeta

A escala, a urgência e a complexidade da reversão da mudança climática requerem parceria

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Stephanie Mehta 2 minutos de leitura

Eu não costumava botar muita fé em parcerias corporativas. Sempre revirava os olhos quando as empresas assinavam compromissos ou anunciavam grandes parcerias para apoiar algum movimento social.

Meu ceticismo me levava a crer que não passam de gestos "para inglês ver". São acordos feitos para ganhar a simpatia do público, mas que têm poucos resultados práticos.

Você se lembra dos quase US$ 50 bilhões que as maiores empresas dos Estados Unidos se comprometeram a investir para lidar com o preconceito racial depois do assassinato de George Floyd?

Em 2021, um grupo de grandes empresas de bens de consumo se uniu para lançar um coletivo com o objetivo de educar seus fornecedores.

De acordo com uma investigação do Washington Post, um ano depois da promessa, apenas uma fração havia sido doada a grupos focados em igualdade, educação e desenvolvimento comunitário.

No entanto, cada vez mais fica claro que precisaremos de parcerias entre empresas para enfrentar um problema tão grande, urgente e complexo quanto a mudança climática.

Alguns meses atrás, fiquei sabendo que um grupo de aliados improváveis se reuniu para resolver uma questão incômoda na luta contra a mudança do clima. As grandes empresas precisavam reduzir as emissões de gases de efeito estufa em suas cadeias de suprimentos, mas os fornecedores (agricultores, fabricantes de embalagem etc.) não eram versados em sustentabilidade ou em metas baseadas na ciência.

CAUSA EM COMUM

Em 2021, a empresa de consultoria Guidehouse e os gigantes de bens de consumo PepsiCo, McCormick & Company e Mars lançaram o projeto Liderança do Fornecedor em Transição Climática, um coletivo pensado para educar e ajudar fornecedores a lidar com metas e objetivos climáticos.

O grupo agora inclui mais de uma dúzia de empresas, entre elas Atlantic Packaging, Coca-Cola, Estée Lauder, General Mills, Nestlé, Mondelez, Yum Brands, Heineken, Ocean Spray, Neiman Marcus, Restaurant Brands International e McDonald's. Desde o lançamento, mais de 600 fornecedores já participaram desse programa.

Ninguém será capaz de mover uma palha para melhorar o planeta se não trabalhar em conjunto na questão climática.

É impressionante que até arqui-inimigos como a Pepsi e a Coca-Cola estejam caminhando de braços dados nesse sentido. O mesmo pode ser dito sobre a parceria entra o McDonald's e a Restaurant Brands International, controladora do Burger King.

“Do ponto de vista do impacto, ninguém será capaz de fazer mudanças, de mover uma palha para melhorar o planeta se não trabalhar em conjunto nessas questões”, diz Matthew Banks, diretor associado de sustentabilidade da Guidehouse e diretor de crescimento da Liderança de Fornecedores na Transição Climática.

É claro que empresas concorrentes já formavam alianças o tempo todo, porque sempre fizeram lobby em nome dos interesses de uma indústria. No entanto, em entrevista recente, Cécile Béliot, CEO da empresa de laticínios Bel Group, afirmou que a motivação para consórcios sustentáveis é diferente de outras iniciativas corporativas.

“Somos a primeira geração de líderes totalmente conscientes das mudanças climáticas e precisamos encarar esse desafio de forma plena e corajosa”, diz ela. “As empresas que vão ter sucesso no futuro têm que fazer parcerias de sucesso.”


SOBRE A AUTORA

Stephanie Mehta é CEO e chief content officer da Mansueto Ventures, controladora da Inc.e da Fast Company. saiba mais