Fast Company elege Jonas Kron, da Trillium, uma das pessoas mais criativas de 2022

Como chief advocacy officer da Trillium Asset Management, Jonas Kron está usando sua posição para fortalecer o movimento trabalhista

Crédito: Fast Company Brasil

Amy Farley 2 minutos de leitura

Ao intensificar sua luta para se sindicalizar – após uma campanha bem-sucedida em uma filial em Buffalo, Nova York –, funcionários da Starbucks em todo território norte-americano encontraram forte resistência por parte da empresa. Mas eles contavam com alguns aliados poderosos.

Mais de 70 investidores (representando cerca de US$ 3,4 trilhões em ativos) assinaram uma carta aberta, em março, pedindo à Starbucks que adote uma política global de neutralidade em relação a todas as tentativas atuais e futuras de seus trabalhadores de se organizar, e que negocie prontamente a reivindicação dos funcionários.

“Acreditamos que, quando os direitos dos funcionários são assegurados, seus interesses representados e suas necessidades devidamente comunicadas, empresas e trabalhadores se beneficiam”, diz a carta.

O esforço foi liderado por Jonas Kron, chief advocacy officer da Trillium Asset Management, uma das empresas de investimento socialmente responsável mais antigas do mundo, que administra US$ 5 bilhões em ativos. Há muito tempo, a Trillium incentiva grandes corporações a cumprir metas ESG (ambientais, sociais e de governança), muitas vezes relacionadas à sustentabilidade e diversidade.

“Os trabalhadores devem estar em posição de defender o que acreditam ser um bom local de trabalho.”

A empresa também as pressiona sobre questões específicas dos trabalhadores, que vão desde direitos da população LGBTQIA+ e licença médica remunerada até benefícios relacionados ao aborto. Mas, no ano passado, Kron decidiu usar a empresa para empoderar os trabalhadores de forma mais ampla e direta.

“Percebemos que uma coisa é os investidores dizerem às empresas que elas precisam pagar mais aos funcionários ou dar folga remunerada para votar”, diz Kron. “Isso é importante, mas o mais eficaz é [ter] um mercado de trabalho que funcione bem. Isso significa que os trabalhadores devem estar em posição de realmente defender o que acreditam ser um bom local de trabalho”.

EM FAVOR DE QUEM TRABALHA

Além da campanha da Starbucks, ele preparou uma carta aos executivos da New York Times Company em fevereiro, criticando o jornal por resistir à luta por sindicalização de seus trabalhadores da área de tecnologia (um mês depois, eles votaram pela sindicalização).

“As leis trabalhistas neste país tendem a favorecer as empresas.”

Em outubro de 2021, escreveu outra para a maior fabricante de óculos do mundo, a EssilorLuxottica, em nome de investidores que, juntos, detém US$ 500 bilhões em ativos. A carta pedia à empresa que cessasse a repressão aos sindicatos em sua fábrica no estado da Geórgia.

A Trillium também entrou em contato com a Mondelez International e a Deere & Company quando seus trabalhadores entraram em greve em 2021, pedindo a ambas que negociassem de boa fé.

Algumas iniciativas tiveram mais sucesso do que outras. A Mondelez e a Deere & Company chegaram a acordos com os sindicatos e a liderança da Starbucks se reuniu com a Trillium para discutir suas preocupações, mas continua resistindo à sindicalização.

Kron ressalta que as cartas abertas são apenas o primeiro passo de uma campanha contínua de defesa dos acionistas, que pode vir a incluir outras propostas. Em outras palavras, ele está apostando no longo prazo. “As leis trabalhistas neste país tendem a favorecer as empresas. Não temos condições de igualdade, e isso impede que os mercados funcionem plenamente”, analisa.


SOBRE A AUTORA

Amy Farley é editora da Fast Company. saiba mais