Meta usa madeira em novo data center de IA para reduzir impacto ambiental
O uso de madeira engenheirada tem sido mais comum na construção residencial, mas a demanda por aplicações industriais está crescendo

Em um parque industrial construído do zero na Carolina do Sul, nos EUA, a Meta está erguendo um novo data center de US$ 800 milhões que, à primeira vista, segue o padrão dos gigantescos projetos que as big techs vêm acelerando na corrida pela inteligência artificial.
Instalada em uma área de cerca de 1,2 quilômetros quadrados, com dois enormes galpões que ocupam a maior parte dos mais de 66 mil metros quadrados de construção, a instalação representa o modelo dominante dessa nova infraestrutura: estruturas colossais que se tornaram a forma arquitetônica da disputa pelo poder lucrativo da IA.
Mas, além dos grandes prédios de centros de dados, um edifício administrativo relativamente modesto chama atenção por um detalhe incomum: ele está sendo construído principalmente com madeira, em vez do tradicional concreto e aço usados no restante do complexo e na maioria dos data centers pelo mundo.
No canteiro de obras, uma malha de vigas e colunas de madeira engenheirada já se ergue do chão, enquanto mais elementos estruturais de madeira completam a construção ainda em andamento. Quando a planta entrar em operação, em 2027, esse prédio vai abrigar os escritórios das equipes responsáveis por manter o sistema funcionando.
Embora a maior parte da instalação siga o padrão convencional, essa estrutura de madeira oferece um vislumbre de um futuro um pouco mais sustentável para esse tipo de infraestrutura.
A chamada mass timber (madeira engenheirada) apresenta vantagens, especialmente diante das críticas ao alto consumo de energia e água dos data centers.
“A madeira de origem sustentável é uma ótima escolha porque tem uma pegada de carbono incorporado muito menor do que materiais tradicionais como aço ou concreto”, afirma Blair Swedeen, líder global de sustentabilidade e metas de carbono zero da Meta.

Além disso, o método também acelera a obra. Segundo Swedeen, como os componentes de madeira são geralmente pré-fabricados sob medida, é possível reduzir o cronograma de construção em várias semanas. E, por serem mais leves que estruturas convencionais, exigem cerca de metade do volume de concreto nas fundações.
Os elementos estruturais foram fornecidos pela Smartlam North America, uma das principais fabricantes de madeira engenheirada em um mercado ainda emergente nos Estados Unidos.
O material Madeir, explica Nick Waryasz, especialista sênior da Smartlam.

A Amazon, por exemplo, inaugurou recentemente um centro logístico construído com madeira engenheirada no estado de Indiana, com a intenção de testar o material para projetos futuros. Um data center da Microsoft também está adotando a solução em parte de sua estrutura.
“Tenho participado de discussões iniciais sobre grandes projetos industriais, como data centers, impulsionadas principalmente pelo longo prazo de entrega das estruturas de aço”, diz Waryasz.
“Hoje pode levar mais de um ano para obter esse tipo de material, enquanto projetos equivalentes em madeira podem ficar prontos em cerca de seis meses”, afirma. Acontece que, em um setor altamente competitivo como o de IA, a velocidade de entrada no mercado é crucial.

Para o especialista, o segmento de madeira engenheirada está amadurecendo rapidamente e pode se tornar uma escolha padrão em projetos industriais. No caso do projeto da Meta na Carolina do Sul, o uso de madeira ainda é limitado a uma pequena parte do complexo. Mas a tendência é que isso mude.
“Estamos explorando ativamente o uso de madeira não apenas em edifícios administrativos, mas também em armazéns e até nos prédios onde ficam os servidores”, afirma Swedeen.
“A resistência, durabilidade e segurança contra incêndio tornam a madeira uma opção promissora para aplicações mais amplas na infraestrutura de data centers e seguimos avaliando essas possibilidades.”