Uso de canetas emagrecedoras dispara — e o lixo também

Com o avanço dos medicamentos no Brasil, cresce o volume de dispositivos e agulhas que precisam de um destino adequado.

Ilustração de canetas emagrecedoras ao lado de uma balança e uma fita métrica
O aumento do uso de canetas emagrecedoras cria um novo desafio para o descarte de dispositivos e agulhas. Crédito: Fast Company Brasil

Beatriz Felizardo 3 minutos de leitura
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Cerca de 36 mil canetas emagrecedoras foram encontradas no lixo reciclável do Distrito Federal nos últimos 21 meses. O volume equivale a 1,3 tonelada, recolhida entre 2024 e setembro de 2025. Um problema que surge em um momento de expansão no uso desses medicamentos no Brasil. 

Dados do estudo realizado pela Scanntech revelam que o uso de medicamentos à base de  GLP-1 – as chamadas canetas emagrecedoras – cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse número representa a soma do mercado formal (composto pelas as vendas em farmácias) com uma estimativa de consumo do mercado informal.

A princípio, as canetas emagrecedoras foram desenvolvidas para o tratamento de diabetes e obesidade. Com o tempo elas ganharam popularidade pelo efeito de perda de peso. Segundo o Instituto Locomotiva, 62% da população afirma conhecer alguém que utiliza esse tipo de medicamento.

O DESAFIO DO PÓS-CONSUMO 

Com mais canetas em circulação, cresce também a quantidade de dispositivos que precisam de destinação adequada depois do uso. Agulhas e o corpo plástico das canetas apresentam problemas diferentes e não podem seguir o mesmo caminho.

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As agulhas são materiais perfurocortantes e não devem ser encaminhadas à coleta comum ou seletiva. O descarte inadequado pode provocar perfurações e expor trabalhadores a material biológico. Elas devem ser armazenadas em coletores resistentes e entregues a Unidades Básicas de Saúde ou pontos indicados pelo município.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, 1.480 acidentes de trabalho com exposição a material biológico foram classificados, em 2025,  como decorrentes do descarte inadequado de materiais perfurocortantes, correspondendo a 20,89% das 7.086 notificações registradas. 

O levantamento reúne acidentes provocados por diferentes tipos de materiais perfurocortantes e não permite determinar quantos estavam relacionados às canetas injetáveis.

Durante o II Fórum de Economia Circular, o Diretor-Presidente da Loga (Logística Ambiental de São Paulo), Domênico Granata, afirmou que um dos principais obstáculos para enfrentar esse cenário é a falta de informação da população. Segundo ele, o descarte incorreto de canetas injetáveis e outros materiais perfurocortantes representa uma das principais causas de acidentes entre trabalhadores de coleta, evidenciando que o desafio é, sobretudo, comunicacional, principalmente na educação em saúde. 

A ECONOMIA CIRCULAR COMO RESPOSTA 

O corpo plástico das canetas abre outra discussão acerca de como tornar esse material parte do ciclo produtivo. A transição para uma economia circular possibilita a entrada do produto em um novo ciclo. Em vez de pensar apenas em um descarte seguro, via incineração ou aterro sanitário, a circularidade busca recuperar e reaproveitar materiais que ainda podem ter valor. 

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No Brasil, um exemplo prático é a Reciclaneta, iniciativa da Novo Nordisk baseada no programa global ReMed™ . O programa coleta canetas usadas sem as agulhas em  Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e encaminha os dispositivos para a reciclagem. Em sua fase piloto, foram coletadas 120 mil na região da Grande São Paulo. 

Para Patricia Byington, chefe de sustentabilidade da Novo Nordisk, o sucesso da iniciativa depende da colaboração do usuário. Sem que o consumidor devolva a caneta usada, o plástico não chega à cadeia de reciclagem e não pode voltar ao ciclo produtivo. 

COMO DESCARTAR?

Canetas e agulhas exigem cuidados diferentes:

  • Agulha: retire da caneta e coloque em um recipiente rígido, resistente a perfurações e vazamentos. Não descarte no lixo comum ou na coleta seletiva. Leve até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou outro ponto de coleta indicado pelo município. 
  • Caneta sem agulha: não coloque no lixo reciclável. Nos locais participantes do Reciclaneta, leve o dispositivo usado a um Ponto de Entrega Voluntária (PEV) para que o plástico seja encaminhado à reciclagem.


SOBRE A AUTORA

Beatriz Felizardo é estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, apaixonada por direitos humanos e curiosa sobre as transformaç... saiba mais