Efluentes contaminados com metais pesados normalmente têm um tratamento caro e complexo. Mas um novo tipo de material, projetado para retirar íons de cobre da água, mostra como o tratamento de águas pode se tornar barato – e como os rios podem se tornar uma fonte sustentável para alguns metais importantes.

A iniciativa é do governo americano, mais precisamente do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, ligado ao Departamento de Energia. A tecnologia promete ser revolucionária. Enquanto o processo atual de tratamento de efluentes retira tudo da água – inclusive nutrientes e minerais essenciais, não somente os contaminantes – e forma uma lama tóxica, a nova tecnologia aprisiona somente os íons de cobre. “É como se fosse uma esponja de cristal que, quando colocada na água, se abre e atrai somente o cobre, devido ao seu tamanho e porosidade”, afirma Jeff Urban, diretor do Laboratório Berkeley e autor de um artigo sobre a invenção publicado na revista Nature.

O material da esponja é chamado de ZIOS (sigla em inglês para Zinco Imidazol Salicilaldoxima). Os cientistas começaram com o cobre porque é um metal mais fácil de ser capturado. Embora seja um nutriente tradicionalmente encontrado em doses pequenas nos rios, é altamente perigoso quando aparece em níveis mais altos.

O material, que é reaproveitável, também pode ser projetado para capturar outros metais na água. Os cientistas trabalham para que a próxima vítima seja o lítio – um material chave na confecção de baterias de carros elétricos e na armazenagem de energia renovável, por exemplo. “Mais do que despoluir as águas, enxergamos nessa solução uma estratégia mais ampla de capturar materiais essenciais na natureza”, afirma Urban. Estações de tratamento de efluentes poderiam, eventualmente, usar filtros que capturam materiais diferentes simultaneamente e com precisão, retirando cada material em um canal diferente. Em larga escala, o processo poderia se tornar uma nova fonte limpa de coleta de materiais. E sem os impactos ambientais da mineração tradicional.