Financiada por Bezos, startup quer viabilizar fusão nuclear

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Dentro de um prédio circular e arejado que está prestes a ser construído em Oxford, na Inglaterra, uma nova máquina repleta de metal líquido – e plasma aquecido a mais de 100 milhões de graus Celsius – dará aos visitantes um vislumbre do potencial da energia por fusão nuclear.

A startup responsável por essa tecnologia é a General Fusion, que tem Jeff Bezos entre seus financiadores. Este tipo de energia é promissor: pode ter baixo custo, ser uma fonte ilimitada de energia carbon-free que não precisa de muito espaço para ser produzida e, diferentemente de usinas nucleares que funcionam à base de fissão nuclear, não oferece risco de derretimento (caso haja alguma interferência, a reação para) e tampouco gera desperdício radioativo de longo prazo. Nas usinas tradicionais, a fissão separa átomos e produz grandes quantidades de urânio instável. Mas a fusão produz apenas hélio, um gás inerte, e quantidades muito menores de trítio, que é radioativo, mas por bem menos tempo.

(Crédito: General Fusion)

Os cientistas vêm buscando esse conceito há décadas: a piada é que a energia por fusão nuclear é a fonte de energia do futuro e sempre será. Existe uma chance real de que nunca seja. Mas Christofer Mowry, CEO da General Fusion, está entre aqueles que acreditam que agora é possível fazer acontecer.

(Crédito: General Fusion)

A tecnologia imita o que acontece no centro do Sol, onde hidrogênio e hélio colidem e se fundem, liberando grandes quantidades de energia. “Recriar um pedaço do Sol na Terra, como dá para imaginar, é muito desafiador. São necessários supercomputadores e técnicas computacionais para entender a ciência do plasma”, afirma Mowry.

A startup trabalha em uma tecnologia que foi originalmente desenvolvida pela Marinha dos EUA (cientistas russos também manejaram uma tecnologia similar durante a Guerra Fria para possíveis usos em armas). Dentro da máquina, o metal fundido é girado para criar uma cavidade e bombeado com pistões que empurram o metal para formar uma esfera. O hidrogênio aquecido a temperaturas super quentes e sustentado por um campo magnético é injetado na esfera para criar a reação de fusão. O calor transferido para o metal pode ser extraído para fazer vapor e impulsionar uma turbina, que, por sua vez, gera eletricidade.

É difícil fazer isso funcionar e, mesmo que funcione, é difícil gerar mais energia do que a energia necessária para fazer a máquina rodar. No centro de demonstração, a empresa não está planejando gerar energia, e sim reunir dados para construir uma usina piloto. Muitos especialistas estão céticos de que esse próximo passo se concretize. “A probabilidade de construir uma usina piloto que possa produzir um miliwatt de energia nuclear é muito remota”, observa Edward Morse, professor de engenharia nuclear da Universidade da Califórnia, em Berkeley.