Em agosto de 2021, o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas detalhou como a janela para evitar desastres climáticos está se fechando rapidamente. A mudança climática é “generalizada, rápida e intensificada”, concluiu o relatório, que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, apelidou de “um código vermelho para a humanidade”.

Os clientes ficaram do lado de fora de uma loja da rede Fiesta Mart em Austin, no Texas, em fevereiro do ano passado por causa de uma queda de energia. Milhões de texanos ficaram sem água ou eletricidade em meio a uma série de tempestades de inverno (Crédito: Montinique Monroe / Getty Images)

O mês anterior ao lançamento desse relatório foi o mais quente já registrado no planeta. E, no geral, 2021 foi um dos sete anos mais quentes já registrados em toda a história da Terra. Mas o calor recorde não foi o único impacto da mudança climática que as pessoas sentiram em 2021: o ano também trouxe secas prolongadas, grandes incêndios florestais, fortes furacões, inundações devastadoras e fome extrema.

Ruínas de casas e de empresas que foram destruídas pelo incêndio Dixie em 24 de setembro de 2021, em Greenville, na Califórnia. O incêndio queimou quase 1 milhão de acres em cinco condados do norte da Califórnia em um período de dois meses (Crédito: Justin Sullivan / Getty Images)

Uma coleção de imagens feitas por fotógrafos da Getty Images mostra a verdadeira cara desses desastres climáticos diante das pessoas realmente afetadas por eles. “A fotografia climática desempenha um papel importante na difusão dos impactos devastadores de nossa atual emergência climática”, disse Justin Sullivan, fotógrafo da equipe da Getty Images. “Embora haja ampla cobertura da mídia sobre esses eventos, ser capaz de informar o público por meio de imagens mais impactantes sobre como a seca ou como o clima severo nos afetam diretamente é um primeiro passo importante para mudar a forma como as pessoas abordam assuntos como a preservação da água.”

Vários tornados atravessaram alguns estados do Meio-Oeste dos Estados-Unidos em 15 de dezembro de 2021, deixando um rastro de destruição pelo caminho. Casas foram completamente destruídas em Dawson Springs, Kentucky (Crédito: Scott Olson / Getty Images)

À medida que o clima piora, Sullivan diz que a fotografia com drones também se tornou uma ferramenta fundamental para capturar a dimensão desses desastres climáticos, muitas vezes difícil de imaginar – uma visão panorâmica de um lago seco, por exemplo, mostra o que não fica muito claro para alguém que está em suas margens. E essas imagens mais abrangentes, em grande escala, não servem apenas para registrar o contraste entre como as coisas estão agora e como elas costumavam ser: nos próximos anos, eles serão marcadores de mudanças ainda em maiores.

Uma pessoa caminha pela água enquanto espera por ajuda em Jean Lafitte, na Louisiana, depois que o furacão Ida, de categoria 4, atingiu o continente no final de agosto de 2021, causando inundações e danos decorrentes do vento ao longo da Costa do Golfo (Crédito: Brandon Bell / Getty Images)

“Documentar esses desastres”, diz Sullivan, “nos fornece contexto e parâmetros de comparação enquanto nosso mundo continua a mudar”.

 Um navio foi arrastado até a costa em Jean Lafitte, Louisiana, durante o furacão Ida (Crédito: Brandon Bell / Getty Images)

O furacão Ida causou cortes generalizados de energia, inundações e outros danos massivos, inclusive na Grande Ilha, em Louisiana (Crédito: Win McNamee / Getty Images)

O tráfego foi interrompido na Rodovia 50, em South Lake Tahoe, na Califórnia, em 30 de agosto de 2021, enquanto as pessoas evacuavam a área antes do incêndio de Caldor, que até então havia queimado mais de 175.000 acres (Crédito: Justin Sullivan / Getty Images)

Em meados de agosto, um bombeiro monitorou o incêndio Dixie enquanto ele se aproximava de uma casa nos arredores de Janesville, na Califórnia. Naquela época, o incêndio já havia queimado mais de 578.000 acres e destruído mais de mil casas (Crédito: Justin Sullivan / Getty Images)

No final de junho de 2021, um ancoradouro ficou rodeado por terra seca perto do Lago Powell, Utah, depois que uma forte seca atingiu o oeste dos EUA. Naquela época, o lago estava com 34,56% da capacidade, um nível histórico baixo (Crédito: Justin Sullivan / Getty Images)

Visitantes do Lago Powell, em Utah, no final de junho de 2021, viram o nível da água 43 metros abaixo da marca usual, tendo baixado 13 metros somente no ano passado (Crédito: Justin Sullivan / Getty Images)

Em junho de 2021, quando os níveis de água caíram no Lago Oroville, na Califórnia, as autoridades sinalizaram para remoção das casas flutuantes ancoradas na Bidwell Canyon Marina, a fim de evitar que ficassem encalhadas ou danificadas (Crédito: Justin Sullivan / Getty Images)

Quando a fumaça do incêndio florestal do Oeste dos Estados Unidos chegou à costa leste em julho de 2021, uma névoa amarelada cobriu a cidade de Nova York e a Estátua da Liberdade (Crédito: Spencer Platt / Getty Images)

Terreno queimado por um incêndio florestal em junho de 2021 podia ser avistado da ponte Bidwell Bar, em Oroville, na Califórnia, em meio a uma seca severa (Crédito: Justin Sullivan / Getty Images)

Em fevereiro de 2021, milhões de residências e de empresas em Austin, no Texas, incluindo a Fiesta Mart, ficaram sem água e sem eletricidade depois que uma série de tempestades de inverno atingiu o estado (Crédito: Montinique Monroe / Getty Images)

SOBRE A AUTORA

Kristin Toussaint é editora assistente da editoria de Impacto da Fast Company.