Esqueça as ovelhinhas. Uma nova blusa fabricada pelas empresas japonesas Goldwin e Spiber parece ser feita de lã, mas seu fio foi gerado parcialmente em um biorreator.

O novo material – denominado Brewed Protein – foi projetado para imitar os tecidos comuns, mas reduzindo seu impacto ambiental. A Spiber começou o projeto há mais de uma década, inicialmente desenvolvendo uma versão biotecnológica da seda de aranha (daí o nome da empresa). O processo começa pela cópia dos genes que fabricam a proteína (no caso, a seda). Depois eles são inseridos em microrganismos que começam a cultivar a proteína em tanques de fermentação.

A próxima etapa do processo, desenvolvida pela Goldwin, consiste em inserir micróbios, açúcares e minerais nos tanques. Após um tempo de cultura, os micróbios são separados da proteína, que é seca e transformada em fibra. Em seguida, um moinho gira, torce e tinge o fio. No caso do novo suéter, o material biossintético foi combinado com 70% de lã original, proveniente de ovelhas. Mas de acordo com Gen Arai, o general manager da Goldwin, é questão de tempo para diminuir a quantidade de lã. Spiber e Goldwin, juntas, estão finalizando a construção de uma fábrica na Tailândia que dará escala industrial à produção.

Em 2019, as empresas japonesas colaboraram com a the North Face para criar uma jaqueta produzida com a Brewed Protein. O produto, uma edição limitada, ficou disponível para a venda somente no Japão e esgotou em menos de 24 horas. O novo suéter também será produzido em uma edição limitada, mas disponível na Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Portugal, Espanha, Reino Unido, Suécia e Holanda. Os interessados poderão participar de uma loteria online, e os vencedores ganharão o direito de comprar o suéter – ao preço estimado de US$ 800.

Arai prevê que o novo material começará a substituir os substratos naturais, sendo uma alternativa a materiais como o algodão (que requer grandes quantidades de água para ser produzido) ou a própria lã (que vem acompanhada por todo o impacto ambiental da criação de ovelhas ). Para fibras sintéticas, como o poliéster, a Brewed Protein pode ainda minimizar os efeitos da poluição por microfibras no oceano – algo que acontece quando fibras minúsculas saem durante o processo de lavagem das roupas.

Os primeiros testes sugerem que o novo material pode ser biodegradável. Atualmente, a produção de fibra sintética para têxteis usa cerca de 342 milhões de barris de petróleo por ano. “A Brewed Protein pode, um dia, substituir todo material dependente de petroquímicos usado em bens de consumo”, diz Arai. “Sabemos que é possível – e é apenas uma questão de tempo para descobrirmos o caminho da produção em grande escala.”